Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região. “Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times. Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN. Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio. “Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião. Pontos comuns A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”. Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”. “Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”. “Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi. O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano. “A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.
Hoje Macau China / ÁsiaEspaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem. A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível. Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar. Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite. Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra. Novas missões na calha Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural. A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas. O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | China pede que se preserve a estabilidade face a ameaças dos EUA A China apelou ontem a que se “preserve a estabilidade” do Irão e manifestou a sua “oposição a qualquer ingerência externa ou ao recurso à força”, em resposta aos avisos de Washington sobre uma possível escalada contra Teerão. Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim “espera e apoia que o Irão mantenha a estabilidade nacional” e reiterou a oposição da China à “interferência nos assuntos internos de outros países” e à “ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais”. As declarações surgem depois de órgãos de comunicação norte-americanos terem noticiado que a Casa Branca está a ponderar diferentes opções, incluindo medidas militares, em relação ao Irão, ao mesmo tempo que Washington instou os seus cidadãos a deixarem o país por razões de segurança. Mao declarou que a China “espera que todas as partes façam mais para contribuir para a paz e a estabilidade no Médio Oriente”. Sobre a situação de segurança e os protestos no Irão, a porta-voz garantiu que a China “acompanhará de perto a evolução dos acontecimentos” e que adoptará “todas as medidas necessárias” para proteger os seus cidadãos no país. No plano económico, Mao reiterou a posição já expressa ontem pela embaixada chinesa em Washington face às ameaças tarifárias do Presidente norte-americano, Donald Trump, dirigidas aos países que mantenham relações comerciais com o Irão. A porta-voz sublinhou que “não há vencedores numa guerra tarifária” e frisou que a China “defenderá firmemente os seus direitos e interesses legítimos e legais”. As declarações surgem depois de Trump ter anunciado a imposição de tarifas adicionais aos países que “façam negócios” com o Irão, uma medida que a China tem vindo a classificar como uma sanção unilateral, num contexto de crescente tensão diplomática e de segurança em torno do país persa.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | MNE em Lisboa para discutir presidência da CPLP e Guiné-Bissau O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste viajou ontem para Lisboa, numa visita de trabalho para discutir a presidência timorense da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação na Guiné-Bissau. A visita de Bendito Freitas “enquadra-se no contexto da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a assumir por Timor-Leste no período entre 2026 e 2027, na sequência da decisão tomada na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Dezembro de 2025”, pode ler-se numa informação divulgada à imprensa. A visita a Portugal vai decorrer entre quarta-feira e dia 21 de Janeiro. Em Lisboa, o chefe da diplomacia timorense vai participar em reuniões de coordenação sobre a presidência da CPLP, entregar os estatutos revistos ratificados pelo parlamento à secretária executiva da organização, Maria de Fátima Jardim, e participar na reunião extraordinária do comité permanente. Bendito Freitas vai também reunir-se com o homólogo português, Paulo Rangel, num encontro em que “serão abordados temas relacionados com o reforço da cooperação bilateral, incluindo a situação política na Guiné-Bissau e a presidência da CPLP de Timor-Leste”, indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense. O programa da visita inclui igualmente encontros com o prémio Nobel da Paz, bispo Ximenes Belo, e com estudantes e a comunidade timorense em Coimbra. Timor-Leste assumiu em Dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau, na sequência de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, após o golpe de Estado no país que depôs Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de Novembro. Integram a CPLP, que assinala este ano o 30.º aniversário, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Missão em águas profundas para extrair terras raras A viagem do navio de perfuração científica, Chikyu, em direcção à remota ilha Minami Torishima no arquipélago japonês, onde se estima existir mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, visa diminuir a dependência do país nipónico do fornecimento chinês Um navio de investigação japonês iniciou ontem uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China. O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00 de ontem, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos. Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho. A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, director de programas do Gabinete do primeiro-ministro. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir. Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo. As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para sectores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos. Tensões regionais A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92 por cento da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o Japão depende da China para 70 por cento das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses. Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim. Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de Fevereiro.
