JP Morgan | Protestos em Hong Kong não afectam receitas de jogo

Os protestos de Hong Kong não vão trazer grandes consequências para as receitas do jogo, de acordo com a JP Morgan. Além dos apostadores terem alternativas para chegar a Macau sem passarem pela região vizinha, analistas explicam que os visitantes que chegam através de Hong Kong têm pouca expressão no volume de apostas

 

O impacto real na procura de jogo deve ser reduzido”, lê-se numa nota divulgada pelo gabinete para a Ásia/Pacífico da JP Morgan em relação à repercussão dos protestos em Hong Kong nas receitas do sector do jogo.

De acordo com a multinacional, os visitantes que chegam a Macau podem optar por vir pela Ponte HKZM, ou evitar Hong Kong através dos aeroportos de Shenzhen ou Zhuhai. Quanto aos que chegam por ferry vindos de Hong Kong, a JP Morgan refere que são visitantes que compram pacotes turísticos, que englobam as duas regiões administrativas, com pouca expressão em termos de receitas dos casinos.

“Estimamos que os protestos em Hong Kong afectem as receitas do jogo cerca de 0,5 por cento, impacto que se deve desvanecer gradualmente à medida que as pessoas encontram alternativas para visitar Macau”, escreveram Jeremy An e Christine Wang, analistas da DS Kim.

As projecções chegaram depois de uma semana em que os protestos na região vizinha afectaram o transporte aéreo com o cancelamento de voos no aeroporto de Hong Kong. Recorde-se que a larga maioria dos apostadores de Macau são de fora e que um número considerável chega via aeroporto de Hong Kong.

Outro dos factores que dificulta a correlação entre os protestos e receitas do jogo prende-se com a dificuldade em relacionar o número de visitantes e quanto é gasto nos casinos. Aliás, pequenos grupos de apostadores de grandes quantias, que representam uma percentagem ínfima do volume de visitantes, são importantes componentes no sector.

Caça ao mito

Um dos propósitos da nota da JP Morgan, emitida na passada sexta-feira, era “desmistificar medos” suscitados pela instabilidade em Hong Kong, “fonte de muitas questões levantadas por investidores recentemente”.

“Cerca de 60 por cento do número total de visitantes chega a Macau através de Zhuhai, enquanto os serviços de ferries transportam de Hong Kong e Shenzhen 17 por cento. Pela Ponte HKZM chegam 15 por cento dos visitantes e no aeroporto de Macau aterram 9 por cento. No que diz respeito a turistas oriundos da China, 75 por cento chega através das fronteiras com Zhuhai”, enquadra a consultora do banco de investimento.

Ainda assim, a JP Morgan procedeu a uma avaliação em Macau, sem conseguir discernir abrandamento na afluência dos casinos, facto que pode ter sido distorcido com a forte sazonalidade das férias de Verão.

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