Período de consolidação deve durar duas semanas e começar no sábado

Rómulo Santos
O período de consolidação, que se seguirá ao confinamento parcial de Macau, deve começar no sábado e durar duas semanas. A confirmar-se, as autoridades admitem reabrir algumas actividades comerciais e industriais durante este período, mas os detalhes, incluindo a situação dos casinos, ainda é incerta. Zonas vermelhas voltam a ser definidas a partir de um caso positivo num edifício

 

Caso não haja novos casos comunitários, o chamado período de consolidação que se seguirá ao confinamento parcial de Macau terá início no sábado e pode vigorar durante duas semanas. Apesar de ainda não haver detalhes concretos acerca dos moldes em que a população será enquadrada durante esse período, a médica Leong Iek Hou admitiu ontem que algumas actividades comerciais e indústrias poderão ser reactivadas, mas reiterou que o regresso à normalidade não será para já. Até porque se perspectivam no horizonte mais testagens em massa e outras medidas de prevenção.

“Nos nossos planos preliminares prevemos que o período de consolidação decorra durante duas semanas. No entanto, pode variar consoante a evolução epidemiológica”, começou por dizer, na habitual conferência de imprensa de actualização da pandemia.

“Estamos a fazer preparativos [para entrar nesta fase], esperando que, no sábado, possamos entrar no período de consolidação. Agora, se, efectivamente vamos conseguir atingir esse objectivo, isso irá depender da evolução epidemiológica. Com base nos 10 novos casos registados ontem [segunda-feira], dos quais três foram detectados na comunidade, esperamos que os casos comunitários possam continuar a diminuir, contribuindo assim para se chegar ao período de consolidação. Inevitavelmente, durante o período de consolidação, não iremos gozar da mesma normalidade que já tivemos no passado e alguns estabelecimentos continuarão encerrados. Ao mesmo tempo, a população terá que se sujeitar aos testes de ácido nucleico. Os pormenores serão anunciados posteriormente”, explicou.

Questionada sobre se, durante o período de consolidação, os casinos poderão voltar a abrir portas ou se deixa de ser obrigatório utilizar máscaras do tipo KN95, Leong Iek Hou foi evasiva, mas admitiu que “parte das actividades comerciais e industriais será reiniciada” e que, naturalmente, isso irá contribuir para aumentar a circulação de pessoas. Consequência que, segundo a médica, irá obrigar as autoridades a “adoptar novas medidas para identificar eventuais casos de infecção”.

“A senhora secretária Elsie Ao Ieong já reuniu com os serviços competentes e, assim que estiverem definidos planos detalhados e os respectivos critérios, estes serão anunciados de imediato”, acrescentou.

No ar ficou ainda a dúvida acerca do levantamento da proibição de passear animais domésticos na rua, com o chefe substituto da Divisão de Relações Públicas do CPSP, Lei Tak Fai, a dizer também que os moldes do período de consolidação irão ser anunciados posteriormente.

Mudança de planos

Dado que o controlo do surto entrou numa fase crítica, durante a conferência de imprensa foi ainda revelado que os critérios de definição das zonas vermelhas foram alterados, bastando agora um caso positivo para ditar o encerramento total de um edifício. Recorde-se que até agora, um edifício passava a ser definido como zona vermelha, a partir da detecção de casos positivos em dois agregados familiares.

“Estamos a tentar atingir o objectivo de zero infecções (…) e, por isso, queremos implementar as medidas que nos permitam detectar todos os casos possíveis e fazer com que todas as pessoas que imponham algum risco, estejam sob o nosso controlo. Por isso, agora, segundo a nossa classificação de risco, caso seja detectado um caso comunitário num edifício, este passa a ser definido como zona vermelha”, começou por explicar Leong Iek Hou.

“Nesta fase de combate à pandemia não podemos afastar qualquer possibilidade de infecção e, se houver um caso confirmado cuja fonte é desconhecida, poderá haver transmissão rápida (…) e, por isso, precisamos de tomar medidas mais rigorosas”, justificou.

10 novos casos

No segunda-feira, Macau registou 10 novos casos de covid-19, elevando para 1.765 o total de infectados registados desde o dia 18 de Junho. Segundo o Centro de Coordenação, dos 10 novos casos confirmados, sete foram detectados em zonas vermelhas ou hotéis de quarentena e três na comunidade. Entre os casos comunitários, um é resultantes de contactos próximos, um foi encontrado durante a testagem em massa e grupos alvo e um “noutros grupos (…) encontrados na comunidade”. Até às 08h de ontem, foi feito o acompanhamento de 21.764 pessoas.

Janelas indiscretas

Questionada sobre se os moradores dos edifícios classificados como zonas vermelhas, devem ou não abrir janelas, a médica Leong Iek Hou apontou que tal depende da “circulação de ar fresco” do local, dado que se uma estiver virada para um espaço fechado, tal pode implicar riscos de transmitir a doença. “O raciocínio é muito simples. Se a janela está virada para um espaço fechado, ou seja, sem ar fresco e virada para os pátios (…) é aconselhável não abrir as janelas porque este ar não é fresco (…) e por isso implica um risco. Mas se as portas ou janelas estão viradas para um espaço aberto, com ar fresco, então podem abrir”, explicou.

Mais uma acusada

O chefe substituto da Divisão de Relações Públicas do CPSP, Lei Tak Fai revelou ontem que foi acusada mais uma pessoa suspeita de violar a lei de prevenção da pandemia, elevando para 28 o número de acusações desde 11 de Julho. Em causa, está uma mulher de 50 anos que terá circulado na via pública sem máscara. “Hoje [ontem], o número de acusações subiu para 28, devido ao caso de uma mulher de 50 anos que estava a circular sem máscara na rua do Lu Cao. Fizemos a respectiva acusação e o caso será encaminhado ao Ministério Público”, disse Lei Tak Fai. Foi ainda revelado que, no decorrer do dia de ontem, foram feitos 660 avisos até às 15h.

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