Hoje Macau China / ÁsiaGronelândia | EUA avisados para não usar outros países como pretexto Pequim reafirma o seu compromisso com o direito internacional e adverte as autoridades norte-americanas para não inventarem narrativas com vista a satisfazer os seus interesses próprios A China avisou ontem os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional. “Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir actividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. “As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou. Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”. O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”. Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam. As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO. O povo é quem mais ordena Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, tinha ontem um encontro marcado com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico. Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que desejava discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”. Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no sector comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos. No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojecto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Tribunal analisa pedido de pena mais leve no caso de Jimmy Lai Um tribunal de Hong Kong iniciou ontem uma audiência para discutir a sentença de Jimmy Lai, ex-magnata dos media, cuja condenação ao abrigo da lei de segurança nacional pode acarretar a prisão perpétua. Lai, de 78 anos, é fundador do extinto jornal Apple Daily e conhecido crítico do Partido Comunista Chinês. Foi detido em 2020 ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta por Pequim na região semiautónoma após os protestos em massa contra o Governo local em 2019. Em Dezembro, foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos. Lai deverá comparecer no tribunal ao lado de outros réus durante as chamadas audiências de atenuação, que se prolongam por quatro dias e onde os arguidos podem pedir penas mais leves. A pena máxima é prisão perpétua, com a sentença final a ser proferida mais tarde. Lai foi condenado por duas acusações de conspiração para conluio com forças estrangeiras com o objectivo de pôr em risco a segurança nacional e por uma acusação de conspiração para distribuir publicações sediciosas. Declarou-se inocente de todas as acusações. O crime de conluio ao abrigo da lei de segurança nacional pode ser punido com penas de três anos até prisão perpétua. A acusação de sedição, com base numa lei da era colonial, prevê um máximo de dois anos de prisão.
Hoje Macau China / ÁsiaVenezuela | Pequim manterá apoio independentemente da situação política O Governo chinês reafirmou sexta-feira que, independentemente do que acontecer na Venezuela, o país asiático continuará a apoiar Caracas na defesa da sua soberania e segurança nacional. “A China continuará a apoiar firmemente a Venezuela na salvaguarda da sua soberania, dignidade e segurança nacional, independentemente de como evolua a situação política”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning. A porta-voz destacou que Pequim manteve uma comunicação e cooperação “sólidas” com o Governo venezuelano e que o país “está profundamente empenhado em aprofundar a cooperação prática e promover o desenvolvimento comum”. O país asiático, que tem mantido relações estreitas com Caracas nos últimos anos, condenou duramente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação do expresidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova Iorque. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniuse na quinta-feira com o embaixador da China, Lan Hu, realçando a “posição firme e consequente da China ao condenar energicamente a grave violação do direito internacional e da soberania venezuelana”, segundo informações oficiais venezuelanas. Fontes norteamericanas citadas pela cadeia televisiva ABC indicaram que a Administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a Rodríguez que a Venezuela terá de pôr fim às suas relações com a China, Rússia, Irão e Cuba como condição para poder extrair e comercializar o seu petróleo.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão ameaça retaliar contra EUA e Israel em caso de ataque O presidente do parlamento do Irão avisou ontem que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” em caso de ataque por parte de Washington, tal como ameaçou o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano. Qalibaf, um elemento da ‘linha-dura’ iraniana que já concorreu à presidência no passado, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento, gritando: “Morte à América!” Durante a sessão do parlamento, transmitida em directo pela televisão estatal iraniana, Mohammad Qalibaf fez um discurso aplaudindo a polícia e a Guarda Revolucionária paramilitar do Irão, particularmente os seus voluntários Basij, por terem “permanecido firmes” durante os protestos realizados no país contra a teocracia iraniana. “O povo do Irão deve saber que lidaremos com eles da forma mais severa e puniremos aqueles que forem detidos”, disse. Qalibaf prosseguiu ameaçando directamente Israel, referindo-se-lhe como “o território ocupado”, e também as forças armadas dos EUA: “No caso de um ataque ao Irão, tanto o território ocupado como todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão nossos alvos legítimos”, afirmou, acrescentando: “Não nos consideramos limitados a reagir após a acção e agiremos com base em quaisquer sinais objectivos de ameaça”. A seriedade das intenções do Irão em relação ao lançamento de um potencial ataque ainda não é clara, especialmente após o país ter ficado com as defesas aéreas destruídas durante a guerra de 12 dias em Junho com Israel. Qualquer decisão de entrar em guerra caberia ao líder supremo do Irão, o ‘Ayatollah’ Ali Khamenei, de 86 anos. Morte na rua As forças armadas dos EUA afirmaram no Médio Oriente que estão “posicionadas com forças que abrangem toda a gama de capacidade de combate para se defenderem, os parceiros e aliados e os interesses dos EUA”. Entretanto, os protestos que desde há duas semanas decorrem no Irão que contestam o regime e que, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), já provocaram pelo menos 192mortos, levaram ontem manifestantes a inundar as ruas da capital e da segunda maior cidade do país. O New York Times e o Wall Street Journal, citando funcionários anónimos dos EUA, disseram no sábado à noite que Trump recebeu opções militares para um ataque ao Irão, mas não tomou uma decisão final.
