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Segundo Freud, a ejaculação precoce é uma tentativa sádica, exclusivamente masculina, de não permitir prazer à mulher (ou seja, planta a semente, mas ela fica a ver navios, orgasmo-wise). Consigo imaginar mais de que um método para expressar este sadismo inconsciente, mas de facto, o ejacular precoce não faz muito sucesso pelo público e tão pouco se encaixa no BDSM praticado actualmente. Mentes mais masculinas até que poderão interpretar esta precocidade como um forte sinal de virilidade. Espero que não sejam muitos.
De acordo com o que estive a ler por aí, a ejaculação precoce é tendencialmente vista como problemática. Não sou muito a favor da problematização do que quer que seja, porque daí se desenvolvem certas situações pessoais, emocionais e relacionais. Consigo imaginar a ânsia, os nervos, a expectativa e até a insatisfação com o próprio e com o outro. A ejaculação precoce pode ser um problema, mas não o é, necessariamente. E isso provam as Coreanas, que num estudo mostram que mesmo com namorados que sofrem de ejaculação precoce, o nível de satisfação na relação, de acordo com elas, é bastante alto. Perceber que isto é algo que acontece a uns e a outros, numa ou outra altura da vida, mais ou menos regularmente, é provavelmente a forma mais saudável de ver a coisa.
As causas são raramente orgânicas, não é uma infecção ou uma disfunção biológica que irá causar tal pressa no clímax masculino. Normalmente, os causadores, são de natureza psicológica, e não há nada de mais assustador do que pensar que isto não fica curado com uns simples comprimidos. Há que ter uma mente aberta para aceitar que é preciso experimentar umas coisinhas menos usuais, e que provavelmente há trabalhos de casa para fazer.
As tácticas retardadoras do processo ejaculatório talvez sejam pensar no futebol, no IRS, na lista de supermercado, nas pernas peludas da sogra ou nas legislativas. Ou o que normalmente funciona, para os corpos simplesmente mais desabituados a sexo, é uma masturbação pré-coito, para acalmar os ânimos. Se o orgasmo masculino precoce é algo um pouco mais recorrente, muito provavelmente estas técnicas não funcionam. Porque é a comunicação entre o corpo e a mente, o pénis e o cérebro, que não entende aquele momento de ‘quase, quase’ lá, para o poder atrasar uns preciosos momentos mais. Por isso, se for qualquer coisa dita de mais problemática há quem tenha desenvolvido terapêuticas. Masters e Johnson sugerem ‘o aperto’ e Kaplan sugere o ‘pára-começa’. Passo a explicar: tanto um e outro são exercícios para serem vistos como tal, e se praticados com o parceiro com regularidade, produzem efeitos a longo prazo. O aperto é qualquer coisa como apertar com o polegar a uretra com a cabeça do pénis entre dois dedos. Isto deverá ser feito assim que o indivíduo se sentir mais próximo do derradeiro momento, o mais próximo que conseguir. Depois de acalmar a ânsia, mas não perder a erecção, retomar o processo. O ‘pára-começa’, acho que conseguem imaginar do que se trata.
Para não desanimar as almas sexualizadas, e para clarear a nuvem problematizadora que a ejaculação precoce às vezes carrega, sugiro, então, a reflexão das coisas boas que pode trazer, porque nem tudo é assim tão terrível. 1. Faz sentir uma mulher sexy. Imaginem uma ejaculação descontrolada pelo simples vislumbre de um mamilo, ou de todo um corpo giro. ‘Sou tão boa que ele nem aguentou’. Parece-vos estranho, mas prometo que não é incomum. 2. É fácil, rápido e dá milhões. Para os casais de ambos membros especialmente orgásmicos que desejam uma vida sexual saudável mas que tem pouco tempo para estas coisas. Pessoas ocupadas, que querem dormir a horas e trabalhar no dia seguinte depois da satisfação mútua de se terem por uns bons minutos. 3. Perceber que o sexo não deveria terminar só porque ele se vem. Vejamos, há toda uma selecção de actividades eróticas para prolongar o momento. Diria até que apela à criatividade de cada um. 4. Obriga a comunicação. O que a ejaculação precoce traz de melhor é provavelmente a possibilidade da expectativa sexual, ou até o descontentamento, ser discutido e resolvido. Ejaculação precoce não é de todo o fim do mundo, já se viu que é uma coisa que pode ser muito bem trabalhada. Agora o que se precisa é: pessoas disponíveis para tal.
Um apelo pela criativa dissolução do que a ejaculação precoce representa de mau. Assim, na pequena estória da semana passada, imaginem o mesmo desenrolar, e da surpresa e embaraço de ele se vir assim, de repente, vem… tudo o resto que ficou por acontecer.

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