João Luz Manchete SociedadeFórum da Humanidade | Macau acolhe simpósio em Dezembro Macau vai acolher o Simpósio do Fórum Global da Humanidade nos dias 3 e 4 de Dezembro, que contará com a presença de Ban Ki-moon, antigo secretário-geral das Nações Unidas e presidente do conselho do Fórum Boao para a Ásia. Na apresentação do evento foi enaltecida a história de Macau, o que torna o território como o local perfeito para o simpósio Face ao panorama de mudanças e divisões civilizacionais que o mundo atravessa, será que existe espaço para que o diálogo humanista sirva de ponte para atravessar diferenças fracturantes entre povos? Esta é a questão que lançou a apresentação do Simpósio do Fórum Global da Humanidade deste ano, que se irá realizar em Macau nos dias 3 e 4 de Dezembro, indicou ontem o China Daily. Numa conferência de imprensa realizada em Pequim, foi anunciado que o evento irá contar com a presença de Ban Ki-moon, antigo secretário-geral das Nações Unidas e presidente do conselho do Fórum Boao para a Ásia. O jornal chinês salienta que fórum está empenhado em criar uma nova plataforma para o intercâmbio humanístico a nível global, facilitando a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e estrangeiras, bem como o desenvolvimento integrado da cultura e das indústrias em todo o mundo. O evento é organizado por instituições como a Fundação Ban Ki-moon, a Phoenix Network e a Aliança Global das PME, a Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau, a Humanity Assembly, entre outros parceiros. A organização salienta a vantagem geográfica única de Macau, moldada por mais de 400 anos de integração entre civilizações ocidental e oriental, para acolher o fórum que terá o tema “Beleza do Mundo, Harmonia em Diversidade”. Todos os quadrantes Na conferência de imprensa, Shi Baofeng, um dos organizadores do fórum, indicou que o evento irá reunir em Macau antigos líderes políticos de vários países e regiões, representantes de organizações internacionais, académicos de renome, artistas e líderes empresariais, num total de cerca de 500 participantes. Além de sessão principal, a agenda do evento inclui cinco sub-fóruns paralelos, incluindo um dedicado à juventude e outro ao papel das mulheres na liderança global e seminários vários. No final, será divulgada uma declaração a vincar os valores partilhados por toda a humanidade. A RAEM foi representada na conferência de imprensa que apresentou o Simpósio do Fórum Global da Humanidade pelo presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, numa intervenção em formato vídeo. Wu Zhiliang sublinhou que “os mais de 400 anos de integração cultural entre o Oriente e o Ocidente em Macau constituem um exemplo vívido de coexistência entre civilizações”. Wu Zhiliang mostrou-se “esperançado que o fórum transforme a prática de diversidade e inclusão de Macau num valor público com relevância global”. “Macau tem servido, desde há muito, como uma janela para o intercâmbio entre as civilizações orientais e ocidentais. Hoje, essa janela abre-se não só para oportunidades de desenvolvimento, mas também para a confiança internacional. Ilumina não só os holofotes da actualidade, mas também serve de farol para a aprendizagem mútua entre civilizações”, completou o líder do Fundação Macau.