Hoje Macau China / ÁsiaLíder do Japão pondera dissolver parlamento e convocar eleições, revela imprensa A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está a considerar dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, já em Janeiro, avançou a imprensa japonesa. De acordo com a agência de notícias nipónica Kyodo, que cita fontes próximas das discussões, a dissolução poderá ocorrer no início da sessão ordinária da Dieta (o parlamento japonês), que começa a 23 de Janeiro. Caso o parlamento seja dissolvido, a campanha para as eleições gerais poderá começar já a 27 de Janeiro ou 03 de Fevereiro, ficando a votação marcada para 08 ou 15 de Fevereiro, dependendo de quando a campanha começar. De acordo com o jornal japonês Yomiuri Shimbun, que cita as mesmas datas, Takaichi pondera dissolver a Dieta devido às elevadas taxas de aprovação de que o Governo tem gozado desde que assumiu o poder, em Outubro, após a demissão do seu antecessor, Shigeru Ishiba, como chefe do Governo e líder do partido no poder no Japão. Devido a uma série de resultados eleitorais desfavoráveis, o Partido Liberal Democrático de Takaichi e os parceiros de coligação detêm uma pequena maioria de um lugar na Câmara dos Representantes (a mais importante das duas câmaras da Dieta) e estão em minoria na Câmara dos Conselheiros. Até à data, Takaichi tem rejeitado consistentemente a possibilidade de convocar eleições antecipadas, sublinhando, em vez disso, a importância de aprovar medidas para lidar com o impacto para as famílias da inflação persistente e dos salários estagnados. Tensão regional O Governo da primeira-ministra tem elevadas taxas de aprovação apesar do agravamento das tensões entre Tóquio e Pequim. Na quarta-feira, a China anunciou um veto à exportação de produtos de uso dual para o Japão, medida que pode incluir certos elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de componentes para alta tecnologia. Isto após, em Novembro, a primeira-ministra ter admitido, no parlamento japonês, uma eventual resposta militar do Japão a um ataque chinês contra Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Etiópia e reafirma apoio ao princípio de ‘Uma Só China’ O Governo da Etiópia rejeitou sexta-feira “toda a forma de independência de Taiwan” e reafirmou o seu apoio ao princípio de “uma só China”, considerando a ilha uma província do território chinês. A posição foi expressa num comunicado conjunto após um encontro em Adis Abeba entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, e o homólogo chinês, Wang Yi, que se encontra de visita ao continente africano. “A Etiópia reafirma o seu firme compromisso com o princípio de ‘uma só China’ e declara que só existe uma China no mundo, que Taiwan é parte inalienável do território chinês e que o Governo da República Popular da China é o único Governo legal que representa toda a China”, lê-se na nota oficial. Ambas as partes sublinharam ainda que “todos os países devem respeitar os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados e opor-se à utilização ou ameaça do uso da força nas relações internacionais”.
Hoje Macau China / ÁsiaBRICS+ | Navios da China, Rússia, Irão e África do Sul em exercício militar Desde sexta-feira, que a frota naval com navios de países dos BRICS participa na operação “Vontade de Paz 2026” em território sul-africano Navios da China, Rússia e Irão juntaram-se à anfitriã África do Sul onde iniciaram sexta-feira um exercício militar, em que participam ainda outros países do grupo BRICS+, elevando as tensões geopolíticas com os Estados Unidos. Segundo o exército sul-africano, esta operação, baptizada de “Vontade de Paz 2026” e conduzida pela China, visa “garantir a segurança do transporte marítimo” e “aprofundar a cooperação” entre os membros do bloco, estando previsto que os exercícios decorram até 16 de Janeiro. A frota naval, que conta com navios chineses, russos e iranianos, inclui o contratorpedeiro chinês Tangshan, de 161 metros de comprimento, e com a previsão de envio de navios pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto países como o Brasil, Indonésia e Etiópia participam na qualidade de observadores. Um porta-voz das forças armadas sul-africanas afirmou que não era possível confirmar todos os países participantes, como a Índia, Egipto e Arábia Saudita, nos exercícios. O Ministério da Defesa da África do Sul salientou que este exercício naval “não tem nada a ver com a Venezuela”, descartando qualquer ligação com as apreensões de navios ao largo do país da América Latina, que Washington começou em Dezembro, antes de destituir o chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro. “Este exercício estava em preparação desde 2025 e foi adiado devido à cimeira do G20 que se realizou no mesmo período” em Joanesburgo, África do Sul, acrescentou. Uma tentativa de apaziguamento sem efeito sobre os Estados Unidos, que boicotaram esta primeira cimeira do grupo dos 20 países mais desenvolvidos realizada em África. Donald não gosta O bloco de países emergentes que são os Brics+ foi acusado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de conduzir políticas “antiamericanas”. Em Fevereiro, Trump, afirmou, num decreto, que a África do Sul apoia “maus actores no cenário mundial” e destacou as suas relações com o Irão como uma das razões para os EUA cortarem o financiamento ao país. De acordo com o investigador do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória Priyal Singh, “Washington tem Pretória na mira desde o início da actual administração Trump” e “a imagem veiculada pelos