Festival “Connections” | Ioga, música e dança ao ar livre a 12 de Maio

O reservatório de Ká-Hó, em Coloane, vai acolher, no próximo dia 12 de Maio, o “Connections”. Apresentado como o primeiro festival ao ar livre a juntar ioga, música e dança em Macau, o evento promete um arranque “épico”

 

A ideia surgiu de uma conversa espontânea entre amigas. “Estávamos a falar sobre a necessidade de haver eventos ao ar livre, fora do contexto urbano, que é uma tendência dos últimos anos, mas algo invulgar em Macau”, começa por explicar Rita Gonçalves, uma das mentoras da iniciativa. Das palavras passaram aos actos e, com ajuda de parceiros, nasceu o “Connections”, um festival ao ar livre que vai combinar uma série de actividades, como ioga, música e dança. Os interessados devem reservar o dia 12 de Maio na agenda, uma vez que o evento promete ser “épico” e conquistar um lugar regular no calendário de Macau.

“Este tipo de eventos e festivais ao ar livre tem-se desenvolvido cada vez mais”, aponta, dando o exemplo do “Boom” ou do “Andanças” em Portugal e, na Ásia, do “Wonderfruit” (Tailândia) ou do “Bali Spirit” (Indonésia). “Estes eventos são muito giros e especiais, de contacto com a natureza e também com o nosso interior, em que se quebram barreiras, como os papéis sociais, e todas essas coisas que nos restringem no dia-a-dia”, enfatiza Rita Gonçalves ao HM.

“Todo o contexto criado permite, depois dos primeiros dez minutos da vergonha, que as pessoas se soltem”, constituindo “uma grande fonte de alegria e liberdade”, complementa a presidente da Associação Yoga Loft.

O “Connections”, a ter lugar no reservatório de Ká-Hó, vai realizar-se a 12 de Maio. O festival, que decorre das 11h às 22h, vai ter música o dia inteiro, estando previsto um concerto ao vivo da banda “Concrete Lotus” e a actuação de DJs. A ideia da organização é proporcionar “um ambiente descontraído, com som ambiente”.

Neste cenário, “vai também haver ioga – um mais fácil e calmo e outro mais mexido e puxado”, explica Rita Gonçalves. “Há muito tempo que amigos alunos me pedem para eu fazer aulas com música. Só que, para mim, o ioga é um trabalho mais sério”, mas com “um ambiente festivo e ao ar livre vai ser engraçado explorar o contexto da música”, sublinha a também instrutora.

O programa do festival inclui ainda dança, com ‘workshops’ orientados por pessoas de Macau e do estrangeiro. “Vai ser uma dança muito exploratória, em que a ideia é brincar com um tema lançado pelo facilitador”. Em paralelo, há também actividades para crianças, como jogos, pinturas de rosto ou espectáculos de marionetas. Dado que o “Connections” vai decorrer durante todo o dia, o serviço de ‘catering’ da “Blissful Carrot” disponibilizará refeições no local, devendo o menu ser divulgado em breve.

Na preparação do “Connections” encontram-se envolvidas entre 50 a 60 pessoas, estando a organização à procura de mais voluntários para o evento. O ingresso custa 120 patacas para ajudar nos gastos, sendo que quem reservar com antecedência paga menos 20 patacas. Aliás, a organização recomenda-o para evitar que muita gente acabe por se concentrar à entrada. “É pedido um donativo porque vamos ter custos associados ao processo logístico, nomeadamente da montagem das sombras”, indica Rita Gonçalves. As crianças têm entrada gratuita.

 

Festa amiga do ambiente

A pensar no ambiente, a organização do “Connections” também pretende que haja o menor lixo possível. “Aconselhamos as pessoas a trazerem copos ou cantis para as suas próprias bebidas, por exemplo, e a reservarem a refeição de modo a que ‘Blissful Carrot’ saiba de antemão os pedidos para que também não haja desperdícios alimentares”, realça.

“Este é um evento que quero que as pessoas venham porque se sentem naturalmente atraídas pela experiência, portanto, a informação há de ir parar a elas. Vou deixar decorrer de uma forma orgânica. Embora pareça um pouco arrogante, a ideia é que as pessoas ouçam falar pelos interesses que já têm”, sublinha Rita Gonçalves que, até ao momento, lançou apenas o evento no Facebook.

