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O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico reuniu-se com a sua homóloga e líder do Governo birmanês, Suu Kyi, após visitar campos no Bangladesh onde se refugiam os 690.000 refugiados rohingya fugidos à violência na Birmânia.

A reunião entre Boris Johnson e Aung San Suu Kyi, que ganhou em 1991 o Prémio Nobel da Paz, aconteceu no salão principal do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Birmânia, segundo a foto publicada no perfil oficial do ministério birmanês na rede social Facebook.

A conversa foi mantida à porta fechada, mas o canal de televisão Channel News Asia noticiou que se centrou nos planos de repatriação da comunidade rohingya, que está refugiada no Bangladesh devido às operações lançadas por militares birmaneses no final de agosto passado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, esteve no sábado no Bangladesh a ouvir em primeira mão as denúncias de perseguição sofridas por membros da etnia rohingya, que desde há séculos vivem no este da Birmânia e que fugiram para o país vizinho devido à violência das forças armadas.

O político qualificou a situação como das “maiores catástrofes humanitárias” das últimas décadas e assegurou que o seu objetivo é conseguir um regresso “seguro e digno” para os rohingya.

As organizações de direitos humanos têm documentado todos os tipos de abusos pelo exército birmanês contra os rohingya, incluindo assassínios e violações, durante a campanha militar frequentemente descrita como uma “limpeza étnica”.

O exército birmanês tem negado os abusos relatados, embora em janeiro tenha reconhecido um caso de execuções extrajudiciais de rohingya que foram enterrados numa vala comum no estado de Rakine.

O Bangladesh e a Birmânia assinaram um acordo em novembro para começar a repatriar os refugiados no final de janeiro, mas o Bangladesh suspendeu à última hora.

A Birmânia não reconhece a cidadania dos rohingya, que considera imigrantes bengalis e durante anos sofreram vários tipos de discriminação, incluindo restrições à liberdade de circulação.

A sua situação piorou em 2012 após vários surtos de violência sectária entre essa minoria muçulmana e a maioria budista, que deixou cerca de 120 mil rohingya confinados em campos no estado de Rakine, no Bangladesh.

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