Japão | Grupo acusa Governo de querer alterar princípios não nucleares

A contestação às alterações à segurança nacional anunciadas pelo Executivo japonês fez-se sentir através de um grupo de sobreviventes do massacre nuclear de Hiroshima

O principal grupo japonês contra as armas nucleares, formado por sobreviventes dos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki, assinalou ontem o seu 70.º aniversário com críticas ao actual Governo por tentar “alterar” princípios não nucleares do país.

Segundo uma declaração do Nihon Hidankyo, divulgado pelo jornal japonês Nikkei, a Administração da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, está a tentar alterar as regras que impedem o Japão de possuir, produzir ou permitir a introdução destas armas no seu território “sem realizar os debates necessários”.

Na sua declaração, o grupo pediu ainda ao Executivo japonês que assine e ratifique o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW, na sigla em inglês), e afirmou que é responsabilidade de todos “construir uma sociedade livre de armas nucleares e de guerras”.

O grupo, que ganhou o Prémio Nobel em 2024, foi criado em 10 de Agosto de 1956, um dia após o 11.º aniversário do bombardeamento atómico de Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial.

Os princípios não nucleares do Japão foram adoptados como resolução pelo Parlamento japonês em 1971, mas nunca foram incorporados na lei japonesa, e Takaichi tem recusado até agora esclarecer se o seu Governo continuará a respeitá-los.

Em revisão

O Executivo japonês prepara para este ano uma revisão dos seus acordos e compromissos de segurança nacional, a qual tem gerado dúvidas sobre se os princípios nucleares permanecerão intactos, especialmente depois de o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, ter defendido recentemente um debate nuclear “sem tabus”.

Takaichi, nos seus discursos por ocasião do 81.º aniversário dos bombardeamentos atómicos em Hiroshima e Nagasaki, afirmou que o Governo “defende” os três princípios, mas garantiu também que o seu Executivo proporá medidas “realistas e práticas” para alcançar um mundo livre de armas nucleares, sem se comprometer a manter intacta a postura antinuclear do país asiático.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado