Hoje Macau EventosComemorações do 10 de Junho na Cinemateca Paixão O cinema de Portugal vai encher o ecrã da Cinemateca Paixão no próximo fim-de- semana com uma selecção “de ouro” do que melhor por lá se faz. Integrado nas comemorações do mês de Portugal, que decorrem durante este mês, vão ser projectadas curtas e longas metragens de destaque nacional e internacional [dropcap style=’circle’]O[/dropcap] cinema feito em terras lusas é tema de destaque no âmbito da Comemorações do Mês de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau e Hong Kong e conta com a colaboração da Agência Internacional de Cinema Português, a Portugal Film. A iniciativa, a decorrer na Cinemateca Paixão, apresenta este ano uma mostra de filmes que reflecte a produtividade, a diversidade e a excelência do cinema português, refere a organização. Entre a selecção constam vencedores dos prémios nacionais e do público do Festival IndieLisboa 2015, bem como a curta-metragem vencedora do Leão de Ouro de Berlim e do Firebird Award do Festival de Cinema de Hong Kong, o filme “Balada de Um Batráquio” de Leonor Teles. Entre curtas e longas metragens, o programa abre no sábado pelas 16h30 com a projecção de cinco pequenos filmes. “A caça revoluções”, de Margarida Rego, é uma animação experimental que explora a relação entre duas gerações, dois tempos e duas lutas diferentes. É a Revolução de Abril a inspirar as gerações que apenas a conhecem através de relatos dos que a viveram e das fotografias apropriadas. “Aula de condução”, uma realização de André Santos e Marco Leão, aborda a esfera onde se forma a maturidade de um jovem olhar: o da intimidade e o seu silêncio enquanto territórios cinematográficos. Já “Despedida” é um filme em que Tiago Rosa Rosso cria um jogo de absurdo a partir das referências da infância e do humor nos códigos de comunicação da amizade masculina. Jorge Cramez traz “O Rebocador” e com ele um território que lembra o “film noir” de Raoul Walsh: “They Drive By Night” e as confissões solitárias de quem nele vive. A tarde fecha com o vencedor do Leão de Ouro de Berlim e do Firebird Award do Festival de Cinema de Hong Kong, “Balada de um Batráquio”, da jovem cineasta Leonor Teles que num gesto pessoal e activista desfaz preconceitos sobre a comunidade cigana. A sessão da noite com início às 20h00 vai dar lugar à longa metragem “A toca do lobo” de Catarina Mourão, em que a realizadora se centra numa figura da vida cultural portuguesa: o escritor e seu avô Tomaz de Figueiredo. Um olhar que abre as portas secretas de uma vida que deixou apenas o seu trabalho para a memória dos seus filhos e dos seus netos, tal como de uma família que se viu separada pela sua morte e marcada pelo dia-a-dia de um país dictatorial. Na sua antiga casa, vivem os segredos e os acontecimentos num quarto fechado à chave e aberto pela câmara da realizadora e pelo movimento deste filme: a intimidade. A fechar Domingo, o horário repete-se mas com a projecção da “matinée” a dar lugar a “Gipsofila” de Margarida Leitão. “Gipsofila” é o espaço pessoal de uma avó visto pela câmara da sua neta. Um ensaio sobre a sua memória através das palavras hesitantes de duas pessoas que se amam, que se filmam e partilham o mesmo sangue. O filme é também o espaço exterior de solidão de uma realizadora que encontra um lugar para criar o seu cinema e filmar uma herança que talvez se julgava perdida. À projecção segue-se um debate à volta do tema da produção cinematográfica em Portugal e a sua visibilidade pelo mundo com a directora da Portugal Film, Margarida Moz. A sessão da noite conta com “Os olhos de André” de António Borges Correia. Aqui, a paisagem de Arcos de Valdevez, em Portugal, serve de cenário para recriar uma história verdadeira onde um pai tenta reconstruir a sua vida, depois de uma separação, para acolher o seu filho André e voltar a unir uma família. Pelo olhar de António Borges Correia e a perspectiva da sua câmara, os seus actores (as pessoas que viveram, nos mesmos papéis, a mesma história) seguem as sugestões que uma nova ficção cria a partir daquilo que já se viveu, dando-nos a conhecer, pelo cinema, uma vida real de um país verdadeiro. “Aqui, em Lisboa” vai preencher a sessão da noite de 13 de Junho, uma produção realizada por Dominga Sotomayor, Denis Côté, Gabrial Abrantes e Marie Losier. Um filme que concretiza o resultado de quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico. Crescer e aparecer A Portugal Film organiza, há 13 anos, o Festival IndieLisboa e outras mostras de cinema independente em Portugal e no mundo. Na sua génese está o crescente reconhecimento internacional do cinema português e da consequente curiosidade pelos filmes ali produzidos. Além de assegurar a presença de filmes nacionais no maior número de festivais internacionais, promove também a curadoria de mostras e eventos onde o público possa apreciar o melhor cinema português e onde os filmes possam não apenas ser vistos, mas também conversados com os seus intervenientes. A programação, toda ela composta por filmes em Língua Portuguesa legendados em Inglês, visa cativar o interesse do público de Macau. A mostra conta com entrada gratuita sendo que os bilhetes estão disponíveis na casa de Portugal a partir de amanhã.
