Montenegro, o maior das promessas

Recordam-se que a série de tempestades aconteceu há mais de três meses. As zonas de Leiria e Marinha Grande foram as mais afectadas. O governo de Montenegro prometeu de imediato que as indemnizações às vítimas que ficaram sem nada seriam uma prioridade. Ainda hoje temos gente sem telhado, pior, sem casa e que receberam uns míseros cinco mil euros.

Nos últimos tempos, Montenegro tem prometido este mundo e o outro. Afirma que Portugal está melhor. Mas, centenas de portugueses já pararam o carro devido ao aumento do preço dos combustíveis e o povinho vai ao supermercado comprar o mínimo indispensável para viver. O custo de vida aumenta todas as semanas. A inflação sobe. Há reformados que já não compram os medicamentos, mas o chefe do Executivo tem sempre na ponta da língua que aumenta as reformas. Isto, quando existem portugueses com reformas de 150, 250 e 350 euros.

As promessas são quinzenais e algumas vão até 2030. Quando o Governo vai a debate na Assembleia da República lá ouvimos uma catadupa de promessas. Na semana passada foi demais. Montenegro, na qualidade de primeiro-ministro, tem focado as suas promessas na estabilização económica, apoio ao custo de vida e reformas estruturais. Cantigas leva-as o vento e, se não, vejamos. Montenegro tem defendido uma reforma laboral, procurando um acordo, apesar das tensões com parceiros sociais como a UGT. No entanto, a central sindical CGTP já marcou uma greve geral para Junho contra o pacote laboral e a UGT adiantou que poderá aderir à greve geral.

Anunciou uma linha de apoio de 600 milhões de euros para empresas com elevados custos de energia, mas ainda na quarta-feira passada os dirigentes das pequenas e médias empresas vieram a público afirmar que não aguentam a actual situação, especialmente o aumento do custo da energia. Há muito tempo que Montenegro anunciou a aprovação de novas medidas para combater o aumento do custo de vida e o preço dos combustíveis. É só irmos ao supermercado e verificar o aumento do custo de produtos como leite, pão e fruta e o preço dos combustíveis aumenta quase todos os dias, mesmo quando o preço de petróleo baixou em face do cessar fogo no Irão. No último debate quinzenal no Parlamento, lá veio o Ventura tentar ganhar mais uns votos, porque aproveitando-se das falsas promessas de Montenegro, acusou o Governo de “ineficácia absoluta”. É assim que o populismo ganha votos. A ineficácia resulta de prometer e de nada acontecer em benefício do povo.

Nas hostes social-democratas aplaude-se de pé Montenegro. Ele é o maior, o mais inteligente, o mais empreendedor, o mais resoluto, mas não é capaz de prometer que irá reformular o acordo da Base das Lajes com os americanos, antes que o Irão se lembre de enviar um drone contra Lisboa… As promessas são mais que muitas. O povo está cansado de ouvir Montenegro prometer e nada viabilizar para uma melhor qualidade de vida. Os reformados de miséria já nem querem ouvir falar em Montenegro e dizem que nunca mais irão votar num governo deste calibre.

O chefe do Governo inventou um nome pomposo para as promessas. Imaginem que apareceu com o Programa de Recuperação e Resiliência Português (PTRR). Houve deputados na casa da democracia que se riram de tanta promessa para as calendas, tais como o apoio à reconstrução dos malefícios das tempestades, às infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, ao abastecimento de energia eléctrica, de água e melhoria nos serviços públicos.

Obviamente que a incongruência tinha de enfrentar a oposição parlamentar. O Governo tem falado na verba de 2,5 mil milhões de euros para dar resposta às necessidades das famílias, das empresas e das autarquias mais afectadas nas tempestades. Mas, ao mesmo tempo, anuncia que ainda não tem disponível o dossiê de levantamento das necessidades para solicitar o fundo de Solidariedade europeu. Esta incongruência foi naturalmente explorada e não escapou aos partidos da oposição durante o debate parlamentar. Como tudo isto parece um circo, os palhaços podem continuar em cena…

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