próximos exercícios navais provavelmente será usada pelos decisores políticos em Washington como um exemplo perfeito para mostrar por que as relações bilaterais com a África do Sul devem ser revistas”. A África do Sul há muito afirma seguir uma política externa não alinhada e permanecer neutra, mas a presença russa no extremo sul do continente africano já prejudicou as suas relações com os EUA anteriormente. Estes exercícios navais devem acrescentar ainda mais tensão as relações entre os EUA e a África do Sul, que é a economia mais avançada da África e uma voz de liderança no continente. A complexidade do evento é ainda reforçada pela participação da marinha iraniana num período de crescente instabilidade interna e protestos contra a liderança da República Islâmica no país. Os membros do grupo BRICS são o Brasil, China, Rússia, Índia e a África do Sul, membros de longa data, enquanto o Irão, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos aderiram ao grupo em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Adiada visita oficial à Somália O ministro dos Negócios Estrangeiros da China adiou a visita à Somália prevista para sexta-feira, no âmbito da sua digressão por África, anunciou a presidência somali. “Lamentamos que a visita prevista do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês tenha sido adiada à última hora. Pedimos desculpa”, declararam à agência espanhola EFE fontes da presidência somali, sem darem uma justificação para o adiamento, nem indicarem uma nova data para a visita oficial. A deslocação de Wang Yi seria a primeira de um chefe da diplomacia chinesa a este país do Corno de África desde a década de 1980. O cancelamento ocorreu numa altura em que a capital somali, Mogadíscio, se encontrava praticamente paralisada devido a um forte dispositivo de segurança em toda a cidade, montado para receber o responsável da diplomacia chinesa. O adiamento surge num momento em que o Governo somali procura apoio internacional, depois de Israel ter reconhecido, em Dezembro, a região secessionista somali da Somalilândia como Estado independente, tornando-se o primeiro país a dar esse passo. Essa decisão provocou uma ampla rejeição internacional, sobretudo em África, no mundo islâmico, na China e na União Europeia. A Somália vive numa situação de conflito e caos desde a queda de Mohamed Siad Barre, em 1991, o que deixou o país sem um Governo efectivo e nas mãos de milícias islamistas, como o Al-Shebab, e de senhores da guerra.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Membro do regulador nuclear perde telemóvel na China As autoridades japonesas estão a investigar a perda de um telemóvel profissional, alegadamente na China, que continha uma lista confidencial de contactos da Autoridade de Regulação Nuclear, segundo confirmou à France-Presse um responsável do organismo. O incidente, tornado agora público, terá ocorrido no aeroporto de Xangai, em 03 de Novembro, quando o funcionário atravessava o controlo de segurança. A ausência do dispositivo só foi notada três dias depois, e, de acordo com a imprensa japonesa, não foi possível bloqueá-lo ou apagar remotamente os seus dados por já se encontrar fora de alcance. Embora o telemóvel não contivesse acesso directo a dados nucleares, segundo o responsável citado – que não quis ser identificado – a lista incluía nomes e contactos de membros da divisão de segurança nuclear da entidade reguladora – informação que não é de acesso público devido à sensibilidade das funções. A revelação surge num contexto de crescente tensão entre Pequim e Tóquio, após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido em Novembro que o país poderia intervir militarmente em caso de agressão chinesa contra Taiwan. Simultaneamente, a operadora Tokyo Electric Power (TEPCO) procura a aprovação final para reactivar a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, encerrada após o desastre de Fukushima, em 2011. O Japão tem vindo a retomar gradualmente a energia nuclear, com 14 reactores já reactivados, no quadro de metas de neutralidade carbónica até 2050 e aumento da procura de eletricidade devido à inteligência artificial. O telemóvel perdido foi reportado às autoridades japonesas de protecção de dados em novembro, de acordo com o regulador nuclear. O caso reacende preocupações sobre segurança da informação no sector da energia nuclear num momento delicado da política energética japonesa.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Zhipu AI lidera ronda de estreias em bolsa no valor de 1.030 ME O interesse dos investidores no mercado tecnológico continua a dar frutos e leva cada vez mais empresas chinesas ligadas à Inteligência Artificial a entrar na bolsa de Hong Kong A empresa chinesa de inteligência artificial Zhipu AI estreou-se ontem na bolsa de Hong Kong, num dia em que outras duas tecnológicas também entraram no mercado, angariando em conjunto 1.200 milhões de dólares. A Zhipu, oficialmente designada Knowledge Atlas Technology e que adopta o nome Z.ai nos mercados estrangeiros, registava uma tendência ascendente ao meio da sessão, com uma valorização de 11,19 por cento, após ter angariado cerca de 559 milhões de dólares. Trata-se da primeira empresa chinesa especializada exclusivamente em modelos de linguagem de grande escala a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Segundo o seu cfundador e director executivo, Zhang Peng, a escolha desta praça financeira está relacionada com as ambições de internacionalização da companhia. Zhang referiu que Hong Kong e o Sudeste Asiático serão