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Osexo gera vida, cria pessoas, adiciona números à contagem populacional. Não há ninguém neste planeta que tenha aparecido sem uma prévia noite de paixão pelos seus progenitores. Nós existimos porque há sexo e porque é praticado. Sim, tudo o que escrevo não consegue ultrapassar as franjas do óbvio, mas tento enaltecer o facto do sexo ser a raiz de tudo.

Se sexo é a raiz de tudo, é por isso a raiz de todo o bem e de todo o mal que existe no planeta. Sexo permite o surgimento de pessoas que se desenvolvem das mais variadas formas. Não sei se nós humanos somos inerentemente bons ou maus e parece-me que tem sido extremamente difícil esclarecer essa dúvida, apesar de muitos filósofos, sociólogos, antropólogos e psicólogos se terem debruçado sobre o caso. Nascemos com alguma predisposição genética para certas tendências cognitivas e comportamentais, informação genética essa oferecida pelos gâmetas do pai e da mãe. E depois… a vida molda-nos da forma que nos é oferecida. Recebemos, reproduzimos e reconstruímos visões do mundo que dada a diversidade que existe neste planeta, a diversidade é felizmente mantida. Na diversidade cabe tudo, as diferenças físicas e culturais que por vezes são partilhadas por grupos, e as diferenças individuais, porque ninguém é igual a ninguém (e olhem que a maioria dos estudos para entender o desenvolvimento humano usa gémeos verdadeiros como objecto de estudo, ou seja, duas pessoas com exactamente a mesma carga genética, e facilmente se percebe que a diferença continua a existir).

Há tantas pessoas diferentes que as práticas sexuais, que na sua essência partilham alguma universalidade (excitação, orgão sexual, orgasmo), podem ser diferentes. As diferentes ideologias e consequentemente as diferentes práticas podem-se complementar ou entrar em conflito. Primeiro começa com a conversa que os nossos pais têm connosco sobre como se fazem bebés. E aí somos introduzidos ao sexo. Depois é a puberdade que traz um mar de inseguranças acompanhada de alterações drásticas no corpo (alterações que nos preparam fisicamente para procriar) e o bombardeamento de informação vinda de todos os lados sobre o sexo, quando ainda é desconhecido, e depois da primeira vez, que apesar de mais familiar ainda permanecerá envolto em muito mistério e tabu.

As redes de informação que contribuem para a ideologia sexual colectiva e individual são de uma complexidade assustadora. São namorados, namoradas, amigos, pais, médicos, religião, pornografia, internet, livros, televisão, jornais, opiniões, discórdias, e tantas outras coisas mais que nos ajudam a perceber o que é que achamos do sexo e de que forma o queremos vivê-lo. Ora dada a complexidade, a primeira dificuldade que reconheço é saber separar o trigo do joio. Porque se há pessoas que conseguem sair desta confusão com uma sexualidade saudável e prazerosa para todos, há outras que se metem em concepções menos amigáveis ao nosso bem-estar. Os mitos e os rumores são uma coisa gira de se observar: ‘A coca-cola é um poderoso espermicida’. Houve quem de facto acreditasse que um banho pós-coito com a famosa bebida americana constituísse um eficaz contraceptivo. Por isso cientistas fizeram questão de falsificar a teoria através de estudos. Resultado é que Coca-cola Light (em comparação com as outras Coca-colas) tem alguma influência na mobilidade dos pequenos espermatozóides, tornando-os menos energéticos e mais lentos a chegar ao destino. Se isso constitui um método contraceptivo, muito dificilmente. Parece-me a mim que só se tornaria mais numa barreira que o esperma teria que enfrentar (isso e a selvajaria que o interior vaginal é) mas não incapacitador de trazer vida ao mundo.

O que quero dizer é que a nossa sexualidade encontra-se num constante processo de manutenção e desenvolvimento pelo o que somos neste momento e pelo que nos é sugerido e apresentado no mundo. Se nos dizem que a Coca-cola é um espermicida, porque não confirmar com outras fontes ou outras opiniões? Senão teremos todo o mundo a tomar banho em Coca-cola enquanto lhes saltam bebés incessantemente. Porque de bem verdade que a Coca-cola é muito mais barata do que qualquer outro método contraceptivo.

Por isso haja bom senso. Bom senso para perceber que há histórias e estórias, zonas cinzentas e outras explicações. A vida faz-se destas complexas narrativas individuais e colectivas onde cada um de nós se vê na complicada situação de dar sentido às coisas, mesmo que as coisas não façam sentido nenhum.

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