Pequim |  Investigação de Trump é ataque ao sistema de comércio mundial

O Ministério do Comércio chinês criticou ontem a decisão dos Estados Unidos de lançar uma investigação sobre as práticas da China na área da “propriedade intelectual”, que considerou um ataque ao sistema de comércio mundial.

Várias associações comerciais enalteceram a ordem do Presidente norte-americano, Donald Trump, para averiguar se Pequim exige indevidamente que as empresas estrangeiras transfiram tecnologia, em troca de acesso ao mercado chinês.

O representante do Comércio Externo dos EUA anunciou esta semana formalmente a investigação.

A acção emprega inapropriadamente a lei norte-americana e significa a “destruição do sistema de comércio internacional existente”, disse Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

“Estamos profundamente insatisfeitos com esta prática unilateral e proteccionista e tomaremos todas as medidas necessárias para defender firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”, disse.

Regras do jogo

Pequim exige que fabricantes de automóveis e empresas estrangeiras na China estabeleçam parcerias com firmas locais, normalmente grupos estatais.

As entidades estrangeiras têm frequentemente que partilhar tecnologia com parceiros que talvez se venham a tornar concorrentes.

Mais de 20% das 100 empresas norte-americanas que responderam a um inquérito do Conselho Comercial Estados Unidos-China, uma associação industrial, afirmaram ter sido pedida a transferência de tecnologia, nos últimos três anos, em troca de acesso ao mercado da segunda maior economia mundial.

Em Abril, Trump disse que iria pôr de lado disputas sobre o acesso ao mercado e política cambial, enquanto Washington e Pequim trabalharem juntos para persuadir a Coreia do Norte a desistir do programa nuclear.

Nas últimas semanas, a administração norte-americana voltou a adoptar uma posição mais dura em relação às questões comerciais.

Em 2016, Pequim registou um excedente de 347 mil milhões de dólares no comércio com Washington. Trump culpa frequentemente a China pelo défice comercial norte-americano, apontando práticas de concorrência desleal de Pequim.

Há várias décadas que as empresas estrangeiras acusam empresas chinesas de pirataria e roubo de tecnologia.

Pequim está a lançar um plano designado “Made in China 2025”, para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.

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