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Tudo começou com Kenny Leong e os seus vídeos críticos da actualidade local, mas depressa o projecto “Shoot and Chop” ganhou nova vida com mais colaboradores como Benjamim Soares e Josh the Intern. Joana Maryia, nascida em Macau, com pai português e mãe americana, juntou-se ao grupo e é a mais recente criadora de vídeos do projecto, cabendo-lhe a missão de mostrar os segredos do território que a maioria desconhece. Além de fazer a apresentação, Joana também faz trabalho de pesquisa sobre as coisas novas que o território tem para oferecer.

Joana Maryia tem sido o rosto da série de vídeos “Macau Top 5”, que revela particularidades fora dos roteiros turísticos, como os melhores lugares para beber chá ou os melhores espaços de restauração para tirar selfies. Já na universidade a jovem revelava um gosto pela carreira na área do entretenimento.

“Era uma estudante de media na área da produção de vídeos e cinema e sempre quis fazer algo na parte ligada ao entretenimento. Penso que em Macau continuam a existir meios de comunicação social mais tradicionais e não queria fazer esse trabalho. Então conheci o Kenny e o projecto ‘Shoot and Chop’, que faz vídeos engraçados sobre a realidade de Macau”, conta.

Joana fez um estágio e depois acabou por ficar. Hoje dá a cara por um projecto onde fala um mandarim quase perfeito, graças à frequência de uma escola em Zhuhai. Em criança, Joana também aprendeu cantonês, ao frequentar uma escola chinesa em Macau, e português. Contudo, afirma expressar-se melhor em inglês.

Fazer parte desta iniciativa fez Joana pensar na sua terra natal com uma outra perspectiva. “Ajudou-me a apreciar mais a cidade. Antes fazia a minha vida nos mesmos lugares, ia sempre aos mesmos sítios, com as mesmas pessoas. Com estes episódios comecei a conhecer mais cafés e restaurantes e isso fez-me apreciar mais todas as diferenças que existem. Há muitas coisas interessantes aqui.”

Novos rostos, mais visões

Quem conhece o projecto “Shoot and Chop” desde o seu início recorda-se dos primórdios de Kenny em redes sociais como o YouTube, onde fazia vídeos de crítica ao Governo na série “I’m pissed off, man”. O “Shoot and Chop” nasce daí, mas hoje consegue ter diversas presenças online.

“Penso que à medida que o projecto ‘Shoot and Chop’ vai tendo mais colaborações vão existindo diferentes tópicos e direcções, mas o que queremos é fazer de Macau um lugar melhor. Então falamos sobre os problemas que permanecem por resolver por parte do Governo, mantemos esse segmento, mas ao mesmo tempo queremos que as pessoas apreciem as boas coisas de Macau.”

Joana pretende continuar a fazer este trabalho nos próximos tempos, por adorar aquilo que faz. Já vai sendo reconhecida na rua, mas não se considera uma figura pública.

“Não é que eu seja muito reconhecida na rua, mas começam a aparecer mais pessoas que me reconhecem dos vídeos e me dizem ‘és a Joana dos vídeos’. É bom e penso que há mais apoio ao meu trabalho, penso que as pessoas gostam cada vez mais do que fazemos. No que diz respeito a ser, ou não, uma figura pública, acho que isso ainda não tem grande dimensão.”

Joana estudou na área dos media, mas nunca teve vontade de ser jornalista num meio de comunicação social tradicional. Além disso, afirma “adorar” dançar, participando, inclusive num grupo com o qual tenta organizar vários eventos no território.

Para alguém que nasceu em Macau, Joana considera que a mentalidade das pessoas não mudou assim tanto, em comparação com o desenvolvimento económico.

“A um certo nível sim, a mentalidade da sociedade mudou e ficou mais aberta, mas penso que os locais ainda têm uma mentalidade tradicional. Nós também tentamos trazer uma mudança, falar de diferenças culturais.”

A criadora de vídeos defende que Macau tem hoje mais pessoas diferentes e uma mescla de culturas. “Antes Macau era um lugar muito pequeno mas agora há uma identidade mais diversa”, remata.

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