os primeiros mercados a serem explorados, seguindo-se o Médio Oriente, a Europa e o chamado “Sul Global”. O responsável apontou os baixos custos como principal atractivo da Zhipu face a modelos concorrentes, no objectivo de conquistar novos utilizadores. A tecnológica junta-se assim a outras empresas chinesas do sector que têm aproveitado o interesse dos investidores no crescimento da IA no país. Uma das principais concorrentes da Zhipu, a MiniMax – também rival da OpenAI (criadora do ChatGPT) e da Anthropic (desenvolvedora do Claude) – tem estreia marcada para sexta-feira na mesma bolsa. Outras estreias Ontem, também se estrearam em Hong Kong a fabricante de chips gráficos Shanghai Iluvatar CoreX Semiconductor, que abriu com ganhos de 31,5 por cento após angariar 473 milhões de dólares, e a produtora de robôs cirúrgicos Edge Medical, que subiu 36,4 por cento, arrecadando cerca de 154 milhões de dólares. Na semana passada, a Biren Technology, especializada em chips de IA, valorizou-se quase 76 por cento no seu primeiro dia de negociação. Em Dezembro, outras duas empresas do sector, a Moore Threads e a MetaX, registaram subidas superiores a 100 por cento na bolsa de Xangai. Apesar de admitir que os modelos chineses estão a reduzir a distância face aos norte-americanos, Zhang Peng reconheceu que ainda persistem lacunas em áreas como investigação, recursos e inovação. A Zhipu foi colocada numa lista negra comercial pelos Estados Unidos em 2025, o que dificulta o seu acesso a tecnologia norte-americana.
Hoje Macau China / ÁsiaCamboja liquida banco de magnata líder de rede de burlas O Camboja anunciou ontem a liquidação imediata do Prince Bank, propriedade do magnata chinês Chen Zhi, detido esta semana e extraditado para a China, onde é investigado por liderar uma rede transnacional de fraude e tráfico de pessoas. Numa resolução publicada pelo Banco Nacional do Camboja, a entidade ficou impedida de aceitar depósitos e conceder empréstimos, um dia após Phnom Penh confirmar a detenção e entrega de Chen a Pequim. A liquidação será supervisionada pela empresa Morisonkak MKA, que deverá garantir o levantamento dos depósitos pelos clientes e a continuação do pagamento dos créditos em curso. O Prince Bank era uma das mais de 100 empresas do conglomerado Prince Group, fundado por Chen Zhi, que ao longo da última década expandiu-se em áreas como turismo, tecnologia, logística, alimentação e finanças. Várias dessas empresas foram identificadas por Washington como fachadas para esquemas de burla ‘online’ e redes de tráfico humano no Sudeste Asiático. O ministério do Interior cambojano afirmou que a detenção de Chen, de 37 anos, ocorreu na terça-feira, “no âmbito da cooperação para combater o crime transnacional e a pedido das autoridades chinesas”. A operação incluiu também a captura dos cidadãos chineses Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, igualmente extraditados. Investigação conjunta Phnom Penh revelou que Chen foi despojado da nacionalidade cambojana em Dezembro, por decreto real, meses depois de garantir que o empresário a tinha obtido legalmente. A detenção, segundo o comunicado, foi resultado de “meses de investigação conjunta” com a China. Em Outubro passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Chen de crimes financeiros ligados ao trabalho forçado. As autoridades norte-americanas alegam que o empresário liderava uma operação de burla ‘online’ “em escala industrial”, envolvendo centenas de vítimas mantidas sob coação em instalações semelhantes a prisões no Camboja. A justiça dos EUA confiscou 15 mil milhões de dólares em bitcoin ao grupo, na maior apreensão de criptomoedas na sua história. No ano passado, o porta-voz do ministério do Interior do Camboja declarou que Chen não se encontrava no país e que nem ele nem a sua empresa enfrentavam acusações locais. A mudança de posição foi agora interpretada como sinal de maior alinhamento com Pequim no combate ao crime financeiro e às redes de burla transfronteiriça.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA | Pequim condena intercepção de navio ligado à Rússia Pequim denunciou ontem a apreensão por parte dos Estados Unidos de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais, classificando a acção como “arbitrária” e uma violação do direito internacional. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a detenção de navios de outros países em alto-mar “contraria gravemente o direito internacional” e os princípios da Carta das Nações Unidas. As declarações surgem após a Guarda Costeira dos EUA ter interceptado o petroleiro Marinera – anteriormente conhecido como Bella 1 – no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude. Moscovo já qualificou a operação como uma “intercepção ilegal” e exigiu um tratamento “humano e digno” para a tripulação. Pequim reiterou também a sua oposição às sanções unilaterais impostas por Washington sem respaldo das Nações Unidas, considerando que estas “carecem de base legal”. Em resposta a notícias sobre um possível agravamento das sanções norte-americanas contra a Rússia – com advertências dirigidas a empresas de países como a China, Índia ou Brasil – Mao Ning sublinhou que a cooperação económica, comercial e energética entre Pequim e Moscovo é “normal” e “não visa terceiros”, pelo que “não deve ser interferida”. A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas. Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada “frota fantasma” usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington, Moscovo e agora também Pequim.