Embora o festival ainda não tenha estreado, Rita Gonçalves não esconde o desejo de ver o “Connections” conquistar um lugar anual no calendário cultural de Macau.

 

 

19 Abr 2018

Livros | “Yoga-me” vai ser apresentado na Livraria Portuguesa

O ioga já há muito que saiu da Índia para entrar na vida das pessoas um pouco por todo o mundo. Filipa Veiga é um bom exemplo de alguém que mudou de vida graças à prática. De aluna de direito, com passagem pelo jornalismo, a agora professora de Yoga está em Macau para apresentar “Yoga-me”.

O livro “Yoga-me”, de autoria de Filipa Veiga, vai ser apresentado no próximo dia 11. O evento tem lugar na Livraria Portuguesa, pelas 19h, e conta com a presença da autora e co-apresentação da também professora de Yoga, Rita Gonçalves. “Yoga-me” é o livro que conta as experiências que Filipa Veiga tem tido entre Bali, Índia e Portugal.

Natural de Macau, foi com a ida para a Faculdade de Direito, em Portugal, que Filipa Veiga se sentiu pela primeira vez deslocada e fora de um mundo que não era o seu. “Quando fui para Portugal foi um choque, não gostei da Faculdade de Direito. Fui logo catalogada como diferente, como hippie. Não era igual às pessoas que lá estavam”, começa por contar ao HM.

Filipa Veiga sentia falta de algo. Sem saber bem de quê, recorda agora que talvez tivesse que ver com uma espiritualidade a que associa o território e que não via no ocidente. “O facto de ter crescido em Macau e na Ásia, faz com que convivamos com outros lados da espiritualidade mesmo sem ter consciência disso. Lembro-me de ir para o liceu e ver as pessoas a fazer Tai Chi e era tudo muito natural”, recorda.

Dividida, pensou em começar a fazer ioga. “Finalmente, encontrei o sítio ideal depois de duas ou três tentativas falhadas, e senti logo que era algo que eu precisava para me equilibrar entre a vida da Faculdade de Direito e de Lisboa e um lado muito meu. Na altura, não disse a ninguém que praticava ioga. Como ninguém o fazia e eu já era diferente, então não contei a ninguém”, revela.

Ser professora da modalidade ainda não era um objectivo. Acabou antes por ficar ligada ao jornalismo. “Entrei na SIC, e no meu segundo ano do estágio de advocacia inscrevi-me no CENJOR. Nunca pensei em dar aulas de yoga, queria ser jornalista e trabalhei 12 anos na SIC”.

Mas em 2012, pediu uma licença sem vencimento e foi viver para Bali. O resto foi natural. “Tive o convite para dar aulas no estúdio, e foi assim que comecei”, conta.

Com experiência em jornalismo, e numa altura em que os blogues estavam “na moda”, Filipa Veiga aproveitou a estadia em Bali e criou o seu lugar na blogosfera. “Sentia falta da escrita e senti que agora podia escrever sobre o que estava a acontecer na minha vida”, explica.

Depois surgiu o convite da editora 20/20 para passar as experiências do ioga, de Bali, de Macau, da Índia para um livro. “Quando voltei a Portugal, em 2015, decidi que o ia fazer”. A edição que contou com 200 exemplares está a esgotar.

<h4>ioga omnipresente</h4>

Já se passaram 15 anos desde que saiu de Macau. O regresso para a apresentação de “Yoga-me” está carregado de ansiedade, mas faz parte da própria forma de existir ligada à prática. “É o ioga a actuar na vida das pessoas”, refere.

Afinal, é ao território que agradece por este percurso e esta obra. “Quero agradecer a Macau por tudo aquilo que sou e ao que essa terra me deu. É um lançamento mais espiritual do que um lançamento normal de um livro, é uma entrega e uma forma de agradecer”.

O lançamento em Macau conta com a co-apresentação de Rita Gonçalves, professora de ioga do território e responsável pelo Yoga Loft Macau. De acordo com a apresentação do evento, “é uma oportunidade para conhecer a história de duas mulheres portuguesas que cresceram em Macau antes da entrega da soberania à China, e do boom dos casinos, duas histórias de vida que seguiram rumos muito semelhantes, do jornalismo à prática e ensino do ioga”.

