Mensagem (Botschaft)

Eu tinha pensado de mim para mim que dias mais lindos
Só aqueles poderiam ser chamados, quando nós, ao falar,
Transformávamos a paisagem diante dos olhos num domínio
Da nossa alma: quando nós, colina acima,
Subíamos para o bosque na direcção da sombra,
Aí, onde tudo nos envolvia como algo de já vivido,
Pois, aí, nos prados distantes, nós encontrávamos, em sossego,
o sonho das vidas passadas de criaturas jamais supostas.
Encontrávamos aí vestígios do seu terem por lá andado e do seu beber
E sobre o lago: uma conversa a deslizar
Reflectia abóbadas mais fundas do que o céu.
Eu tinha, então, pensado naqueles dias,
E que a seguir a estas três coisas: ter saúde,
Fruir do próprio corpo e da vida,
E de pensamentos, asas de jovens águias,
Apenas uma coisa conta:
Estar na companhia de amigos.
Assim, eu quero que tu venhas e comigo bebas
Daquelas taças que são a minha herança,
Adornado com folhagem e crianças aladas,
E que comigo te sentes no muro do Jardim.
Dois jovens estão de guarda no seu portão.
Nas suas cabeças, com um olhar absorto e
Meio desviado, há um destino monstruoso
Que te olha para te empedernir: quero que te cales
E olhes para a paisagem
Que tu vês estender-se à tua frente;
Pois, talvez, então, um verso teu me aconchegue
Na solidão futura e que, de quando em quando,
Uma lembrança tua se aninhe na sombra
E que, ao cair da noite, a estrada entre as copas escuras role,
E que caminhos sem sombra rolem e rolem para aí
Como relâmpagos do ouro mais fino.

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