Hoje Macau China / ÁsiaGronelândia | China apela ao respeito pela Carta da ONU Pequim defendeu ontem que as relações entre países devem respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas, após declarações dos Estados Unidos sobre uma possível acção militar para assumir o controlo da Gronelândia. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning disse em conferência de imprensa que a posição de Pequim tem sido consistente ao defender que as relações entre Estados devem ser geridas de acordo com os objectivos e princípios da Carta da ONU, sem fazer mais comentários sobre o caso. O tema surgiu após Washington ter sugerido novamente a possibilidade de utilizar meios militares na sua estratégia para adquirir ou influenciar o controlo da Groenlândia, uma questão que tem gerado oposição de países europeus e do próprio governo dinamarquês, que afirmam que o território só pode decidir o seu futuro soberanamente. As declarações de Mao ocorrem num contexto de tensão internacional ampliado pela recente operação militar dos EUA na Venezuela, na qual as forças norteamericanas capturaram o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e que suscitou debate sobre a legalidade do uso da força e o respeito pela soberania de Estados. A China tem intensificado apelos ao respeito pelo direito internacional e à soberania dos Estados na sequência das ações externas dos EUA, sublinhando que qualquer controlo de território soberano por outro país deve respeitar as normas e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Pequim anuncia nova medida contra o Japão A China agravou ontem a tensão comercial com o Japão ao anunciar uma investigação ‘antidumping’ sobre importações dum gás químico usado na produção de semicondutores, depois de impor restrições à exportação de produtos de uso dual. O ministério do Comércio chinês justificou a medida com base numa queixa da indústria doméstica, que alegou uma queda de 31 por cento nos preços das importações japonesas de dicloro silano entre 2022 e 2024. “O ‘dumping’ de produtos importados do Japão prejudicou a produção e as operações da nossa indústria nacional”, lê-se no comunicado. A decisão surge após Pequim ter proibido na terça-feira a exportação para o Japão de bens considerados de uso dual – com possíveis fins civis e militares. As relações entre os dois países deterioraram-se nas últimas semanas, depois de a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido que as Forças Armadas do Japão poderiam intervir caso a China tomasse medidas contra Taiwan. As tensões aumentaram ainda mais na terça-feira, quando o deputado japonês Hei Seki – sancionado anteriormente por Pequim por “espalhar falsidades” sobre Taiwan – visitou a ilha e declarou que Taiwan é um país independente. “Vim a Taiwan para demonstrar isso e dizer ao mundo que Taiwan é um país independente”, afirmou, segundo a agência oficial de notícias de Taiwan, CNA. Questionada sobre estas declarações, a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, respondeu: “Palavras odiosas de um vilão insignificante não merecem comentário”. O director para os Assuntos da Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Masaaki Kanai, apelou à China para levantar as restrições comerciais e classificou como “inaceitável” qualquer medida dirigida exclusivamente ao Japão e fora das práticas internacionais. Tóquio, no entanto, ainda não anunciou retaliações. Trunfos raros Cresce, entretanto, a especulação de que a China poderá impor restrições à exportação de terras raras para o Japão, à semelhança do que já fez com os Estados Unidos no contexto da guerra comercial entre os dois países. A China detém a maior parte da produção mundial de terras raras pesadas, essenciais para a produção de ímanes resistentes ao calor utilizados nas indústrias de defesa e veículos eléctricos. Embora o ministério não tenha mencionado novas restrições neste sector, o jornal oficial China Daily citou fontes anónimas segundo as quais Pequim está a considerar limitar exportações de certos metais raros para o Japão – informação não confirmada de forma independente. Enquanto as relações com o Japão se agravam, a China tem procurado estreitar laços com a Coreia do Sul. O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, concluiu ontem uma visita de quatro dias à China – a primeira desde que assumiu funções, em Junho – durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, e supervisionou a assinatura de acordos nas áreas da tecnologia, comércio, transportes e proteção ambiental. Durante a visita, foram assinados 24 contratos de exportação, no valor total de 44 milhões de dólares, segundo o ministério sul-coreano do Comércio e Indústria. A imprensa chinesa assinalou ainda que, durante o feriado de Ano Novo, a Coreia do Sul ultrapassou o Japão como principal destino de voos internacionais a partir da China continental. Pequim tem desaconselhado as viagens ao Japão, alegando que as declarações das autoridades japonesas sobre Taiwan representam “riscos significativos” para a segurança dos cidadãos chineses no país.
