Japão alivia restrições e permite entrada de alguns residentes estrangeiros

O Japão decidiu ontem permitir a entrada de mais residentes estrangeiros, aliviando as restrições de imigração devido a covid-19, começando com trabalhadores e estudantes, no dia em que círculos empresariais europeus e norte-americanos demonstraram preocupação pela situação.

A entrada no território vai ter alguns requisitos, como um teste negativo à covid-19 antes da chegada ao país, e vai ser escalonada, segundo disse o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em reunião com o grupo de trabalho de gestão da pandemia.

Abe, que não especificou a partir de quando vão ser aplicadas essas excepções, assinalou também que está a considerar deixar entrar de forma limitada e durante um curto período de tempo empresários da Europa e dos Estados Unidos, e que vão começar negociações com mais 12 países e regiões para retomar as viagens de negócios bilaterais.

Entre os territórios com os quais Tóquio vai negociar estão a China, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Macau, Brunei ou Birmânia.

O Japão conseguiu chegar a acordo ontem com o Vietname e a Tailândia para aliviar as restrições e permitir a retoma de viagens “até final de Julho”, mas manteve a exigência de uma quarentena de 14 dias, conforme anunciado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

As negociações também estão em curso com a Austrália e Nova Zelândia, países que os nipónicos consideram ter o vírus sob controlo.

Ainda ontem, antes de Abe anunciar o alivio das medidas, os círculos empresariais europeus e norte-americanos no país lamentaram a persistência da proibição de entrada de estrangeiros, mesmo os que residem no país, acreditando que essa medida prejudica a sua atividade.

Enquanto os japoneses são convidados a observar uma quarentena de 15 dias no regresso ao país, os residentes estrangeiros no Japão não podiam regressar se tivessem saído, excepto em certos casos “humanitários” (urgência familiar, por exemplo) devidamente justificados.

Essa política de padrões duplos, única entre os países do G7, constitui um “sério obstáculo para muitos membros e as suas famílias”, sublinhou Christopher LaFleur, presidente da Câmara norte-americana de comércio no Japão, durante uma conferência de imprensa em Tóquio.

“Isso terá certamente um impacto” na imagem e na atractividade económica do Japão, porque gera “imprevisibilidade” para muitas empresas estrangeiras, afirmou também Michael Mrozczek, presidente do Conselho Empresarial Europeu no Japão.

Outras medidas

Abe indicou ainda que o Governo vai considerar as condições para permitir a entrada de atletas e outras pessoas envolvidas nos adiados Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020, que esta quinta-feira começam a contagem de um ano para a cerimónia de abertura, a ser realizada no dia 23 de Julho de 2021.

Esse compromisso acontece no mesmo dia em que o governo japonês anunciou a inclusão e 17 outros países na lista de proibição migratória, elevando o número de territórios afectados para 146.

O Japão contabilizou até ao momento mais de 27.000 casos de covid-19 e 1.002 mortes, incluindo as relacionadas com o cruzeiro Diamond Princess, que esteve em quarentena em Fevereiro.

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