Torre de Macau | Espectáculo celebra cultura sino-portuguesa

Um novo espectáculo teatral sobe ao palco amanhã para explorar como os 500 anos de contacto entre as culturas portuguesa e chinesa deram a Macau “uma identidade única”.

Na terceira edição da série “Macasaphis”, o grupo de teatro experimental Frost Ice Snow Creative junta música, teatro, moda, histórias orais e comédia ‘stand-up’ no auditório da Torre de Macau. A directora, Sileas Ko Weng Si, disse ontem à Lusa que, após uma pausa de dois anos devido à falta de financiamento, o grupo decidiu regressar com o tema “a cultura sino-portuguesa”.

“A cultura sino-portuguesa está por todo o lado, mas já nem nos apercebemos. As pessoas às tantas ficam confusas, sem compreender como isso influencia as nossas vidas”, explicou Sileas Ko. A primeira edição da “Macasahpis”, em 2022, já tinha sido dedicada a elementos particulares da região.

“A presença das línguas chinesas e portuguesa, os monumentos históricos, o facto de termos o maior número de feriados do mundo, tanto os budistas como os católicos”, disse Ko. O português é uma das duas línguas oficiais de Macau, pelo menos durante os primeiros 50 anos da nova região semiautónoma chinesa, segundo o acordo bilateral que permitiu a transição de administração, em Dezembro de 1999.

A edição de 2023 teve como convidados a Tuna Macaense, um grupo musical da comunidade euro-asiática, composta maioritariamente por lusodescendentes, que toca canções no dialecto crioulo, o patuá. Mas desta vez o grupo decidiu ir mais longe e celebrar como a influência portuguesa também se sente entre os chineses de Macau, disse à Lusa a produtora do espectáculo, Casta Lai Chit.

“Talvez as pessoas ainda sintam alguma vergonha de definir a nossa cultura e identidade, porque somos chineses, mas não somos iguais aos outros”, explicou Casta Lai, que tem nacionalidade portuguesa. “As pessoas têm orgulho na cultura de Macau, mas têm algum pudor em demonstrá-lo”, lamentou Sileas Ko. “A cultura sino-portuguesa torna a nossa cidade ainda mais especial. Sem ela, só haveria casinos”, acrescentou.

Poder cultural

Com uma área de apenas 33 quilómetros quadrados e menos de 680 mil habitantes, Macau “é um peixe minúsculo” no contexto da China, com uma população de 1,4 mil milhões, sublinhou Casta Lai. “Se não fosse a cultura sino-portuguesa, Macau não teria importância nenhuma”, defendeu a produtora.

O espectáculo inclui uma parte em que, de forma humorística, a população de Macau é tratada como “uma espécie em vias de extinção” e não apenas por a cidade ter a taxa de natalidade mais baixa do mundo, disse Sileas Ko. Casta Lai alertou que “talvez depois de 50 anos a cultura seja diferente. Se isso acontecer, se calhar as pessoas vão olhar em volta e sentir falta do que se perdeu”.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários