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Ogoverno chinês proibiu o acto de ‘eroticamente’ comer bananas em videos de live-stream. Como se definirá o erotismo, ou ausência dele, quando se come banana para o mundo online, ficará ao critério dos oficiais chineses. A especificidade legal vai à banana e não ao pepino, batata doce ou courgette, onde o desespero sexual talvez fosse mais óbvio. Comer bananas até soa mais inocente se compararmos com a simulação de falacio num pepino. Mas para além da regulamentação nas frutas que se podem comer, há restrições indumentárias. Não se podem usar mini-saias, decotes, ligas nem nada que possa revelar pele a mais. Tudo para manter uma conduta social (online) exemplar, para não destruir a ciber-ecologia chinesa que já é censurada ao tutano, e que agora o será ainda mais. Pessoal será necessário para controlar o conteúdo dos vídeos que são publicados pelas milhares de jovens chinesas que são seguidas por outros milhares de homens chineses.
Esta tendência de acompanhar a vida online de jovens pelo seu dia-a-dia é justificada pela antiga política do filho único, que deixou jovens chineses na solidão por não encontrar companhia mais ‘real’. A indústria dos vídeos live-stream tem agradado as carteiras dos seus criadores e a das ‘entertainers’ (que já não podem comer bananas) que trabalham para eles. A procura por uma companhia, real ou virtual, é tanta, que a satisfação de acompanhar alguém a caminhar na rua, ou a beber um café através de um ecrã, é facilmente atingida. Os usuários deste tipo de serviço têm o hábito de gastar entre 500 a 800 yuan por semana a presentear as raparigas que os entretêm. Ramos de flores, bebidas e outras coisas, todas virtuais. As raparigas, que vêm a possibilidade de ganhar uns trocos fáceis ao exibirem-se numa webcam, ou a jogar uns jogos com os seus seguidores, têm agora que seguir as orientações do partido vermelho para promover a melhor comportamento.
O facto de que a maioria das raparigas são menores de 18 anos e que expõem as suas vidas para todo o mundo (masculino e chinês) ver, parece que faz menos confusão ao pessoal que dita as regras. A dependência virtual para satisfazer necessidades pessoais e sociais faz menos impressão ainda. Porque as redes sociais são o futuro e a China está sem dúvida na vanguarda de todo o desenvolvimento tecnológico e social de como nos relacionamos com o mundo e com os outros. Com ou sem bananas.
No entanto, fica no ar como é que as necessidades de afecto e de sexo poderão ser colmatadas quando ainda são vistas como falta de decoro. Posso não ser 100% a favor de se comerem bananas, mas também não sei se a restrição ao fruto trará educação. Educação gera educação, e a punição? Acaba-se por implicar com o sexo da forma mais bizarra, como se as bananas e as ligas fossem o perigo a ultrapassar por uma expressão saudável. Está-se a reprimir o quê, exactamente? Se o sexo é uma indústria multi-milionária e já se sabe disso, discursos sobre bananas soam a tentativas de mostrar que se está a fazer alguma coisa, mas só de fachada, para agradar os mais indignados. Mas pode só ser impressão minha. Como a imaginação alimenta a humanidade, certamente que outros objectos fálicos serão usados para substituir o tão temido fruto rico em potássio. E assim entre frutas, lingerie e censuras faz-se uma sexualidade, que se espera criativa, e muito virtual. A China que se prepare, porque o sexo está por aí e muitas mais restrições serão necessárias para limitar a sua naturalidade.
O que foi feito: um activista manifestou-se à porta da Embaixada Chinesa no Reino Unido a comer uma banana, da forma mais sedutora possível, para reforçar a inocência da mesma. Certamente que foi uma manifestação vã, mas no mínimo caricata. Nunca uma banana será comida como dantes.

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