Motas | Michael Rutter vence prova atípica e pede desculpas a Peter Hickman

No final da corrida de sábado, os membros da organização anunciaram, na sala de imprensa, que a 53.ª edição do Grande Prémio ficaria sem vencedor, após dois acidentes. Mas o que agora é verdade à noite é mentira, e horas depois Michael Rutter foi declarado vencedor. Ontem, Pun Weng Kun negou que tivesse havido qualquer comunicado “oficial” a informar que não haveria vencedor

 

Michael Rutter (Honda) conquistou pela nona vez na carreira o Grande Prémio de Macau em Motas, no sábado, e acabou a pedir desculpa ao colega de equipa Peter Hickman (BMW), que dominou todo o fim-de-semana. A 53.ª edição ficou marcada por dois acidentes, que levaram à suspensão da corrida, num primeiro momento, e ao cancelamento, após o segundo acidente, que terminou com três pilotos no hospital.

Após a confusão, a organização anunciou, no sábado à tarde, que não ia haver vencedor, visto que depois do recomeço apenas tinha sido realizada uma volta completa, quando o regulamento exigia um mínimo de três. Contudo, após as críticas dos pilotos, a organização voltou atrás e atribuiu a vitória a Michael Rutter, que liderava no final da única volta da segunda corrida. A decisão final tomada após uma reunião da direcção de corrida e com base no artigo 17 do regulamento que define que quando uma situação que “não está directamente estipulada nas regras”, que impera a deliberação da direcção de corrida.

A decisão não deixou o vencedor satisfeito, que nas redes sociais pediu desculpa ao colega de equipa Peter Hickman. “Acabei de saber que me foi dada a vitória da corrida de hoje. É uma vergonha porque o Peter [Hickman] merecia ganhar. Desculpa, Peter”, escreveu Michael Rutter, na conta do twitter, apesar de não ter controlo sobre a situação.

Peter Hickman que dominou todas as sessões do fim-de-semana e esteve sempre na liderança da corrida à excepção da volta que foi contabilizada para definir o vencedor. Porém, reagiu com desportivismo ao comentário do colega de equipa, antes dos dois se encontrarem numa discoteca local. “Hoje pagas a conta.Traz o dinheiro todo do prémio da vitória porque vais precisar”, comentou o vencedor do ano passado.

Comunicado inédito

No sábado, a prova de motas contou com duas partidas. Na primeira corrida foram realizadas mais de três voltas, até que um acidente entre Robert Hodson (BMW) e Marek Cerveny (BMW) levou à interrupção da prova. Meia hora depois, houve um recomeço, que terminou à segunda volta, após um acidente no Ramal dos Mouros que levou Dan Kruger (BMW), Erno Kostamo (BMW) e Derek Sheils (Suzuki) ao hospital.

Na altura da interrupção foi anunciado aos jornalistas por membros da organização que não haveria vencedor, o que aconteceria pela primeira vez na História da prova, porque não tinha sido cumprida a distância mínima.

A primeiro decisão resultou em várias críticas por parte dos pilotos, como aconteceu com Hickman: “Merda! Foi uma grande desilusão, a equipa gasta muito dinheiro para vir aqui. Viemos de longe para fazer um grande espectáculo e é muito desapontante que as coisas terminem assim. Poderia ter sido tomada outra decisão, mas a organização preferiu não se chatear”, afirmou, de acordo com a Rádio Macau.

Uma reacção semelhante foi partilhada por Michael Rutter. “É uma vergonha para o evento. É uma vergonha para todas as equipas. É sempre bom ter uma corrida. Espero que os pilotos estejam todos bem, mas estamos todos atordoados com a decisão”, defendeu, segundo a Rádio Macau.

“Sucesso” paranormal

No domingo, Pun Weng Kun, coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, fez um resumo do evento e recusou que tivesse havido qualquer comunicado “oficial” sobre a não atribuição da vitória. “Se calhar há pessoas que não entenderam o regulamento. Ontem [no sábado] só houve uma decisão final” afirmou Pun, quando confrontado com as declarações prestadas na sala de imprensa. “Oficialmente nunca foram anunciados dois resultados, oficialmente só houve um que foi o que definiu a classificação. A primeira [comunicação] não era oficial. Não sabemos através de que meios é que [os jornalistas] receberam essa informação”, defendeu-se.

Apesar de continuar a ser questionado sobre o assunto, Pun abandonou nessa altura a sala em que prestava declarações.

Este incidente e a confusão gerada durante várias horas ao longo da tarde de sábado não evitou que Pun Weng Kun considerasse o evento um sucesso. “Após quatro dias o evento foi realizado com um grande sucesso”, disse no início do encontro com os jornalistas.

Pires foi ao chão

Quanto aos resultados, além de Rutter e Hickman, o pódio ficou completo com o australiano David Johnson (Ducati). Por sua vez, André Pires (Yamaha) não ficou classificado, depois de ter caído na Curva da Melco, na zona mais lenta do circuito, logo na primeira volta.

O português teve um fim-de-semana difícil e ficou de fora da corrida logo na primeira volta, sem que tenha tido oportunidade de se posicionar na segunda grelha de partida. Pires caiu à saída da Curva de Melco, quando rodava muito próximo de um adversário, embora a ritmo lento. Como consequência seguiu directamente para as boxes e ficou fora da prova. “É um pouco triste para nós, mas estou contente porque ia a tentar rodar bem e acho que íamos fazer um bom resultado”, afirmou André Pires, no final. “Espero voltar novamente para o ano e tenho que encarar as corridas assim mesmo, estes erros fazem parte”, sublinhou.

Kostamo operado à coluna vertebral

Os pilotos Dan Kruger, Erno Kostamo e Derek Sheils foram transportados para o hospital depois de terem estado envolvidos na queda que levou ao fim definitivo da prova. Kostamo foi o piloto que ficou em pior estado e teve mesmo de ser operado à coluna vertebral, uma intervenção que, segundo a organização, foi bem-sucedida. No entanto, as lesões não serão graves e o finlandês não corre perigo de vida. Kruger e Sheils foram igualmente observados, mas receberam alta horas depois.

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