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A presença mais assídua e marcada do Governo Central no Gabinete para os Assuntos de Macau não preocupa agentes sociais. São procedimentos normais de quem quer manter a ordem e acabar com a corrupção, apontam. Ainda assim há quem desconfie das intenções da mãe China

Que o Governo Central está empenhado na campanha contra a corrupção ninguém duvida e prova disso poderá ser a transferência do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado para a alçada da Comissão Central de Inspecção e Disciplina do Partido Comunista. Mas, agentes políticos locais, não se mostram muito preocupados.
Em Fevereiro passado, o jornal Epoch Times noticiou que o gabinete do Conselho de Estado responsável pelas duas regiões administrativas especiais estava “pela primeira vez” sob a fiscalização do organismo que combate a corrupção. Questionado sobre a acção e tomada de posição da China continental, José Pereira Coutinho, deputado, não se mostrou surpreendido, caracterizando a decisão como positiva e “normal” dentro do seguimento da melhoria do funcionamento da máquina administrativa da República Popular da China.
“Este procedimento é uma coisa normal no âmbito da estrutura interna da RPC. Não estou surpreendido que a [China] venha a proceder desta forma, tendo em consideração que não deve haver razões ou outras justificações que permitam que determinados sectores da estrutura governativa do Governo Central estejam fora do alcance ou da luta do órgão de combate à má governação e corrupção”, explicou ao HM. Para o deputado esta é uma questão que vem completar o trabalho disciplinar de “controlo dos trabalhos dos órgãos administrativos”.

De dentro para fora

Para o economista José Sales Marques o que se percebe é que o organismo central de Inspecção e Disciplina “tem-se instalado não só a nível central, mas também a nível provincial e até de outras estruturas”. Assim sendo, é natural que “também se instale ao nível do organismo que supervisiona os assuntos de Hong Kong e Macau”.
Scott Chiang, presidente da Associação Novo Macau, considera que o objectivo do Governo de Pequim em alargar o combate à corrupção para Macau não é muito certo, sendo que, aponta o activista, pode até não ser positivo.
“Eu sei o que a Comissão pode fazer em Macau. Se for apenas investigar o que os governantes fazem aqui, é normal. Se for para exercer a lei que combate a corrupção no território, não é permitido por causa de ‘Um país, Dois sistemas’”, apontou.
O pró-democrata tem algumas dúvidas sobre se o Governo Central está a reforçar o combate à corrupção só para se mostrar ou se está a “combater os inimigos que combatem a verdadeira corrupção”. Ou seja, para o activista tudo isto pode ser um jogo de aparências ou um braço de ferro com outras forças de poder.
“Por um lado, pode entender-se que o Governo Central ajudará Macau a criar um ambiente contra corrupção, por outro, pode entender-se como uma competição interna do Partido Comunista que se está a estender. Não mostro muita esperança sobre esta questão porque, por baixo da mesa, não sabemos muitas coisas”, rematou, acrescentando que a luta contra a corrupção é uma luta “entre poderes” e por isso será muito “difícil combatê-la”.

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