Panchões | Sands Gallery acolhe mostra com curadoria de Ung Vai Meng

O ex-presidente do Instituto Cultural faz a curadoria de uma nova mostra sobre a história da produção de panchões em Macau. Até Agosto estará patente “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”, na Sands Gallery no Cotai

A história da produção de panchões em Macau volta a contar-se, com outros contornos, numa nova exposição organizada pela Sands China em parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Patente na Sands Gallery, que fica no hotel Four Seasons no Cotai, até ao dia 31 de Agosto, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” tem curadoria de Ung Vai Meng e promete revelar muitas histórias ao público.

A iniciativa nasce de uma parceria com o meio universitário a fim de “preservar o património dos panchões de Macau”, destaca a organização numa nota. Além disso, as mais de 400 peças expostas celebram o centenário da Fábrica de Panchões Iec Long, hoje transformada em espaço de lazer e cultura na Taipa Velha.

As peças expostas incluem “manuscritos originais, ferramentas de fabrico de foguetes e rótulos de embalagens”, oferecendo aos visitantes “uma narrativa rica e multifacetada sobre a história centenária e a importância cultural da indústria de foguetes de Macau, outrora uma das quatro principais indústrias da cidade”.

Nesta mostra colaboram a Biblioteca e a Faculdade de Humanidades e Artes da MUST. Segundo um comunicado divulgado pela Sands China, a exposição “assenta em bases históricas e científicas sólidas”, uma vez que o antigo presidente do Instituto Cultural, e um dos mais reconhecidos artistas de Macau, “dedicou três décadas ao estudo” da indústria de panchões.

O que se mostra na Sands Gallery é fruto da “consolidação sistemática de investigação académica e de raros materiais de arquivo”, considerada pela organização como a “primeira exposição a traçar, investigar e apresentar de forma abrangente o desenvolvimento da indústria”, o que permite ampliar “o impacto da revitalização da Fábrica de Panchões Iec Long”.

Uma “experiência imersiva”

A exposição está dividida em seis partes. A primeira apresenta “uma experiência imersiva introdutória, desenvolvendo-se através das histórias da indústria, do saber artesanal, de arquivos históricos, experiências interactivas e da estética do design de embalagens”. Destacam-se, depois, “o valor estético” dos panchões e as “realidades práticas da produção, operação, transporte e exportação”.

Na parte dois, intitulada “Traçando a história da indústria”, são explicadas “as origens, o crescimento, a transformação e a adaptação da indústria de panchões de Macau através de um conjunto diversificado de materiais de arquivo, incluindo registos oficiais do Governo, relatórios de comércio externo, mapas, fotografias e notícias”. Podem, assim, verificar-se “mudanças demográficas, políticas governamentais e forças de mercado” da época, revelando-se “a trajectória de desenvolvimento desta indústria tradicional”.

Na parte três da exposição, com o nome “Manifestação – O coração do artesão” pode saber-se mais sobre “os processos complexos e o ambiente de trabalho do fabrico de panchões”, com a presença de “tubos, ferramentas, ilustrações e imagens históricas que sobreviveram ao tempo, revivendo-se o espírito concentrado e meticuloso dos artesãos”.

Importância nos anos 50 e 60

Citado pela mesma nota, Ung Vai Meng referiu que “o fabrico de panchões foi uma das indústrias tradicionais mais importantes de Macau”, sendo que, “para muitos residentes mais velhos, representa uma memória colectiva partilhada no último século”. Ung Vai Meng adiantou alguns dados sobre este sector, já que, nas décadas de 50 e 60, “os panchões produzidos em Macau representavam entre 30 por cento e mais de metade da produção mundial, ocupando uma posição crucial no mercado internacional”.

“Tendo em conta o centenário da Fábrica Iec Long, é com grande satisfação que colaboro com a Sands China para apresentar esta exposição, permitindo ao público conhecer melhor esta história e apreciar a arte dos rótulos de embalagens. Espero que a exposição transporte os visitantes no tempo, fazendo ecoar um século que pertence unicamente a Macau”, acrescentou.

Destaque para o facto de a operadora de jogo ter colaborado nos últimos anos na revitalização da antiga fábrica de panchões na Taipa, antigamente ao abandono. Segundo Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, essa revitalização foi assumida em 2023 e, desde então, a empresa tem investido “activamente recursos para dar uma nova vida a este importante período da história industrial de Macau, reimaginando-o como um símbolo cultural onde o património é renovado através da inovação”.

Nesta mostra, Wilfred Wong entende que se uniram “empresa e academia”, sem esquecer que também colaboram entidades como o Museu de Macau e o Arquivo de Macau.

Presença na Art Central

Destaque ainda para o facto de esta temática e exposição estarem presentes na Art Central de Hong Kong, evento cultural que decorre este fim-de-semana, até domingo, e que teve início ontem. A Sands China chama a atenção para o facto de ser “a primeira empresa do sector a participar na Art Central de Hong Kong como parceira associada”, apresentando no evento “a história e estética dos panchões de Macau ao público internacional, juntamente com obras de jovens artistas contemporâneos locais”.

Este domingo, às 15h30, no Art Central Theatre, Ung Vai Meng protagoniza a palestra “Aesthetics in a Square-Inch: A Century of Visual Culture Change Through Macao’s Firecracker Packaging” [Estética num centímetro quadrado: um século de transformação da cultura visual através das embalagens dos panchões de Macau].

Também na Art Central foi inaugurada um espaço de exposições da Sands China com mais de 40 obras de arte, incluindo trabalhos de três “jovens artistas promissores e visionários de Macau”, nomeadamente Lei Ieng Wai, Leong Chi Mou e Dor Lio Hak Man. Apresenta-se também “uma colecção histórica” proveniente da mostra patente na Sands Gallery, em Macau.

A história dos panchões revela-se em duas actividades de extensão presentes na MUST. Uma delas é a mostra “Timeless Treasures: Archival Materials of Macao’s Firecracker Industry” [Tesouros intemporais: Materiais de arquivo da indústria de fogos de artifício de Macau], patente entre 10 de Abril e 31 de Maio na biblioteca da MUST.

Além disso, desde o dia 10 de Março que pode ser vista a mostra “Historical Resonance: Firecracker Label Art From Eastern Guangdong” [Ressonância histórica: a arte dos rótulos de fogos de artifício do leste de Guangdong], no terceiro piso do bloco R da MUST. Esta parte da exposição está disponível para visitas até ao fim deste mês.

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