Problema e tarefa

Talvez por defeito de fabrico, gosto de ir ao desporto beber algumas aprendizagens que podem perfeitamente ser aplicadas ao dia a dia e que encaixam no cenário de crise em que nos encontramos.

Correndo o risco de não me expressar tão bem como o meu amigo e mestre de sempre, muitas vezes a grande dificuldade que existe quando enfrentamos um problema é não conseguirmos mobilizar a nossa capacidade para a tarefa que temos pela frente, em detrimento dos receios (mais ou menos reais) que temos perante esse problema. Explico melhor. Perante uma situação desfavorável (perdendo um jogo por 0-3, por exemplo), podemos encarar o problema de duas formas.

A primeira é ficar a pensar que devia ter feito diferente lá mais atrás, enquanto continuamos a encarar o problema como uma montanha difícil (ou impossível) de escalar. A outra, é focar única e exclusivamente na tarefa imediata que temos pela frente e nas ferramentas à disposição, ou seja, mobilizarmo-nos completamente para “dividir” o problema em partes e começar o trabalho, que no nosso exemplo seria fazer o 1-3. E daí, prosseguir com a próxima tarefa, que será alterar o marcador para 2-3 e assim sucessivamente, procurando um eventual sucesso.

Agora que o coronavírus já chegou a Portugal parece, por vezes, que o foco tem estado demasiado no problema e pouco na tarefa. Ou seja, dá a sensação que há muitos a pensar no problema “Covid-19”, procurando saber se é mais ou menos perigoso que uma gripe sazonal ou qual a sua taxa de mortalidade, etc.. e poucos a pensar na tarefa imediata, e individual, que tem pela frente e que pode ter implicações na comunidade. Até porque o real problema vai além do número de casos confirmados e pode passar pelo colapso/entupimento da capacidade de resposta de estruturas médicas, material, recursos humanos etc.

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