Função Pública | Revisão de estatuto deixa de fora ajudas de custo

Até ao final do ano deverá ser apresentada uma proposta de revisão do ETAPM, mas de acordo com a subdirectora dos SAFP, Joana Maria Noronha, irá focar principalmente “deveres e regimes disciplinares” dos trabalhadores da Função Pública

 

Apesar de o Governo ter prometido a revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM), Joana Maria Noronha não garante que o regime de ajuda de custo para deslocações ao exterior seja alterado. A posição foi tomada pela subdirectora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

De acordo com a resposta dos SAFP, até ao final do ano o Governo deverá fazer uma proposta de revisão do ETAPM e do Estatuto do Pessoal de Direcção e Chefia, mas a prioridade vai passar por alterar os aspectos relacionados com os deveres das chefias, assim como o regime de disciplina.

“O Governo da RAEM tem-se empenhado em proceder à revisão dos diplomas da função pública, revendo sucessivamente os regimes de recrutamento, horário de trabalho, carreiras, mobilidade, entre outros”, destacou Joana Maria Noronha. “Em 2024, procederá principalmente à revisão do ETAPM e das Disposições Fundamentais do Estatuto do Pessoal de Direcção e Chefia, nomeadamente à optimização das disposições relacionadas com os deveres e regimes disciplinares que os trabalhadores dos serviços públicos inclusivamente os directores e chefias deverão cumprir, com vista a aperfeiçoar o actual regime”, foi acrescentado.

Questão sem resposta

Na interpelação, Lei Chan U indicou que o regime de ajuda de deslocações está desactualizado, e não responde às viagens cada vez mais frequentes de deslocação ao Interior e a Hong Kong, no âmbito da construção da Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha e da Grande Baía.

O ETAPM define que no caso de receberem ajudas de custo para deslocações, os funcionários públicos não recebem outro tipo de compensações. Caso não recebessem as ajudas de custo, os funcionários teriam direito a receber o dinheiro correspondente a horas extras ou a descansar o número de horas em serviço noutro dia.

Na resposta sobre os planos para fazer a revisão, a subdirectora dos SAFP limita-se a dizer que o regime existe para “eliminar as inconveniências decorrentes da deslocação de trabalhador em missão oficial ao exterior”, sem indicar qualquer plano de revisão.

O regime de ajudas de custo prevê o pagamento diário para compensar o trabalhador que pode variar entre 700 e 1.100 patacas para deslocações ao Interior. A este montante, juntam-se outros apoios, no caso de o trabalhador pagar os bilhetes das deslocações. Contudo, o montante para o trabalhador é reduzido para 35 por cento, quando as deslocações têm como destinos Hong Kong ou a província de Guangdong, o que significa um valor entre 245 e 385 patacas. Os montantes actuais não são alterados desde 1995.

Subscrever
Notifique-me de
guest
4 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Jorge
Jorge
19 Mar 2024 12:20

ETAPM e das Disposições Fundamentais do Estatuto do Pessoal de Direcção e Chefia, nomeadamente à optimização das disposições relacionadas com os deveres e regimes disciplinares que os trabalhadores dos serviços públicos inclusivamente os directores e chefias deverão cumprir. Questão : Direção e chefias não cumpriram deveres ETAPM abusando poderes praticando ilegalidades Administrativa e criminal , quem irá investigar esses infratores Direção e chefias? Competência cabia autoridades ccac ou Ministério público ou autoridades policiais. Questão 2) Chefias e investigadores do ccac abusando poder de autoridades quem irá investigar lhes? Comissão independente sobre queixas apresentadas pelos cidadãos. Questão 3) Quem tem deveres… Ler mais »

Cheang Siu Chau
Cheang Siu Chau
19 Mar 2024 22:42

É uma ação promissora rever e alterar o Estatuto da função pública em vários aspectos, especialmente os subsídios, direitos e todos os tipos de pagamentos aos quais os seus trabalhadores activos e aposentados têm direito, que simplesmente não fazem sentido e não se somam com o resto das pessoas da nossa sociedade, e é uma zombaria para o público em geral que sofre com uma pobreza profunda. Serão os funcionários públicos os ainda privilegiados como se ainda estivessem sob o então governo português? Quem na nossa sociedade tiver um coração caloroso e um par de olhos decentes pode ver e… Ler mais »

Cheang Siu Chau
Cheang Siu Chau
20 Mar 2024 01:28

No passado, por trás dos funcionários públicos macaenses, cada acção e pensamento era um desejo egoísta que os fazia querer desfrutar à custa dos outros, o público chinês em geral, e ter todos os privilégios da administração portuguesa. Além disso, este desejo egoísta cresceu constantemente ao longo da história. Se no passado eles poderiam ter sido amigáveis ​​conosco, em algum momento eles nos viram através das lentes de como poderiam nos usar para ganhar algo. E não fomos nós os culpados, mas sim eles, por tal atitude. É porque o seu ego cresceu incontrolavelmente sob a protecção do governo português… Ler mais »

Cheang Siu Chau
Cheang Siu Chau
20 Mar 2024 15:11

Ao longo de todos os anos, de vez em quando, há servidores públicos que vão se aposentar. Em média, um trabalhador leva mais de 30 anos de serviço efetivo antes de se aposentar. Pensando assim, e tendo-o em conta, ainda há muitos trabalhadores que pertencem à chamada era negra ou era suja da função pública, em que a corrupção existia na sua forma mais elevada e generalizada na nossa sociedade. Alguns podem já ter se aposentado recentemente e alguns já se aposentaram há algum tempo. E alguns vão se aposentar em breve. O problema é que o que o governo… Ler mais »