Táxis | Tarifas abusivas durante a passagem dos tufões

Tarifas acima dos preços tabelados, recusas de transporte e licenças escondidas foram algumas das infracções que se repetiram, mais do que o habitual, durante os últimos dias. Associações lamentam o sucedido e há quem sugira uma taxa adicional nestas ocasiões para que os condutores não abusem

Em situações de mau tempo, as tarifas cobradas pelos taxistas tendem a aumentar de forma ilegal. Durante a passagem do tufão Pakhar no território, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) detectou 58 casos de infracções de taxistas, 47 das quais estão ligadas à cobrança abusiva de tarifa e as restantes relacionadas com a recusa de transporte de passageiros, e a falta de apresentação de licença. Os preços cobrados chegaram mesmo às mil patacas.

De acordo com algumas queixas dadas a conhecer pelo jornal Ou Mun, houve um taxista que cobrou esse valor por uma viagem da península de Macau até à Taipa. Apesar da revolta, a solução foi pagar dada a falta de opções de transporte no território. No entanto, as críticas não deixaram de se fazer sentir. De acordo com algumas das queixas, há pessoas que lamentam não ver implementado um regulamento que defina as taxas a cobrar, nem uma inspecção que impeça este tipo de ocorrências. A situação, afirmam alguns turistas, prejudica a imagem do território.

Ao Jornal do Cidadão, Leng Sai Hou, presidente da Associação Geral dos Proprietários de Táxis de Macau, também fez referência às taxas abusivas que foram cobradas pelos taxistas durante o caos provocado pelos tufões.

O presidente recordou que, no passado, as autoridades raramente cumpriam com os seus deveres em situação de tufão.

Multas mínimas

O responsável avança ainda que, apesar de o Governo ter aumentado a fiscalização durante a passagem do Hato de modo a evitar a cobrança abusiva e a recusa de passageiros, a penalização em 1000 patacas aos taxistas que abusam, é inútil. “É uma multa incapaz de resultar com um grau eficaz, no impedimento da ocorrência de infracções”, disse Leng Sai Hou.

De modo a que seja conseguido um resultado eficaz, o responsável sugere que sejam aumentadas as sanções. “A multa deve ter um valor maior a cada infracção detectada, sendo que à terceira vez que um condutor seja apanhado em incumprimento, incorra em responsabilidade penal”, apontou.

Por outro lado, a Associação Poder do Povo inteirou-se da situação de cobrança abusiva da tarifa de táxis durante os tufões e apresentou ontem uma carta à DSAT. O objectivo, apontou o vice-presidente da associação, Cheong Weng Fat, foi dar sugestões para evitar a repetição deste tipo de situações. “É lamentável a fraca eficácia da DSAT e da Polícia de Segurança Pública”, afirmou.

Cheong Weng Fat considera também que a imagem do território fica seriamente prejudicada e que as sanções não são suficientes. “A multa é leve demais e por isso não é capaz de ter nenhum efeito dissuasor”, sublinhou.

O responsável acha que as multas devem ser aumentadas, no entanto, considera ainda aceitável que as tarifas sejam ligeiramente mais caras nestas situações. A razão, apontou Cheong Weng Fat, tem que ver com os riscos que os condutores também enfrentam com as más condições atmosféricas. A taxa adicional pode ser, de acordo com o responsável, “uma forma de compensar os taxistas e de os consciencializar para o cumprimento da lei”.

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Pedro Costa
Pedro Costa
29 Ago 2017 12:58

Este tipo de atuação, em situações de emergência social, devia ter uma única sanção: perda definitiva da licença. Mas quem estiver à espera de que (também) este problema seja resolvido, é melhor sentar-se, que a espera será longa…