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A economia de Macau “sofrerá sempre” com qualquer “contracção ou estagnação” da economia chinesa devido à sua extrema dependência do mercado do continente, considerou o economista José Isaac Duarte em declarações à agência Lusa.
“Macau tem sofrido um aperto significativo nos últimos meses com o esforço das autoridades centrais (chinesas) para limitar e controlar os movimentos de capitais em direcção a Macau, a saída dos capitais da China e isso resultou na redução da receita no segmento VIP dos casinos, o qual sustentava o crescimento extraordinário do sector do jogo na cidade”, considerou.
Para José Isaac Duarte, o mercado de grandes jogadores dos casinos “está à espera de encontrar um ponto de estabilidade”, mas as perspectivas “continuam a ser de contracção da receita”.
“Se a economia chinesa entrar numa situação de estagnação ou mesmo de contracção isso terá também consequências no rendimento e nas expectativas no consumidor médio chinês que é aquele que sustenta o outro segmento, o chamado mercado de massas dos casinos”, acrescentou.
No caso do consumidor médio chinês ser confrontado com um cenário de possível contracção ou estagnação da economia, gerando insegurança quanto à evolução do seu rendimento futuro, José Isaac Duarte lembra que haverá uma reacção natural de corte em despesas não fundamentais.
“Viajar até Macau, gastar dinheiro nos casinos ou comprar alguns artigos de luxo serão, certamente, das áreas de consumo que mais rapidamente se ressentirão da perda de confiança do consumidor”, afirmou.
Um movimento negativo no mercado bolsita – como aconteceu nos últimos dias -, ou de uma perspectiva menos animadora do crescimento económico da China podem, no entanto, não ter um reflexo proporcional no mercado imobiliário, um dos principais problemas dos residentes locais devido ao aumento verificado nos últimos anos do preço do metro quadrado das habitações que se reflectem, também, no mercado de arrendamento.

Espaço para alívio

José Isaac Duarte recorda, a propósito, que em dez anos os preços de mercado subiram 10 vezes e, por isso, poderá haver “algum alívio”, mas para ter um impacto significativo os preços teriam de baixar muito.
“Provavelmente terá mais efeitos sobre as expectativas de ganhos daqueles que especularam nos últimos anos e que influenciaram o funcionamento do mercado. Esses correm o risco de ter algumas perdas”, considerou.
Além disso, explicou, o mercado imobiliário em Macau tem funcionado com uma grande componente de construção para investimento e especulação sem atender às necessidades dos trabalhadores e residentes locais. Mantendo-se a perspectiva de crescimento da oferta no sector do jogo, com a construção de mais empreendimentos que necessitam de mais mão-de-obra, manter-se-á a pressão do lado da procura.
Por outro lado, num cenário de crise ou incerteza quanto à situação da economia chinesa, a tendência, será a de o investidor chinês procurar mercados alternativos para colocar capitais – e o imobiliário de Macau é uma dessas alternativas. Mas José Isaac Duarte sublinha que o problema imobiliário também resulta da “insuficiência patente de construção de habitação e de um desenvolvimento urbano pensado” para os que vivem e trabalham em Macau. HM/LUSA

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