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Já tinha sido internado durante o mês de Janeiro, devido a complicações cardíacas. Depois de ter implantado um cateter para alargar uma artéria, voltou a dar entrada no hospital com um episódio de arritmias. Ontem, o Prémio Nobel da Paz Shimon Peres não resistiu e morreu depois de sofrer um AVC.
A notícia da morte do líder histórico foi avançada pelo médico. Apesar de ter nascido na actual Bielorrússia, é em Israel, para onde se mudou com apenas 11 anos, que Peres desenvolve o seu percurso político. Primeiro integra as fileiras do Haganah, que viria a tornar-se, aquando da formação do Estado Judeu em 1948, as Forças Armadas de Israel. Aos poucos foi desenvolvimento habilidade política e tornando-se numa peça chave nos corredores do governo, acabando por ser eleito pela primeira vez em 1959 para o Knesset, parlamento israelita.
Shimon Peres esteve à frente de vários ministérios mas ambicionava comandar Israel. Candidatou-se cinco vezes às eleições legislativas, mas nunca conseguiu ser escolhido. Apesar de ter sido um perdedor neste capítulo, conseguiu atingir o cargo, mas sem ter sido eleito para o fazer. A primeira vez foi na década de 80, quando o seu partido se uniu ao rival histórico, o Likud. Em 1995 foi novamente chamado para ocupar o cargo maior, desta vez para substituir Itzhak Rabin, assassinado por um fanático.
Incontornável foi a sua ambição de pacificar o território, marco que lhe valeu o Nobel da Paz dividido com outros dois protagonistas deste período: Ytzhak Rabin e Yasser Arafat, em 1994.
Os acordos de Oslo assinados em 1993, entre Israel e o Líder da OLP Yasser Arafat são outro marco no seu percurso político, desta feita enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Rabin. Neste documento, Israel comprometia-se a desocupar militarmente a faixa de gaza e a Cisjordânia além de reconhecer a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como entidade administradora transitória dos territórios palestinos. Poderia ter sido o início de uma nova fase, mas as bases políticas nunca chegaram a ser consolidadas devido a grupos extremistas de ambos os lados que dificultaram o processo de pacificação.
O ultimo cargo político que ocupou foi o de Presidente do Estado de Israel, entre 2007 e 2014. Depois disso dedicou-se ao Centro Peres pela Paz, fundado com o dinheiro do prémio Nobel da Paz, que promove a co-existência entre judeus e árabes.
Shimon Peres gostava de dizer que o segredo da sua longevidade se devia a dois copos diários de um bom vinho, exercício físico e uma boa alimentação. O pacificador do Médio Oriente morreu ontem aos 93 anos. Em sete décadas de carreira, foi primeiro-ministro por duas vezes, ministro em 16 governos, deputado durante 48 anos e chefe de Estado ao longo de sete.

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