O poder do segredo

Adoro a forma como o Governo de Macau apresenta dados. Uma pessoa sente-se bem com as conclusões que, por vezes, são retiradas dos milhentos estudos que se multiplicam por esta terra abençoada pelos santos da fortuna. Por exemplo, se há cada vez menos casos que caibam nos novos critérios de violência doméstica estabelecidos legalmente, o Governo chega à conclusão que a mera entrada em vigor de uma lei impede, literalmente, a brutalidade caseira. Isto é incrível.

Mesmo que os casos que cheguem a tribunal com acusações por outros crimes, como ofensas graves à integridade física, a falta de aplicação da lei da violência doméstica pelos órgãos judiciais é interpretada como algo positivo em termos de aplicabilidade. Faz lembrar a contabilidade dos números de consumidores de drogas no território, que todos os anos diminuem e que, por agora, devem ser três ou quatro (e todos de fora, claro).

Estas estatísticas são feitas com base nos consumidores que são apanhados pelas autoridades e pelos que confessam consumir drogas (numa terra que criminaliza o consumo). Não interessa que o número de drogas apreendidas esteja a aumentar, provavelmente esse factor não revela nada. O que é importante é ter atitude positiva. Uma espécie de governação de acordo com as balelas de autoajuda do Segredo. Basta acreditar para acontecer. A realidade é opcional. Acreditem.

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