EUA | Embaixador chinês adverte para “linhas vermelhas”

O embaixador chinês nos Estados Unidos, Xie Feng, afirmou ontem que Taiwan, o sistema político chinês e o “direito ao desenvolvimento” do país asiático são “linhas vermelhas” que Washington não deve desafiar.

Num artigo publicado no Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), Xie defendeu que a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos deve servir para “avançar” na relação de “estabilidade estratégica construtiva” acordada pelos dois líderes em Pequim, em Maio passado.

O embaixador afirmou que esta fórmula “não é apenas retórica”, mas um apelo para que os dois países actuem “na mesma direcção”, e defendeu que devem “ampliar a lista de cooperação” e “reduzir a lista de problemas” em vários domínios.

Em matéria de inteligência artificial (IA), Xie apelou a que se evite uma nova “cortina de silício” e rejeitou uma “guerra das estrelas” neste sector, numa referência à rivalidade tecnológica entre as duas potências.

O representante chinês defendeu que a concorrência entre Pequim e Washington deve ser “benigna” e não assumir uma dinâmica de “tudo ou nada”, e acusou os Estados Unidos de recorrerem a conceitos como “segurança nacional”, “desequilíbrios económicos” ou “trabalho forçado” para conter e pressionar a China.

Evitar tragédias

Xie afirmou que os dois países devem “superar a armadilha de Tucídides” e evitar uma “tragédia da política entre grandes potências”, uma ideia que Xi já transmitiu a Trump durante o encontro entre ambos, em maio, em Pequim.

A “armadilha de Tucídides” refere-se à teoria, popularizada pelo politólogo norte-americano Graham Allison a partir das guerras do Peloponeso, segundo a qual uma potência dominante e outra emergente tendem para o conflito quando a primeira considera a sua liderança ameaçada.

Em paralelo, um editorial assinado por “Zhong Sheng” no mesmo jornal, pseudónimo utilizado para veicular posições da liderança chinesa sobre política externa, instou Washington a manter a “continuidade” e a “estabilidade” da sua política em relação à China e a “valorizar o actual impulso positivo, alcançado com esforço, para manter o rumo correcto”.

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