Laboratório chinês multado em mais de nove mil milhões de yuan por vacinas ilegais

A empresa farmacêutica chinesa envolvida no escândalo de vacinas com defeito ocorrido no verão terá de pagar uma multa equivalente a mais de mil milhões de euros, anunciaram hoje as autoridades.

Os serviços de Saúde chineses detetaram em Julho um processo de produção ilegal de vacinas contra a raiva num laboratório da província de Jilin, no nordeste da China, e o caso provocou controvérsia junto da opinião pública do país.

A empresa autora do crime, Changchun Changsheng, falsificou registos de produção e modificou parâmetros de fabrico. Quinze pessoas foram detidas.

“O montante total do dinheiro apreendido e das multas infligidas atingirá os 9,1 mil milhões de yuans”, indicaram em comunicado conjunto a Administração Estatal dos Medicamentos e o Departamento de Controlo dos Produtos Alimentares e Farmacêuticos da província de Jilin, onde se situa a sede do laboratório.

Este montante inclui nomeadamente a apreensão de 1,89 mil milhões de yuans de receitas geradas pela venda das vacinas com defeito.

No comunicado, o laboratório é acusado de ter modificado centrifugadoras, de ter misturado mal as soluções-base durante a produção e ainda de ter “destruído discos duros e provas para esconder os seus atos ilegais”.

Um total de 14 dirigentes, entre os quais a presidente do conselho de administração, Gao Junfang, não poderão mais trabalhar na indústria farmacêutica.

A multa anormalmente pesada imposta à Changchun Changsheng surge num contexto de extrema sensibilidade sobre as questões da saúde infantil da opinião pública na China. Devido à política de redução dos nascimentos, a maior parte dos casais só tem um filho.

Logo no início do escândalo, o Presidente chinês, Xi Jinping, juntou-se aos protestos, condenando as práticas “desprezíveis e chocantes” da empresa farmacêutica.

Em Agosto, muitos responsáveis políticos e de organismos de controlo dos medicamentos foram demitidos das respetivas funções, e iniciou-se uma inspecção nacional aos laboratórios de fabrico de vacinas, mas muitos pais dizem que deixaram de ter confiança nas doses produzidas na China.

As autoridades chinesas impõem com alguma frequência multas a empresas culpadas de irregularidades, mas os montantes raramente alcançam o valor agora registado. Em Março, o organismo que fiscaliza os mercados bolsistas infligiu uma sanção de 5,5 mil milhões de yuans a uma firma acusada de manipulação de preços.

Este caso de vacinas ilegais fez muitas mães procurarem serviços de vacinação em Macau e Hong Kong em clínicas privadas, uma vez que, no caso da RAEM, os Serviços de Saúde apenas disponibilizam vacinação gratuita a residentes permanentes.

Em 2008, um enorme escândalo relacionado com leite em pó para bebés contaminado (seis crianças morreram, mais de 300.000 foram contaminadas) causou grande indignação. A empresa Sanlu, então uma das jóias da indústria nacional de laticínios, foi condenada a pagar uma multa de 50 milhões de yuans.

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