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Não podia deixar passar o divórcio mais badalado dos últimos tempos sem um mísero comentário. Não me importo muito com a Angelina ou com o Brad, mas gostava de opinar sobre o divórcio – o divórcio das estrelas (já que toda a gente o faz). Há a ideia subjacente de que os ricos (famosos) e os pobres têm potenciais de longevidade relacional diferente. Os ricos atraentes vivem o amor de contos de fadas, enquanto que todos os outros feiosos vivem o romances menos românticos que terminarão em divórcio.
Eu sou pró-divórcio porque sou anti-casamentos. Não acredito na santidade do matrimónio, não percebo na utilidade da união e nunca me apanharão vestida de branco a caminhar para um altar com flores. Julgo-me uma desesperada romântica atípica porque só consigo apreciar um casamento se for uma simples convidada e nunca o ‘alvo’ do casório. Mas se há o direito de atar o nó, há o direito de o desfazer (hurrah!). O casamento acaba ao meterem os papéis num advogado, um outro rito de passagem para a mudança nas nossas vidas. Digamos que se trata de uma outra celebração mais dolorosa, a separação que doi a todas as partes e a famílias inteiras, mas que é verdadeiramente necessária pela saúde mental (e por vezes física).
Ora não querer citar a lógica da batata nem invocar o Capitão do Óbvio, parece-me um desejo inútil da minha parte. A Angelina e o Brad, como tantos outros casais giros, ricos e famosos, casaram-se e depois divorciaram-se. O que não percebo, realmente, é como é que o discurso é todo algo como ‘o casal maravilha não funcionou! A crença no amor morreu’. De facto, que desgraça. Pior ainda será pensar que o casal, que inspirou a história do filme Eat, Pray, Love, divorciou-se recentemente também. Já não há provas de amor eterno, se aqueles que nós conhecemos ‘bem’ através da televisão e do cinema terminam relacionamentos. O amor, afinal, não é para sempre? 27916p19t1
Não é, ou por outra, pode não ser. O amor é de uma complexidade tremenda e por isso não há receitas bem-definidas para a sua eternidade. Nem para os giros e famosos como a Angelina e o Brad (e lembram-se do Brad e da Jennifer?). O que há são terapeutas de casal que tentam desenvolver estratégias para perceber se o divórcio é a única solução possível para a resolução dos problemas sentidos.
O amor pode não ser para sempre mas ele existe – e é isso que temos que entender bem. O amor existe e às vezes resulta a curto, médio ou a longo prazo, depende de uma panóplia de factores. Os contos de fadas que pregam um ‘feliz para sempre’ naturalmente fácil de conseguir, são pura fantasia. A vida real tem coisas mágicas e tem coisas como o divórcio, que não é (que não deve ser) o fim do mundo. O divórcio é um dos muitos tratamentos necessários para a felicidade também. Mas eu percebo que é muitas vezes difícil de ver como tal. Eu, que nunca passei por um casamento nem por um divórcio, tenho muito pouca autoridade para falar sobre estas coisas. Só tive a oportunidade de vê-las em várias fases da minha vida, como espectadora.
A responsabilidade de proceder com um o processo de divórcio de uma forma humana e funcional é tremenda, especialmente quando há filhos envolvidos (e a Angelina e o Brad têm imensos!). Porque o divórcio traz muita negatividade em nós, muitas confusões e muitos medos. A preocupação será de não inundar as crianças com a sensação de desgraça disfuncional porque não é. O divórcio existe porque é funcional. Um mundo de possibilidades pode nascer à nossa frente. Novas pessoas, novos momentos e, até, novas famílias. Isto para dizer que se pensam que a família que não é composta pelo pai e pela mãe é uma família ‘disfuncional’, desenganem-se. Não há tríades obrigatórias – muito menos para famílias.
Talvez se nos deixássemos de viver na fantasia que as revistas cor de rosa incutem sobre o amor e o casamento, conseguiríamos perceber que o casamento não é um fim em si mesmo mas um processo de altos e baixos. Até para Angelina e para o Brad.
O divórcio é o fim e o renascer.

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