Hoje Macau China / ÁsiaVenezuela | Global Times adverte para “grave erosão” da ordem internacional Um editorial de um jornal do Partido Comunista Chinês advertiu ontem que a operação militar dos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente venezuelano, representa uma grave erosão da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. O Global Times denuncia a “subversão dos princípios fundamentais do direito internacional”, incluindo a igualdade soberana, a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados e a proibição do uso da força, ao permitir que “certos países decidam unilateralmente quem é culpado, quem deve ser punido e de que forma”. “Se tais práticas forem toleradas, o direito internacional será reduzido a uma ferramenta aplicada selectivamente, e o mecanismo colectivo de segurança estabelecido pela Carta das Nações Unidas será esvaziado”, lê-se no editorial. O jornal sublinha que a detenção e transferência de um chefe de Estado em funções, sem mandado claro das Nações Unidas, não é apenas uma violação da soberania de um país, mas um ataque directo à previsibilidade e à autoridade do direito internacional. “O que está em causa não é apenas a segurança da Venezuela, mas o futuro da ordem jurídica internacional”, escreve o jornal em língua inglesa, recordando que vários representantes expressaram preocupações semelhantes numa reunião do Conselho de Segurança da ONU. O Global Times considera que a imposição da força sobre as regras multilaterais representa um retorno ao “estado de natureza” hobbesiano, onde os fortes ditam as regras. “A esmagadora maioria dos países não deseja regressar a uma selva internacional regida pela lei do mais forte”, afirma. Fábrica de histórias A publicação também critica o que classifica como “narrativas fabricadas” por Washington para justificar a operação, afirmando que substituir normas jurídicas por julgamentos políticos arbitrários apenas gera instabilidade global e enfraquece o sistema multilateral. Pequim tem-se manifestado abertamente contra a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, afirmou esta semana que os EUA “pisotearam de forma arbitrária a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela”, apelando à libertação imediata de Maduro e da sua esposa. Contra intimidação O Governo chinês considerou ontem como um acto de intimidação a alegada exigência dos Estados Unidos à Venezuela para que esta rompa relações económicas com Pequim como condição para explorar e comercializar o seu petróleo. Questionada em conferência de imprensa sobre a informação avançada pela cadeia de televisão norteamericana ABC News, Mao Ning declarou que a Venezuela “é um país soberano e goza de plena e permanente soberania sobre os seus recursos naturais e todas as actividades económicas no seu território”. Segundo a ABC News, a Administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, terá exigido à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, o fim dos laços com China, Rússia, Irão e Cuba como précondição para reiniciar a produção e venda de crude. Mao qualificou a alegada pressão como “uso descarado da força” e afirmou que a tentativa de condicionar o acesso aos recursos energéticos venezuelanos a uma lógica de “Estados Unidos primeiro” constitui um “caso típico de intimidação” que “viola gravemente o direito internacional, infringe seriamente a soberania da Venezuela” e “prejudica os direitos do povo venezuelano”. Mao reiterou que Pequim defende a cooperação económica entre Estados soberanos e destacou que a China “sempre desenvolveu intercâmbios e cooperação com outros países com base no respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco”.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Pequim acusa William Lai de “sabotar a paz” A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “sabotar a paz”, após o seu discurso de Ano Novo, no qual alertou para o aumento da pressão de Pequim e apelou ao reforço da defesa da ilha. A reacção partiu do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, cujo porta-voz, Chen Binhua, classificou a mensagem como “cheia de mentiras, hostilidade e malícia” e acusou Lai de repetir “falácias separatistas” sobre a independência de Taiwan e de “incitar à confrontação entre os dois lados do estreito”. Segundo Pequim, Lai recorreu à retórica de “democracia contra autoritarismo” para “confundir os compatriotas taiwaneses e enganar a opinião pública internacional”, demonstrando uma postura “incorrigível” de apoio à independência da ilha. Chen Binhua foi mais longe ao descrever Lai como um “desestabilizador da paz”, “criador de crises” e “instigador da guerra”, argumentando que o líder taiwanês “intensificou deliberadamente as tensões” desde que assumiu o cargo e promove uma estratégia de “preparação para a guerra com o objectivo de alcançar a independência”. “O fracasso da independência de Taiwan é inevitável”, lê-se no comunicado, que reitera que “Taiwan faz parte da China” e apela à população da ilha para “se opor firmemente ao separatismo e à interferência externa”.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Secretário cancela visita aos EUA O secretário para a Inovação, Tecnologia e Indústria de Hong Kong, Sun Dong, cancelou, sem qualquer explicação, uma visita aos Estados Unidos, quatro horas depois da deslocação ter sido anunciada. Num comunicado divulgado às 12:00 de terça-feira, o Governo da região chinesa disse que Sun iria participar na Consumer Electronics Show (CES), uma das maiores feiras de tecnologia e electrónica de consumo do mundo, que está a decorrer em Las Vegas. O secretário iria liderar a maior delegação de sempre de Hong Kong à CES, composta por 61 empresas, sublinhou o comunicado. A deslocação iria incluir uma passagem pela cidade de São Francisco, onde Sun iria visitar e “trocar também experiências com empresas de tecnologia locais e uma universidade na região de Silicon Valley”. No entanto, num outro comunicado, publicado às 16:20, com apenas uma frase, o Governo anunciou que Sun tinha cancelado a visita aos Estados Unidos. O gabinete do secretário disse à imprensa de Hong Kong que o Governo realiza constantemente “avaliações dinâmicas” sobre a conveniência das viagens internacionais. “Após uma avaliação, decidiu-se cancelar a viagem”, disse um porta-voz do gabinete. O Governo sublinhou que a delegação empresarial irá participar na feira de Las Vegas, liderada por dirigentes do Conselho para a Promoção do Comércio de Hong Kong. O cancelamento da visita de Sun Dong aconteceu no mesmo dia em que a China acusou os Estados Unidos de colocarem a sua legislação interna acima do direito internacional, em reação à detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação militar norte-americana.