Amélia Vieira h | Artes, Letras e IdeiasSimpósio [dropcap]T[/dropcap]udo o que é bom com sustento na memória será certamente a ideia da reunião fraterna nas mesas em que se partilha a substância da vida e nos associamos ao fluxo comum. Os mais felizes parceiros serão sempre os comensais que bebendo das suas taças o vinho partilhado, asseguram a paz, o diálogo, esquecendo o tempo da servidão dos dias. Simpósio, no entanto, será mais um helenismo, que repomos para Ceia e Banquete, mas muito mais prolongado na satisfação dado que se seguia à partilha dos alimentos para firmar o grupo dos que continuavam bebendo os mais preciosos líquidos onde a troca de ideias por entre grandes e pequenos temas se firmava. Não há separação entre a construção dialéctica e a harmonia de grupo num tal significado. As Bodas bíblicas aproximam-se destes festins que sentavam à mesa gentes diversas em laudatórios discursos e passagens de Cânticos até ao milagre da transformação da água – que festa sem vinho é um estado mórbido de associação – e que aquelas foram até à mais emblemática mesa: a da Última Ceia. Em «Simpósio» registam-se as falas e a magnitude da obra parece uma peça de teatro em muitos actos que conflui para uma entidade única a um tempo em que todas as vozes se soltam – os seres ouviam vozes – e falavam da natureza do Amor o que não será exactamente o mesmo que falar de Amor, estamos num domínio ético que é amplamente expressivo nesse coroar de interesse pelo belo e tal estado exige uma longa abordagem que saliente os efeitos e as vertentes que não separem as boas acções das naturais matérias da sua sustentação. Registamos os diálogos que se escutam não como uma narração mas enquanto discurso e sabemos que se está diante de taças cheias e fontes várias que incitam uma magistral inspiração. De súbito, olhamos ao redor – uma volta no tempo – e este efeito para além de lendário tornou-se ainda mais improvável, e é então que nos recordamos que esta marcha, dizem, não será reposta, rasurando assim o melhor da natureza humana, ou, que aberto este hiato, nos preparamos agora para manjares frios e assépticas beberagens. O Eros entediante das nossas refeições não é menor que aquele que nos distancia por motivos vários: reclusão, desconfiança, temor, e a linguagem não se precipita para lado algum que valha a pena ir buscar só para trazer de volta o deus que disperso se encontra agora entre a desolação de um estranho vazio, já não ceamos e as noites quentes estão alheadas de encantamentos. Toda a ternura se ofende e uma perturbação geral acompanha os destros dias como uma punição que não saberíamos dimensionar se nos tivessem indagado acerca deles, que a direito, também parece encaminhar-se para esse lado sombrio ou à deriva a multidão mundial resguardada de si mesma. Há os diálogos escorregadios do plasma virtual sempre mais presentes que um palmo de mesa em frente dos narizes, e aos sóbrios, as alternativas escoam-se até ao falar directamente com as paredes. Cenários gravosos para a continuidade do pensamento, sem dúvida, e muito mais grave se tornam quando os problemas mentais e morais parecem fazer enfermas populações inteiras. Neste diálogo fala-se no amor inato que os seres têm uns pelos outros « o amor tende a reencontrar a antiga natureza, esforça-se por se fundir numa só, e por sarar a natureza humana» remete-nos a uma saudade qualquer que só poderá ser solucionada pelos encontros, e tudo isto é feito com a simpatia que é o apelo irresistível dos seres. Já não estamos neste Simpósio num registo tribal, mas algures numa fina matéria que superou o instinto de sobrevivência, da exclusividade do clã, e passou a contemplar cada ser na sua natureza, desse outro igual a nós, e, se diferente, complementar em nós. Tudo isto sabemos, mas dizê-lo pode corresponder a sabe-lo mais e melhor, sobretudo quando pensando que sabemos não estamos à altura de o vivermos, somos presas fáceis dos nossos interesses e sem nos dar-mos conta esse intrínseco amor desaparece no meio de tantas circunstâncias que o desfazem, ficando a caricatura de proximidade onde nada de transformador acontece nem se insinua. E desse estado solitário, nasceu agora e ainda, a distância. – Para a peste, exemplifica então o Eros da desordem cujos desregramentos atacam animais e plantas quando tal estado incide na união dos elementos- ( o que faz sentir o nosso instante como uma provação por interferirmos de modo grosseiro no desígnio das coisas ). «Descendo esta cidade com ternura…» de um antigo mirante podemos ver os pátios andaluzes com suas cítaras dolentes, os seus encantos secretos como úteros, uma cidade que esqueceu e lembra agora o mais melodioso do legado mouro, que a água se escuta nas fontes por onde a cidade verte os escondidos encontros, sem vinhos, talvez, e ébria de um encantado amor nos seus dias de Estio :- mas, teria seria possível tal abstinência !? Mesmo na Pérsia muçulmana ninguém parou de absorver a mágica poesia de Omar Khayyam e de apreciar esse vinho. Todos levamos a lembrança cheia com tinas, garrafas, cálices, alambiques… a noite que vasa plena com um eclipse lunar nos convida a olhar como foi bom para a Humanidade as longas horas de vida passada nos Simpósios, que o brilho da nossa estrela só brilhou quando assim fomos unidos. «…..Vens na hora exacta! Ceia connosco, Aristodemo! Se outro motivo de trouxe guarda-o para mais tarde. Ontem mesmo te procurei para te convidar sem conseguir encontrar-te.» Agatão- Simpósio