Hong Kong | The Jesus and Mary Chain a 28 de Maio

Demasiado grandes para categorizações de estilo, os The Jesus and Mary Chain regressam a Hong Kong para um concerto que promete rebentar com tímpanos mais frágeis. Fãs dos irmãos Reid: anotem o dia 28 de Maio nas agendas. O local de peregrinação será o espaço KITEC Music Zone em Kowloon Bay

 

Adeptos de post-punk, noise e shoegaze regozijem! The Jesus and Mary Chain têm concerto marcado em Hong Kong, no próximo dia 28 de Maio, no espaço KITEC Music Zone em Kowloon Bay. A banda de culto escocesa regressa à região vizinha depois da actuação ao vivo em Maio de 2012.

À altura, Jim Reid, vocalista da banda confessou que olhava a hipótese de tocar na China como uma “oportunidade para uma nova experiência”. Em declarações à Agência France-Presse, o homem que canta “Just Like Honey” declarou que “hoje em dia a banda teria muito mais sucesso”, comparando com o início dos anos 80, quando se formaram.

A Internet foi a razão apontada por Jim Reid, uma vez que “apesar das rádios poderem estar mais viradas para a pop, e ainda preferirem passar Lady Gaga, graças à Internet, bandas com guitarras têm um sítio para ser ouvidas”.

Inspirados pela revolução cultural trazida pelo punk dos The Sex Pistols, e por bandas como The Velvet Underground, The Stooges e The Shangri-Las, os irmãos Jim e William Reid decidiram aventurar-se numa carreira musical cheia de altos e baixos. Desde cedo, as simples melodias pop dos The Jesus and Mary Chain viveram marcadas pela desafinação dos instrumentos, o noise e feedback das guitarras e pela voz tranquila de Jim Reid.

Os inícios e os fins

Formados em East Kilbride, na Escócia, em 1983, os irmãos Reid decidiram que para a banda chegar a algum lado teriam de se mudar para Londres, não sem antes Bobbie Gillespie ter sido recrutado para a bateria. Gillespie, em contas de outro rosário rock, viria mais tarde a ser a fundar os Primal Scream.

Em pouco tempo, os The Jesus and Mary Chain ganharam a reputação de arruaceiros de palco, com os concertos a degenerarem, com alguma frequência, em sessões de pugilato embriagado e datas canceladas devido ao receio de motins. A violência parecia vinda de um sítio angustiante, com a banda a debitar acordes distorcidos do seu primeiro disco, o histórico “Psychocandy”, repleto de barulho mas onde se escondiam belas melodias servidas com letras obscuras.

Com um arrebatador disco de estreia na bagagem, a banda escocesa lançou em 1987 “Darklands”, um registo que aperfeiçoaria o som que os notabilizou desde o início numa direcção mais madura. “Happy When it Rains” e “April Skies” tornaram-se e autênticos hinos de rock alternativo.

Com cinco registos na discografia, onde se inclui “Honey’s Dead”, a banda seguiu por uma sucessiva vaga fins e reinícios. Em 2017, regressaram aos discos com “Damage and Joy”, quase 20 anos depois do álbum antecessor.

A influência dos The Jesus and Mary Chain no panorama musical é incalculável, mas a sua personalidade sonora pode-se ouvir em bandas tão importantes como My Bloody Valentine, Dinosaur Jr., Spiritualized, The Horrors e todas as bandas indie que aliam o barulho estridente do feedback a melodias de pop melancólico.

Quem estiver interessado em assistir ao concerto, deve apressar-se a comprar bilhete, que custa 540 dólares de Hong Kong, uma vez que a lotação do KITEC Music zone promete esgotar. Mas há que ter uma coisa em atenção: não esperem muita simpatia de Jim Reid e companheiros, nem esfuziantes mensagens de carinho, porque a postura em palco da banda não é das mais calorosas.

A ver vamos se Jim Reid canta mais de metade do alinhamento virado para o público.

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