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1) Junho é o mês de Portugal na RAEM – bestial. Faz todo o sentido também; é o mês dos Santos Populares, das marchas, das sardinhadas, da farra, tudo coisas que fazem bem à alma. Há dias comemorámos aqui em Macau o 10 de Junho, e se onde há um português faz-se sempre a festa, nesta antigo território ultramarino não faltam alternativas para se exercer a lusitanidade, mesmo que à distância. Mas comezaina e beberrice à parte, fico um pouco apreensivo quanto ao nosso futuro papel neste território agora chinês. Todos os anos se repetem as declarações de boas intenções. O cônsul-geral cumprimenta o Chefe do Executivo, e agradece a disponibilidade, este retribui destacando a contribuição da nossa comunidade (verdade, verdadinha, diga-se de passagem), tudo isto entre juras de amor eterno que se renovam ano após ano. Depois há a vertente comercial da coisa, e repetem-se as palavras que ficam bem quando se trata de negócios; ora é a plataforma, a faixa, arrota, perdão, a rota. Ora se atira com um “entreposto de produtos portugueses” em Zhuhai, ora se muda de discurso e se aponta a Shenzhen. E na prática, o que quer isto dizer? O que é que tem sido feito, realmente, além das visitas, dos apertos de “bacalhau”, e depois lá vai cada um à sua vida? Contexto histórico à parte, a verdade é que o futuro de cada residente de Macau está nas suas mãos, independente de ter nascido em Macau, Portugal, França ou outro sítio qualquer, e tudo depende da prosperidade do território, e já agora da estabilidade política na própria China. E é isto que temos que colocar no topo da lista de prioridades. E por falar nisso…

2) Vamos ter eleições legislativas em Setembro próximo, e a coisa começou já a “aquecer”. Sem me referir a nomes (sabem de quem estou a falar), tivemos esta semana polémicas declarações de um deputado, que acusou o Gabinete de Ligação de favorecer outro candidato. Repito, o Grupo de Ligação. Isto para quem não acredita em bruxas, mas considera que as há, há (não, não me estou a rir) pode ter algum cabimento, mas eu duvido. Perdoem-me por não ter o dom da fé, mas quer-me parecer que o tal candidato deu um tiro no pé – no outro, que está bom, se é que entendem onde quero chegar. Onde se pode chegar levantando uma suspeita destas? E mesmo sendo legítima, quanto votos valem o tal convite para o jantar, o discurso que foi ali feito, e tudo mais? Mas a campanha eleitoral promete, pois além dos habituais pássaros que normalmente ocupam o poleiro da Praia Grande, temos este ano uma lista composta pelos “lesados do Pearl Horizon”. O nome não lhes podia ficar melhor. São aqueles tipos que pensaram que compraram uma “pérola”, mas foram a ver e à frente só tinham o horizonte. Em Setembro há mais.

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