China e Índia acordam novos mecanismos para tentar resolver disputa fronteiriça

China e Índia acordaram criar dois novos grupos de trabalho sobre a disputa fronteiriça e reforçar os canais militares de comunicação, entre oito consensos alcançados durante uma reunião em Pequim, anunciou ontem a diplomacia chinesa.

Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião entre o ministro Wang Yi e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, as duas partes acordaram criar um grupo de peritos sobre delimitação e outro sobre controlo fronteiriço.

O primeiro fica encarregado de avançar na delimitação dos sectores em disputa, enquanto o segundo abordará questões práticas relacionadas com a gestão da fronteira.

Pequim e Nova Deli acordaram ainda acrescentar dois novos pontos para reuniões entre comandantes militares de nível general e estabelecer duas novas linhas directas militares nos sectores ocidental e central da fronteira.

As partes comprometeram-se também a utilizar os “canais diplomáticos e militares existentes” para gerir “de forma atempada” quaisquer incidentes fronteiriços, resolver questões pendentes e evitar “mal-entendidos e erros de cálculo”.

Encontros e desencontros

O comunicado refere ainda o compromisso de prosseguir as negociações com base no acordo político alcançado em 2005 para a resolução da questão fronteiriça, visando encontrar uma solução “justa, razoável e aceitável para ambas as partes”.

China e Índia avaliaram também positivamente a reabertura de três mercados de comércio fronteiriço e acordaram reforçar as trocas comerciais e as peregrinações nas zonas limítrofes.

A reunião entre Wang e Doval ocorreu numa altura de aproximação bilateral e antes da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, prevista para Nova Deli, na qual poderá participar o Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou esta semana o jornal indiano The New Indian Express, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial da deslocação.

China e Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020, no vale de Galwan, causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses e desencadeou a pior crise bilateral em décadas.

Desde 2024, os dois países têm dado passos para normalizar as relações, incluindo a retoma da emissão de vistos, do comércio fronteiriço e dos voos diretos, embora a questão territorial continue a ser o principal foco de fricção.

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