Filipa Veiga vai ficar em Macau mais uns dias para dar um workshop durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Abril no Yoga Loft Macau, com aulas práticas e teóricas para praticantes iniciados e regulares.

6 Abr 2018

Kerill Ezzy, instrutora de ioga | De Brisbane para Macau

A vida tem uma dinâmica cada vez menos linear. A australiana Kerill Ezzy é um bom exemplo disso mesmo. Chega a Macau como engenheira de som de espectáculos musicais para a apresentação de “Cats”, há cerca de 10 anos, e torna-se instrutora de ioga. Passados dois anos da primeira visita ao território voltou com a companhia que apresentou “The House of Dancing Water” e acabou por ficar por cá. Com um trabalho com características itinerantes, na altura, a engenheira de som sentiu a estranheza de trabalhar apenas num sítio. Porém, criar, construir um espectáculo e continuá-lo “foi uma experiência linda”, comenta.

Além disso, Macau, com o seu charme muito próprio, acabou por seduzir Kerill. Quando chegou, a cidade era muito mais calma do que é actualmente. Vivia-se a época da crise económica. “Quando, vim o City of Dreams tinha sido acabado de construir”, lembra.

Também o caldeirão cultural impressionou a australiana originária de Brisbane. Ao princípio, “a mistura de um povo asiático numa cidade com arquitectura portuguesa foi muito estranha para mim, porque sou australiana e não temos este grau profundo de diversidade”, conta. A herança resultante do cruzamento de culturas criou um grande impacto em Kerill Ezzy. “Foi tão bonito descobrir uma antiga colónia portuguesa com chineses, numa mistura que casa com tanta perfeição”, explica.

Entre o dia em que chegou e a actualidade, a australiana sente que uma das maiores diferenças é o evidente aumento do turismo, assim como da actividade ligada à indústria do jogo. Também o número de pessoas cresceu imenso, para dar resposta laboral às novas necessidades económicas.

Na opinião de Kerill, a era de confusão e crescimento económico não tiveram repercussão na capacidade dos seus habitantes para pararem e se encontrarem consigo próprios. “Acho que a introspecção e a reflexão aumentaram como resposta ao crescimento de Macau”, analisa.

No aspecto cultural, acha que ainda é cedo para medir as repercussões do boom da cidade. Uma coisa é certa, “os portugueses e os chineses continuam a ser os povos lindos que sempre foram”, conclui.

Zen na cidade

Hoje em dia, Kerill é instrutora de ioga, uma inversão que aconteceu por um acaso trazido pela sua antiga profissão. O ioga entra na sua vida devido aos problemas de costas provocados pelo trabalho como engenheira de som.

O ashtanga foi-lhe recomendado pela sua fisioterapeuta e foi uma surpresa para a australiana. “Era uma pessoa muito activa e a ideia de fazer ioga não era algo que me passasse pela cabeça”, conta.

Passados cinco anos de prática e na sequência da falta de professores, a australiana tornou-se instrutora. “Pensei que era a melhor forma de continuar a aprender, nomeadamente através dos meus alunos”, revela a instrutora, que falou ao HM numa pausa de formação que está a tirar na Tailândia.

Contrariando a impressão recorrente de que o ioga pode ser uma actividade rotineira, Kerill vê a sua dinâmica tendo em conta a maleabilidade do corpo humano. “Para quem olha de fora, o ashtanga parece ser sempre a mesma coisa mas, na realidade, o teu corpo muda, comes coisas diferentes, dormes de forma diferente, todos os dias são diferentes”. Esta evolução torna o ioga algo fascinante de se trabalhar, na óptica da australiana.

A instrutora encontra sempre algo na cidade locais que merecem atenção. “Há pequenas bolsas em Macau muito giras”, comenta. Por isso gosta de passar tempo nos pequenos cafés. Nesse aspecto, destaca o Macau Soul pelo belíssimo vinho português e fotografias antigas da cidade.

Outro dos lugares de eleição da instrutora de ioga é o Jardim Luís de Camões, que “tem uma energia especial”. É um sítio onde gosta de estar, onde se sente bem a partilhar o espaço com os iodos que por lá ficam o dia inteiro a praticar tai chi, a meditar, ou simplesmente a conviver. “Há ali um sentido comunitário muito forte e uma grande tranquilidade apesar de se estar mesmo no coração da cidade”.

2 Jul 2017