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Ao lado da Igreja de São Francisco Xavier há um sítio que multiplica possibilidades. Roomage 30 congrega as funções de uma loja, café, galeria de arte, espaço para workshops, concertos, feiras improvisadas. Basicamente é um sítio onde coolness e criatividade florescem

 

O número em Roomage 30 representa a percentagem dos lucros que o espaço doa para caridade, ou seja, 30 por cento. Este é um dos cartões-de-visita de um daqueles locais que nasce espontaneamente da criatividade de uma juventude inquieta. Tudo começou há dois anos quando um grupo de amigos iniciou o projecto com a cooperação da Caritas, que cedeu o espaço.

“Trabalhámos juntos para criar um espaço novo, com novos elementos, com capacidade para organizar exposições e vender produtos locais com bom design”, explica Carr Chen, uma das pessoas que gere a Roomage 30. Além das valências elencadas, o local também se destina a receber exposições de fotografia, workshops com os mais variadíssimos conceitos, feiras da ladra.

Outra dos aspectos primordiais do sítio é ser um porto de abrigo para quem se interessa por arte urbana. “Roomage 30 é um espaço também para os criadores de street art e para diferentes tipos de manifestações artísticas”, explica Carr Chen. Uma das pessoas no cerne do espaço é Pat Lam, mais conhecido por Pibg Gantz, o nome com que assina grafittis. Como não podia deixar de ser, a presença do graffiter torna o espaço numa paragem obrigatória para os aficionados das expressões artísticas urbanas.

“O mais importante para a street art é ter um ambiente, um local onde possa ser criada”, comenta a gestora. Carr Chen acrescenta ainda que em Macau existem poucos sítios onde este tipo de arte pode ser posto em prática. “Estamos dedicados a lutar por mais paredes e espaços para criar street art”, explica.

Número 30

O local tem uma dinâmica muito imprevisível e fluida. Tanto pode organizar um concerto, como ceder o espaço a uma marca. É o que acontece actualmente. De momento, a Roomage 30 acolhe uma pop-up store, um conceito comercial baseado no improviso e no comércio inesperado. O local está entregue a uma marca de roupa local chamada Mr. Stockman. Este é outro dos objectivos do espaço, oferecer uma casa a designers, criadores e marcas locais. “Esperamos no futuro poder partilhar instalações com um bom designer local e dar a conhecer o seu trabalho ao nosso público”, projecta Carr Chen.

Uma ideia que começou pequena, com uma clientela basicamente local, começa a chegar a um universo mais alargado. A pequena exposição que a Roomage 30 teve em meios de comunicação de Hong Kong e da China Continental deu-lhe visibilidade que tem atraído alguns turistas.

A Roomage 30 tem no nome um compromisso. Dos lucros apurados, 30 por cento reverte para instituições de caridade apoiadas pela Caritas de Macau.

“Sentimo-nos muito agradecidos por estarmos envolvidos neste aspecto de caridade”, explica a gestora do espaço. Carr Chen tem noção de que o montante das contribuições que reverte a favor da Caritas pode não ser avultado; ainda assim, é algo que merece o esforço e a dedicação total da equipa da Roomage 30.

Não admira que quem lá trabalhe se sinta realizado, apesar da azáfama que o espaço implica. Nesse aspecto, os fins-de-semana representam os picos de actividade da Roomage 30, principalmente quando é organizado algum evento especial, como uma feira improvisada ou uma exposição. “Durante os dias de semana, o espaço é bastante acolhedor e tranquilo”, revela Carr Chen.

O aspecto filantrópico, a consciência social e a vitalidade criativa são aspectos nucleares no conceito do espaço. Revestida de um grande componente social, cultural e solidária, a Roomage 30 é um ponto de encontro de várias valências de uma instituição que promete ser uma pequena referência na cultura local. É uma casa para uma geração que vive da criatividade que se esconde nas margens da cultura, ao mesmo tempo que fomenta um forte sentimento de comunidade.

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