Poesia | Escritor Jorge Arrimar conduz palestra no Albergue SCM

“Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam de Macau” é o nome da palestra que José Arrimar irá apresentar no Albergue SCM na próxima terça-feira. O autor desafia o público para uma conversa sobre a literatura de Macau

Jorge Arrimar, ex-residente de Macau, poeta e autor premiado, estará no território na próxima semana para conversar sobre a literatura de Macau e o trabalho dos Dóci Papiaçam Di Macau, grupo de teatro e coro que dinamiza o patuá, o dialecto tipicamente macaense praticamente em vias de extinção.

“Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam Di Macau” é o nome da palestra marcada para o Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) na terça-feira, das 19h às 21h. O evento desafia o público para uma discussão sobre a “complexa definição” do que é a literatura de Macau e a análise “das várias perspectivas académicas e culturais sobre o tema”.

No seminário, apoiado pela Fundação Macau, será destacada “a dualidade entre a ‘literatura macaense’, escrita por autores locais em português ou na língua crioula local, e a ‘literatura de Macau’, produzida tanto por autores residentes, como por escritores transitórios”.

Jorge Arrimar irá apresentar “a trajectória histórica” da literatura trilhada por figuras como Camões, Fernão Mendes Pinto e Bocage, e escritores mais contemporâneos e nascidos em Macau, como Deolinda da Conceição, Henrique de Senna Fernandes e o poeta José dos Santos Ferreira, mais conhecido como Adé.

Promete enfatizar-se “a natureza híbrida e multicultural da produção literária, reflectindo o encontro entre o Oriente e o Ocidente”, assim como “o papel do patuá como um marcador de identidade”. A organização do evento, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, aponta que o seminário irá incidir sobre a literatura de Macau “como expressão única de uma memória mista, e de uma identidade em contínua formação”.

Uma carreira nas letras

Jorge Manuel de Abreu Arrimar nasceu em Angola. Iniciou estudos superiores na Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, concluindo o doutoramento em História Moderna em Portugal (2007) e o doutoramento em Ciências Documentais na Universidade de Alcalá (Madrid, 2013).

A sua ligação a Macau vem dos anos 80 e 90, quando foi director da Biblioteca Central de Macau entre os anos de 1985 e 1998. É autor de vários livros de poesia inspirados em Macau, incluindo “Fonte do Lilau” (1990), “Secretos Sinais” (1992) e “Confluências”, escrito em co-autoria com Yao Jingming e editado em 1997.

Foi membro da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro de Poetas de Macau (1994) e vice-presidente da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro Internacional de Bibliotecários em Macau (1995). Recebeu a Medalha de Mérito Cultural em 1997.

Jorge Arrimar vive em Portugal, mas continua a publicar obras relacionadas com Macau, incluindo “Antologia de poetas de Macau”, editada também com Yao Jingming em 1999. Na área da história, Arrimar editou, em 2014, “Macau no Primeiro Quartel de Oitocentos”.

Além de Macau, Jorge Arrimar tem escrito também sobre o universo africano, com ligação ao período da colonização, nomeadamente o romance “Cuéle – O Pássaro Troçador”, com que venceu, no ano passado, o VI Prémio de Literatura dstangola/Camões. O júri considerou que a obra é “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”.

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