Democracia. HK style…

Digamos que se chama Joyce. É indonésia e veio para Hong Kong trabalhar como criada porque no seu país não é fácil levantar cabeça. Os patrões chineses da ex-colónia britânica permitem-lhe tirar uma folga de quinze em quinze dias. Aos domingos. Mas não pensem que se trata de um dia. Não: apenas 12 horas, das 7:30 às 19:30.

Ora no outro domingo, por causa das manifestações, dos protestos e da violência, Joyce atrasou-se meia-hora. É que o metro estava parado e os autocarros não funcionavam. Ao chegar a casa foi confrontada com uma berraria. “Nunca mais isto pode acontecer! Ai de ti que te voltes a atrasar”, ameaçando mesmo alguma brutalidade física.

Estes fantásticos patrões pagam a Joyce 4500 dólares de HK (+ ou – 450 euros), dos quais 2000 vão para a agência que lhe arranjou o emprego. Entretanto, pouco depois de ter chegado a casa, o filhinho da família, estudante universitário, entrou e pediu para que lhe lavasse a “camisa preta”. Cheirava a esturro e a uma luta intensa pela democracia. A que lhes interessa. Sem dó nem piedade.

É verdade: Hong Kong precisa de uma revolução.

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