Estudo | Só 13 por cento dos residentes criam negócios próprios

Um estudo sobre a criação de negócios locais em Macau revela que os residentes a investir neste sector são apenas 13 por cento, número mais baixo face às regiões vizinhas. Pouca mão-de-obra e custos elevados são os maiores entraves

O território que quer destacar-se no contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota” ou no projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau ainda revela baixos níveis de investimento em termos de Pequenas e Médias Empresas (PME).

Segundo o jornal Ou Mun, um estudo sobre a criação de negócios locais mostra que os residentes que investem na sua própria empresa são apenas 13,1 por cento. Trata-se de um número mais baixo em relação aos das regiões vizinhas.

O estudo foi elaborado pela Plataforma dos Serviços para PME, em parceria com a eRS e-Research Lab e a Universidade de Macau, e visou compreender, através de entrevistas via telefone, o panorama da criação de negócios no território e a atitude dos residentes perante o sector.

Os resultados revelam, portanto, que em cada cem pessoas 13 têm um negócio próprio, valores semelhantes aos registados na Coreia do Sul, mas ainda assim inferiores a Taiwan, Hong Kong e Shenzen. Estes têm, respectivamente, valores de criação de negócios na ordem dos 15,6 por cento, 15,3 por cento e 23,4 por cento.

A recolha mostra ainda que, em Macau, os pequenos comerciantes têm poucos meios para abrir uma empresa, associados às dificuldades de contratação de mão-de-obra e elevados custos, nomeadamente com rendas.

Mais fundos, precisam-se

Ma Chi Seng, deputado nomeado e fundador da Plataforma dos Serviços para PME, considerou ao jornal Ou Mun que, apesar das dificuldades referidas no estudo, os apoios financeiros do Governo têm sido bastante significativos. O responsável garantiu ainda que a atmosfera de negócios melhorou nos últimos anos.

As razões encontradas por Ma Chi Seng para o facto de apenas 13,1 por cento dos residentes investirem em PME estão relacionadas com a melhor performance da economia e o facto do território viver uma situação de pleno emprego.

Para Ma Chi Seng, há vários exemplos de países com economias bem sucedidas que revelam baixos valores de criação de PME. O deputado lembra que esse número só mostra as restrições que continuam a existir para quem quer ser empresário.

Apesar dos baixos valores de investimento, os entrevistados revelaram maiores conhecimentos técnicos e experiência do que no interior da China, Hong Kong e Taiwan.

Ma Chi Seng defende ainda um desenvolvimento ao nível dos apoios providenciados pelo sector bancário e pelo Governo, incluindo a criação de fundos de investimento próprios para as políticas “Uma Faixa, Uma Rota” e a Grande Baía.

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