EventosRoadhouse | Macau volta a receber Arraial de São Cosme e Damião Andreia Sofia Silva - 28 Ago 2026 Vem aí mais uma celebração do tradicional Arraial de São Cosme e Damião no Roadhouse Macau. A partir das 19h no dia 26 de Setembro, sábado, é tempo de dançar com a música de Jandira Silva e teatralizar o “casamento da roça” tal como se faz no Brasil, lembrando os santos padroeiros Camila Oliveira esteve recentemente ligada ao ensino do português no Leitorado Guimarães Rosa, entidade do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e que tem conexão à Universidade de São José (USJ). Foi aí que surgiu a ideia de organizar o Arraial de São Cosme e Damião num formato semelhante ao da celebração que se faz no Brasil. Este ano chega a terceira edição deste arraial que acontece no Roadhouse Macau no sábado, 26 de Setembro, a partir das 19h, e que conta com o apoio de diversas entidades, nomeadamente a Associação dos Jovens Macaenses. Ao HM, Camila Oliveira explica em que consiste esta festa que celebra os santos padroeiros, gémeos, Cosme e Damião, e que mete os convidados a teatralizar o tradicional “casamento da roça”, com a distribuição de pequenos sacos. “O objectivo principal do evento é a divulgação e promoção do Brasil e da sua cultura. Queremos criar momentos para que as pessoas conheçam mais sobre o Brasil. É muito bom o Consulado-geral de Portugal ou a Casa de Portugal em Macau promoverem Portugal, mas sempre senti falta disso em relação ao Brasil, pois não temos muitos eventos ligados ao país”, explicou. Nas celebrações focadas na língua portuguesa e no universo da lusofonia, é certo que o Brasil marca presença, mas Camila Oliveira sempre sentiu falta de uma maior representação do seu país. Este arraial quer também mostrar a nação brasileira “além do samba, futebol e carnaval”. As celebrações dos santos padroeiros Cosme e Damião começaram há três anos. Camila Oliveira cresceu com esta festa. “Em Portugal não se celebra, mas no Brasil é uma data bastante celebrada, e era, sobretudo, celebrado na minha época. As pessoas distribuíam saquinhos de doces na rua e nós saíamos de casa para os apanhar.” A primeira edição do arraial em Macau fez-se nas datas de São Cosme e Damião e, por essa razão, distribuíram pequenos sacos de doces improvisados. “No ano passado decidimos fazer uma segunda edição, e aí já colocámos o nome de Arraial de Cosme e Damião. A Jandira [Silva, cantora brasileira há vários anos radicada em Macau] cantou músicas mais viradas para o forró e sertanejo, que são as músicas que usamos mais no arraial, mais rural. Também deu certo”, relatou. O “casamento” na rua Neste arraial brasileiro, a dança chama-se “quadrilha”, dançada na rua onde se situa o Roadhouse sempre “de forma improvisada”. “É um momento engraçado e divertido, em que chamamos todo o mundo para dançar”, destaca Camila Oliveira sobre o momento em que se dança após o teatro em torno do “casamento na roça”, e que é uma sátira aos casamentos feitos no século passado. Há uma noiva que costuma estar grávida antes do casamento e também um padre, sendo que estes “actores” estão vestidos com roupas características como calças de ganga, camisas de xadrez ou chapéus de palha. Não falta ainda detalhes a este enredo ficcionado, em que o pai obriga, por exemplo, o homem a casar com a filha. Depois de muita diversão com estes momentos, é a vez de dançar. Camila Oliveira assegura que esta festa não tem orçamento e é, sobretudo, feita com o apoio do Roadhouse Macau e de muitos voluntários. “Não temos um orçamento definido, é tudo feito com a ajuda de voluntários e do próprio Roadhouse que paga o básico: o DJ e a música. Os docinhos do Cosme Damião são pagos com o nosso dinheiro, e desta vez trouxe os saquinhos do Brasil, porque antes adaptávamos com que o que tínhamos aqui. É tudo muito artesanal e feito com muito amor, e feito também pela crença e ideologia, e por querer mostrar o quão lindo é o meu país”, destacou.