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Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: ternura, pelo que é, e respeito pelo que virá a ser.
Louis Pasteur

Dei com um debate num fórum de uma dessas redes sociais onde o tema era “Adopção entre casais do mesmo sexo” – não era para ser debate, mas acabaria por ser uma acesa troca de argumentos, onde em muitos casos os sentimentos mais recalcados acabariam por vir ao de cima, e não faltariam os habituais remoques mais frequentes quando se fala da comunidade LGBT.
Os direitos das pessoas que escolheram uma sexualidade alternativa ao núcleo familiar tradicional deram um salto considerável desde que o activista e advogado “gay” nova-iorquino Harvey Milk introduziu o conceito na esfera da política, que é onde, por e através de que tudo se decide: tinha nascido um “lobby”. Com o poder de discutir as suas exigências em termos de direitos civis em sede própria, o “lobby” LGBT viria a conquistar o direito ao casamento civil em praticamente todo o mundo livre, e vai caminhando paulatinamente no sentido de tornar “normal” a adopção de crianças, suponho que inicialmente, e durante muito tempo, não tenham pais quem olhe por ela – atenção não confundir adopção com famílias de acolhimento, que acolhem menores a título temporário. Argumento frequente e falacioso: pais a quem sejam retirados os filhos devido a abusos ou maus tratos, ou que estejam a cumprir uma pena de prisão, podem ser adoptadas por casais “gay”, e assim “arrancadas de uma família normal”, o único que os opositores à adopção “gay” aceitam como família adoptiva.
Estranhamente, ou talvez nem por isso, não se vê a comunidade LGBT a bater-se por esta causa com o mesmo afinco que vimos na questão do casamento, mas aqui há outros valores que se levantam, a começar pelas próprias crianças. E isto leva-me a que diga a minha opinião sobre o assunto, uma vez que me fui dedicando a seguir a evolução do caso, e fiquei positivamente surpreendido com a paz com que decorreu esse processo, sem exibicionismo ou espalhafato, e não consta que crianças tenham sido usadas como extras em paradas “gay”. Perante isto, não me oponho, uma vez que não me diz respeito directamente, e não se prevê que surjam mais tarde, e só me afectam se eu quiser”. É verdade, e esta é a altura ideal para malhar o ferro, enquanto ainda está quente.

Os homens heterossexuais são quem tem o maior problema com os homossexuais, pois estes têm uma “fraqueza”…uns pelos outros, o que causa alguma estranheza aos restantes, que nunca “provaram” daquele prato, e se calhar também não é assim tão mau como dizem: vejam como eles estão felizes?

Assim, tendo ficado ponto assente que a homossexualidade não era tão impeditiva da adopção, tratando-se aqui de uma mera relação hierárquica familiar. Não foram argumentos que chegasse para deter os opositores da ideia, que desta feita ficaram com a sempre rígida e sensaborona Igreja, e não queriam muitas misturas com a extrema-direita ou adoptar outra posição que interferisse com a angariação de votos. Aqui todos os argumentos que ouvi foram lancinantes. De uma agudeza e de uma brutalidade que só leva a que todos fiquem prejudicados, e se levante novamente o fantasma do ódio por homossexuais, conhecido por “homofobia”.
Os homens heterossexuais são quem tem o maior problema com os homossexuais, pois estes têm uma “fraqueza”…uns pelos outros, o que causa alguma estranheza aos restantes, que nunca “provaram” daquele prato, e se calhar também não é assim tão mau como dizem: vejam como eles estão felizes? Agora que as crianças podem ser usadas como arma de arremesso, reiteram-se alguns conceitos ultrapassados, ou se for necessário inventam-se outros. É aqui que o meu estômago e a minha paciência se esgotam, e fica o pão por comprar.
As alegações que mesmo assim foram zunindo nos meus ouvidos incluíam coisas como a ligação ao útero materno, o leitinho, e cheguei a ver uns mesmo muito patuscos, de que passo a citar dois: “as crianças ficam sem saber o que comprar no dia da mãe”, e “toda a gente sabe que as primeiras palavras de uma criança são papá e mamã” – ai que lá fica a criança muda por causa disso. O problema aqui no fundo ainda é um pouco a mentalidade antiga, que vê a sexualidade com um olhar muito “biológico” e ao mesmo tempo “mecânico”, ciente do que entra onde, e faz o quê. Torna-se imperativa a figura da mãe, ignorando-se o facto de muitas família serem monoparentais, e só as crianças para a adopção passam a merecer destaque, especialmente as que pretendem ser adoptadas por dois homens. Aqui o primativismo do falo, da imponência e tudo isso pode ter alguma coisa a ver com os receios, ou o desconforto, mas por outro lado nas meninas é mais tolerado.
Quem defende a tese da obrigatoriedade da figura da mãe e se isto se desmontar recordando que as crianças para a adopção não têm pai nem mãe, passa-se ao argumento das leis da natureza. Ora na natureza não existe a figura da adopção, então para quê separar o que estava (bem) misturado. Seja como for o debate sobe sempre de tom, culminando por vezes com alguém que desabafa: “não se devem deixar as crianças com homossexuais” – bingo. Irónico fica se for um elemento da Igreja Católica a dizê-lo.
E é a Igreja que fica a torcer o nariz com o casamento que terá que repartir com o registo civil, que “casa homens com homens. E baralha-se, dá-se, e acaba sempre tudo na mesma. Boas Férias a todos em geral, e em particular aos que vão agora de férias no mês de Agosto.

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