Hoje Macau Eventos MancheteDocumentários | Festival arranca hoje na Cinemateca Paixão Este fim-de-semana marca o início do Festival Internacional de Cinema Documental de Macau, que conta no arranque com o trabalho da local Tracy Choi e três projecções de origem portuguesa [dropcap]T[/dropcap]em início hoje, na Cinemateca Paixão, o Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (FICDM), com a exibição de “Taste of Youth” de King Wai Cheung, às 20h00. O filme aborda o inevitável conflito geracional em que os desejos de auto-conhecimento e descoberta, característicos da juventude, são confrontados pela ânsia dos pais de que os seus filhos encontrem estabilidade na sociedade, através da vida dos jovens de Hong Kong. King Wai Cheung, realizador premiado, chama a atenção para esta geração tripla em que a X é detentora das preocupações materiais e a Y e Z priorizam a espiritualidade. Domingo dá-se destaque a documentários portugueses com a exibição dos filmes “(Be) Longing”, “Night Without Distance” e Three Weeks in December”, todos com projecção marcada para as 16h30. “(Be) Longing”, uma co-produção entre Portugal, Suíça e França, conta com a realização de João Pedro Plácido e aborda a vida de uma aldeia remota de seu nome Uz, situada nas montanhas do norte de Portugal. Aqui, vive um grupo de cerca de 50 pessoas que reúne quatro gerações e a vida depende da solidariedade interna, sendo que outras dificuldades sentidas são colocadas nas mãos de Deus. Poderiam ter emigrado como tantos outros, mas escolheram antes continuar a viver longe da confusão da modernidade e preservar um estilo de vida já por muitos esquecido. “Night Without Distance” do português Lois Patino aborda a vida dos contrabandistas por entre as montanhas do Gerês no norte de Portugal e a Galiza espanhola. São as rochas, o rio e as árvores que testemunham silenciosamente o negócio, enquanto ajudam os seus actores quando se escondem. A eles, só cabe esperar pela noite para atravessar a distância que separa os dois países. Laura Gonçalves realiza “Three weeks in December”, que conta a história pessoal da formação de laços familiares tendo como referência o seu caderno de esboços pessoal e como conteúdo a sua família. É um filme realizado em formato “diário” que revela uma série de situações e acontecimentos que fazem parte da cultura portuguesa aquando das tradições natalícias em Belmonte, terra natal da realizadora. Estas projecções repetem-se a 28 de Abril à mesma hora. Ainda no domingo, a Cinemateca Paixão exibe às 14h30 “Trucker and the Fox” e às 19h30 “The Look of Silence”. O primeiro vem do Irão e conta com a realização de Arash Lahooti, versando na história de vida do camionista e realizador amador Mahmoud Kiana Falavarjani, que protagoniza as suas produções com animais. Após passar algum tempo internado num hospital psiquiátrico devido ao estado maníaco-depressivo depois da morte de uma raposa, seu animal de estimação e estrela dos seus filmes, Mahmoud recomeça a sua vida à volta de um novo projecto protagonizado pela história de amor de um burro. Será também exibido no domingo, pelas 14h00. O segundo, “The Look of Silence”, é uma co-produção entre Indonésia, Dinamarca e Reino Unido com a realização de Joshua Oppenheimer, em que o realizador segue as pegadas dos perpetradores do genocídio indonésio de 1965. O documentário incide num optometrista de seu nome Adi que decide romper com o sufoco da submissão e terror fazendo o inimaginável dentro de uma sociedade dominada por assassinos. “Sister Kim” é exibido na segunda-feira, às 16h30. Uma realização de Lo Chun Yip de Hong Kong, em que a “irmã Kim”, por detrás da Rua Portland em Mongkok, além dos cafés “artsy” e da música francesa que se vai ouvindo, vive num mundo completamente diferente. Trabalha dia e noite a lavar pratos e é uma das muitas vidas que assim sobrevivem em Hong Kong. À mesma hora há também “I’m here” da local Tracy Choi, e “32+4”, de Chan Hau Chun. No primeiro é abordada a homossexualidade e são focados neste filme os constrangimentos diários de quem vive em cidades pequenas. O segundo retrata a história verídica do realizador, que cresceu separado da família e pouco sabe da sua história. Trauma, tristeza e intrigas num documentário pessoal. O Festival decorre até 1 de Maio.