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É sempre assim. Raras as vezes tenho o privilégio de ver um jogo de futebol em que joga uma das minhas equipas (Benfica e selecção) com tranquilidade. Todas as partidas se revestem de uma carga dramática que suplanta a normal intensidade que o desporto deveria ter. Sofro sempre até ao fim ao torcer por equipas que têm o inevitável fado de atravessar a via dolorosa da incerteza.

O jogo de ontem foi mais um desses exemplos. Com um golo madrugador, tínhamos tudo para fechar o jogo com contra-ataques venenosos. Mas não. Fechamo-nos e voltámos a abraçar o sofrimento, com fé na virgem e em todos os santinhos, que não o Fernando, e negámos batimentos cardíacos dentro do que é clinicamente aceitável. Não me levem a mal, não cuspo no prato onde comi e ainda hoje me emociono a pensar na final do Europeu, mas o nosso seleccionador é tudo menos audacioso, apesar da inegável estrelinha. Mas é isto.

Somos o Rocky Balboa que, depois de ser afiambrado sem misericórdia pelo monstro Ivan Drago, vai buscar forças, sabe-se lá onde, para num golpe milagroso e romântico que derruba a montanha de músculos russa. Apesar de termos o melhor jogador do mundo, apequenamo-nos para num ápice caprichoso nos agigantarmos. É um fenómeno curioso, uma erecção emocional, um golpe de teatro que provoca taquicardias. Não conseguimos ganhar serenamente, como a Alemanha, esse não é o nosso estilo. Vivemos com o credo na boca, a garganta seca que pede cerveja e uma vontade indizível de repetir o grito depois do golo do Éder.

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