Hoje Macau China / ÁsiaXangai | Anunciado investimento de 8,5 mil milhões de euros em alta tecnologia A cidade chinesa de Xangai anunciou ontem um plano de investimento no valor de 10 mil milhões de dólares em sectores tecnológicos, no âmbito da estratégia de auto-suficiência delineada por Pequim. Segundo o portal de notícias local Shanghai Eye, o distrito de Pudong – o maior e mais populoso da cidade – vai acolher cerca de 50 novos projectos, com um investimento total superior a 70 mil milhões de yuan, cujos acordos foram assinados esta semana. Grande parte dos projectos está concentrada em áreas consideradas estratégicas, como os semicondutores, inteligência artificial (IA), biofarmacêutica, veículos inteligentes e aviação. Segundo o jornal South China Morning Post, Xangai junta-se assim a outras cidades chinesas que anunciaram planos ambiciosos para 2026, ano em que arranca o novo plano quinquenal (2026-2030), que tem como objectivo prioritário o reforço da capacidade tecnológica interna. “O esforço da China para se equiparar aos Estados Unidos e consolidar a sua liderança emergente em tecnologias avançadas depende de que algumas cidades-chave, incluindo Xangai, consigam alcançar mais resultados e avanços”, afirmou Fu Weigang, presidente do ‘think tank’ Instituto de Finanças e Direito de Xangai. O distrito de Pudong, situado na margem oriental do rio Huangpu, alberga a sede da principal fabricante chinesa de semicondutores, a SMIC, assim como outras empresas tecnológicas relevantes, como a Shanghai Micro Electronics Equipment (equipamentos de litografia) e a gigante de IA SenseTime.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Forte sismo mas sem alerta de tsunami A zona oeste do arquipélago nipónico foi ontem abalada por um sismo de 6,2 na escala de Richter, que, no entanto, não levou à emissão de um sinal de alerta de tsunami, nem parece ter provocado danos de grande monta Um sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter atingiu ontem a costa oeste do Japão, informou a agência meteorológica japonesa (JMA, na sigla em inglês), que não emitiu alerta de tsunami. O sismo foi registado às 10:18 no departamento de Shimane, informou a JMA, indicando que a mesma área foi atingida por vários tremores mais fracos, de magnitudes entre 3,8 e 5,4, nos minutos seguintes. As primeiras imagens da cidade de Matsue, próxima ao epicentro, e dos arredores, transmitidas pela NHK, mostravam pessoas que foram retiradas dos edifícios e se reuniram nas ruas, mas sem danos aparentes. De acordo com a emissora pública japonesa, os bombeiros de Matsue receberam chamadas de emergência para atender feridos, sem dar mais detalhes. Citado pela NHK, a empresa Chugoku Electric, que gere a central nuclear de Shimane, afirmou não ter detectado qualquer anomalia até às 10:45. A circulação de comboios de alta velocidade, os Shinkansen, foi interrompida na região devido a uma falha de energia, anunciou a companhia ferroviária JR West, sem estabelecer uma ligação directa com o terramoto. Outros valores O Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos registou, por sua vez, uma magnitude ligeiramente inferior para o primeiro tremor, de 5,7. Em 08 de Dezembro, um sismo de magnitude 7,5 atingiu o Japão ao largo da costa norte, provocando ondas de tsunami que atingiram 70 centímetros e feriram mais de 40 pessoas, sem causar danos elevados. Na sequência deste tremor, a JMA emitiu um raro aviso sobre o risco acrescido de um mega-sismo – definido como um tremor de magnitude igual ou superior a 8 – no norte do país. Os cientistas estimam que, após um abalo de magnitude 7 ou superior, há 1 por cento de probabilidade de ocorrer um mega-terramoto nos sete dias seguintes. O país ainda vive o trauma do sismo de magnitude 9, em Março de 2011, que provocou um tsunami, causando cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos. Este abalo ocorreu na costa do Pacífico do Japão, ao longo da fossa de Nankai, ao largo do país.