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Falta menos de uma semana para que se assinale mais um aniversário do nosso “own private putsch”: o 25 de Abril, vulgo Revolução dos Cravos, que se assinala a…isso mesmo, acertaram – a 25 de Abril! (A propósito, ainda é feriado?). A tal Revolução, muito à maneira lusitana do “se me vou a ti fico todo partido”, foi feita sem derramamento de sangue, julgamentos sumários, fuzilamentos, guilhotinas e o diabo a sete, e ainda bem! Que selvagens, estes gajos que resolvem “limpar o sebo” a quem antes curvavam a espinha até quase bater com o nariz no chão. E pensando bem, que oportunistas, também. O que reza a História é que os tais capitães do mês corrente chegaram junto do manda-chuva de então, que curiosamente ostentava o mesmo nome próprio que o actual (facto preocupante, será?), e a conversa terá ocorrido mais ou menos nestes termos:
– “Sr. Presidente do Conselho, vimos em nome do Movimentezasforssasarmadas…”
– “Já sei, já sei, poupa-me essa conversa de comuna da treta, querem que eu dê de frosques, é isso?”
– “Se não for pedir muito…”
– “Tem mesmo de ser?”
– “Bem, estão ali fora uns tipos com calças de boca-de-sino e com uma aparência de Cromagnons que apesar de não saberem muito bem ao que vêm, não estão com cara de quem lhe vem cantar o “Angola é nossa”, e sinceramente não me estava a apetecer nada ver como é por dentro o sr. Presidente do Conselho, por isso…”
– “Claro, claro, compreendo. Além do mais essa alternativa entra em conflito com a minha agenda pessoal, onde o primeiro ponto passa por continuar vivinho da Silva. Pronto, vamos a isso, e como é, afinal?”
– “Hmmm…Argentina ou Brasil?”
– “Brasil, e isso pergunta-se? Agora despachem-se senão daqui a pouco nada se resolve sem que antes se façam plenários e votações e não sei que mais, e sinceramente não me apetece nada ter que aturar…ugh…’opiniões divergentes’”.
E assim foi, só que em vez de viverem todos felizes “para sempre”, este período de tempo que costuma ser bem mais demorado, esgotou-se ao fim de alguns anos, e agora que estamos prestes a chegar aos 42 anos de núpcias com a democracia, esta está cada vez pior, a fazer lembrar a mãezinha dela, essa velhaca. Pode-se dizer que os Portugueses se estão a divorciar da democracia, por assim dizer, ou que esta “perdeu o gás”, ou “passou do prazo”, e seja qual for a analogia que se quiser usar, as coisas chegaram a tal ponto que há quem defenda que “antes era melhor” Antes, recordam-se? Quando se demorava um dia inteiro para chegar de Lisboa ao Porto e se morria de coisas tão corriqueiras como sarampo, ou de uma simples interrupção voluntária da gravidez? Claro que não, ora essa – a malta que diz que no tempo do tio Salazar “é que era” está só armada em esquisita. Querem chamar a atenção, com o a tipa que está no baile da paróquia a dançar com um tipo qualquer que conheceu dez minutos antes e passa em frente do marido umas dez vezes só porque ele está a conversar com outra.
O diagnóstico não é tão complicado de se fazer, e não sendo eu propriamente uma autoridade na matéria, tenho uma teoria: os políticos passaram das marcas. Isso mesmo, e não é por acaso que deparamos com acontecimentos bizarros, como um “impeachment” da “presidenta” do Brasil, ou a divulgação dos tais “papéis do Panamá” – mal por mal, aqui em Macau o pior que aconteceu foi aparecerem uns relatórios médicos supostamente confidenciais espalhados por toda a Avenida Rodrigo Rodrigues.
Falando sinceramente, o pessoal entende perfeitamente que isto da política é uma chatice, e que nem a brincar alguém vai nessa conversa de que os tipos estão ali no espírito do servidor dos interesses da nação, blá blá blá e mais não digo para não passar por pateta, mas epá, vamos lá a ver uma coisa, vejam lá se disfarçam, e fazem qualquer coisinha pelo povão. Saquem, pilhem, inscrevam-se já no próximo campeonato das evasões fiscais, comparem os sacos azuis para ver qual é o maior, tudo isso, mas façam qualquer coisinha pela malta primeiro. E depois a gente desculpa-vos, que é como quem diz, ofende a vossa cidadania mais a das vossas progenitoras – coisa que alivia, e se recomenda, até – e no fim vai votar outra vez em vocês, ou no vosso lado B, o instrumental. E não é assim que funciona a tal democracia? Feliz 25 de Abril a todos! Atenção: feliz, fe-liz. Vamos lá fazer uma carinha mais simpática para honrar os capitães, e que tal?

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