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A 17ª edição do Festival Fringe, que decorre entre 12 e 21 de Janeiro, tem dois objectivos que ultrapassam a apreciação artística: O desvendar dos segredos escondidos de Macau e o aprofundamento da forma como as pessoas se relacionam umas com as outras.

Além dos 23 espectáculos que enchem o cartaz do Festival Fringe deste ano, o Instituto Cultural (IC), que organiza o evento, tem programado uma dezena de workshops, palestras, sessões de crítica de arte, entre outros eventos que pretendem envolver a cidade durante os dez dias do festival.

Um dos intentos da organização é proporcionar a participação activa do público. Nesse capítulo, não há como fugir ao “Leilão de Histórias de Amor”, um espectáculo que se realiza no Mico Café, no dia 14 de Janeiro às 17h e às 21, e nos dias 15 e 17 de Janeiro às 19h30. Neste espectáculo tudo é possível e nada é posto de lado, assim sendo, serão leiloados artigos carregados de romantismo tais como amuletos tailandeses, brinquedos para adultos e essências amorosas.

O espectáculo traça uma viagem entre Taipé e Macau, à procura de recordações de namoros extintos mas que se mantém vivos em objectos como cartões feitos à mão ou cantigas de amor.

O leilão será preenchido também pelas histórias submetidas pelos participantes em palavras, vídeos ou movimentos corporais.

Outra das actividades do cartaz do Fringe é o Teatro para Bebés – Workshop de Produção Criativa, ministrado pelo grupo australiano Polyglot Theatre e o Big Mouse Kids Drama Group, que terá lugar no Anim’Arte NAM VAN, a 20 e 21 de Janeiro, das 10h às 13 e das 14h30 às 18h30. O objectivo é envolver a família no Fringe 2018, com um evento em que bebés e crianças em idade pré-escolar exploram e interagem com experiências sensoriais que estimulam a imaginação. Os membros do Polyglot Theater vão ensinar técnicas de actuação, como expressão facial e corporal, assim como formas de relação entre público e artistas.

Caçar tesouros

Um dos destaques do cartaz do Fringe recria um habitual fragmento de quotidiano de quem vive em Macau e que na maioria das vezes não é encarado como algo positivo ou artístico. A Dream Theater Association apresenta uma peça itinerante intitulada “O Meu Pai é Motorista de Autocarro”, que tem como ponto de partida a Rua de Lei Pou às 14h30 dos dias 13 e 14 de Janeiro, sábado e domingo.

O fio condutor que orienta a peça é o ambiente que se vive no cenário de transição onde todos actuam diariamente. O espaço limitado, os estridentes anúncios das próximas paragens, o linguajar variado à nossa volta, a publicidade que nos entra pelos olhos adentro e os solavancos que tornam a viagem numa acrobacia colectiva são cenário da peça. O protagonista é um motorista aposentado e os seus velhos colegas de profissão que testemunharam durante décadas dramas pessoais e mudanças históricas na cidade.

O areal negro da praia da Hac Sa será palco para uma peça encenada pelo Rolling Puppet Alternative Theatre e Teatro Langasan, de Taiwan, na próxima sexta-feira às 20h, e no sábado e domingo às 15h30. A peça chama-se “Niyaro: Anseio pela Pátria”, e conta a versão poética da história dos Amis, um grupo nativo de Taiwan, através de cantos, danças e cerimónias rituais que representam mitos tribais e o anseio pela terra natal.

A peça é um grito de identidade de uma alma antiga que vive cercada por arranha-céus e que procura encontrar um pedaço de terra onde assentar as raízes culturais tradicionais do grupo indígena a que pertence.

O Teatro Langasan, originário do vale de East Rift em Taiwan, cria uma fusão entre a cultura aborígene, o teatro moderno e a arte de representação em torno do conceito “o palco é um local de rito”. A actuação única que será apresentada na praia de Hac Sa foi aclamada no Festival Fringe de Edimburgo e no Festival OFF d’Avignon.

Sono e sonho

Ao contrário do que é normal, a companhia Co-coism, também de Taiwan, convidar os espectadores ao sono. A intervenção artística que dá pelo nome de “Pode Dormir Aqui” tem data e hora marcada para sexta-feira e sábado, às 21h30, em lugar incerto. O objectivo é tornar indistinguível o espaço público do espaço privado e transformar Macau numa imensa cama. A companhia que já havia participado no Fringe do ano passado, junta-se ao produtor local Ieong Pan e convida o público a “viver em lugares abandonados”. O espectáculo de difícil definição convida a um cochilo ou a uma conversa em ambiente recatado em plena via pública. A organização pede a quem esteja interessado que se prepare para dormir fora de casa. Veremos se São Pedro colabora.

O espaço Anim’Arte NAM VAN apresenta no próximo sábado e domingo, entre as 11h e as 19h, uma exposição de pintura que sai das telas e ganha pulso, nomeadamente no museu vivo, com hora marcada entre as 14h30 e as 16h30. A iniciativa intitula-se “Laboratório Miró”, da autoria da Macau Artfusion, e convida o público a perder-se na arte de Joan Miró.

O evento tem várias facetas. Workshops de expressões criativas, movimento, desenho, caracterização, pintura corporal, sessões fotográficas e museu vivo, apresentando a obra do pintor surrealista espanhol em telas de pele.

Estas são alguns dos exemplos de intervenções artísticas de difícil definição que preenchem o cartaz de um festival onde a indefinição é um conceito fundamental.

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