Hoje Macau China / ÁsiaUE | China ameaça retaliar contra lei industrial O ministério do Comércio da China afirmou ontem que a proposta de lei do acelerador industrial da União Europeia introduz “barreiras graves ao investimento” e “discriminação institucional” contra empresas estrangeiras e advertiu que responderá se Bruxelas avançar. Em comunicado publicado no seu portal oficial, a tutela indicou que, na passada sexta-feira, apresentou formalmente às autoridades europeias os seus comentários ao projecto legislativo, nos quais expressa “grave preocupação” com o conteúdo. Segundo Pequim, a iniciativa impõe “numerosos requisitos restritivos” ao investimento estrangeiro em quatro scetores estratégicos emergentes e dominados pela China: baterias, veículos eléctricos, energia fotovoltaica e matérias-primas críticas. O ministério criticou ainda a inclusão de cláusulas “discriminatórias” de “origem UE” na contratação pública e nas políticas de apoio estatal. O ministério do Comércio sustentou que a proposta “poderia violar” princípios básicos como o de “nação mais favorecida” e o “tratamento nacional”, além de contrariar acordos internacionais sobre tarifas, investimento, propriedade intelectual ou subsídios. A tutela acrescentou que a lei prejudicaria as expectativas de investimento das empresas chinesas na Europa, seria contrária à “concorrência justa” e poderia travar a transição verde europeia, além de afetar o sistema multilateral de comércio. Resposta pronta Pequim instou Bruxelas a retirar do texto os requisitos considerados discriminatórios para investidores estrangeiros, as exigências de conteúdo local, as disposições sobre transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual e as restrições na contratação pública. O ministério avisou também que acompanhará de perto o processo legislativo e que, se a União Europeia “ignorar” as suas observações e a norma prejudicar empresas chinesas, Pequim “não terá mais opção senão adoptar contramedidas”. A Comissão Europeia apresentou o projecto em Março como um dos pilares da estratégia para reindustrializar o continente e reduzir dependências em sectores estratégicos face a potências como a China ou os Estados Unidos. A proposta prevê a exigência de um mínimo de produção europeia na atribuição de apoios públicos e a imposição de condições a grandes investimentos estrangeiros, o que afecta empresas chinesas.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção | Julgamento de Netanyahu novamente adiado O depoimento do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no julgamento por corrupção foi ontem novamente adiado por motivos de segurança, noticiou a imprensa de Israel. O depoimento do primeiro-ministro, que estava previsto ser retomado ontem após um adiamento de relacionado com a guerra de Israel contra o Irão, foi suspenso uma hora antes do início, devido a “preocupações de segurança” evocadas pelo advogado, Amit Hadad. De acordo com os meios de comunicação israelitas Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada a nova data para a continuação do julgamento do primeiro-ministro. Netanyahu solicitou formalmente um indulto ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a 30 de Novembro do ano passado. No domingo, Herzog afirmou que não vai analisar o pedido até que as tentativas de chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem. Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos de alegada corrupção em que está envolvido. Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais: dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave. Este último relaciona-se com alegados favores concedidos pelo primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura mediática favorável.
Hoje Macau China / ÁsiaFarmácia | Indiana Sun Pharm compra grupo norte-americano Organon por 10.000 ME A farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou ontem que concluiu um acordo para adquirir o grupo americano Organon, especializado em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares. O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das acções da Organon ao preço de 14 dólares por acção, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto. A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração dos dois grupos e deve estar concluída “no início de 2027”, sujeita à obtenção das aprovações regulatórias necessárias e ao acordo dos accionistas. Esta operação está “em linha recta” com o projecto da Sun Pharma de desenvolver a sua actividade de “medicamentos inovadores”, acrescenta o comunicado, destacando que também permite ao gigante indiano tornar-se um dos dez principais actores globais do mercado de biossimilares. “O portfólio, as capacidades e o alcance global da Organon são muito complementares aos nossos”, declarou o presidente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, num comunicado. “Acreditamos que a fusão destas duas organizações permitirá criar uma plataforma mais sólida e diversificada”, sublinhou. A presidente da Organon, Carrie Cox, estimou que esta aquisição representava um “valor imediato e convincente” para os accionistas. O laboratório americano Organon oferece medicamentos e soluções terapêuticas para mulheres, cobrindo uma gama que vai da contracepção à fertilidade, passando por doenças cardiovasculares e cancros. A Índia, frequentemente denominada “farmácia do mundo”, exportou mais de 31.000 milhões de dólares em medicamentos no último exercício fiscal.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços. Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”. Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano. Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”. Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou. Ásia em foco O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026. A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram. A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio. A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas. A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional. Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.
Hoje Macau China / ÁsiaIndústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março. O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento. Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas. No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão. Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.
Hoje Macau China / ÁsiaYuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times. O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico. Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante. “Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais. Papel de relevo O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total. A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos. Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis. O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais. Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate. Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo. Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul. O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia. “Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou. Abertura total Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh. Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.
Hoje Macau China / ÁsiaRússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia. “A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição. O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”. “A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia. Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | DeepSeek lança novo modelo de IA A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA. No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat. O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa. Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia. A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw. “Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil. Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países. Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções. As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China. Riscos persistentes Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes. Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”. O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.
Hoje Macau China / ÁsiaCooperação | Coreia do Norte e Rússia concluem ligação de ponte A Coreia do Norte e a Rússia concluíram as obras para ligar a ponte que une os dois territórios, com vista à inauguração “o mais rapidamente possível”, afirmou ontem a imprensa estatal norte-coreana. As obras terminaram na terça-feira, de acordo com a agência de notícias KCNA, que escreve que o importante projecto se destina a “reforçar e fortalecer a infraestrutura vital para a cooperação económica” bilateral. A agência acrescentou que ambos os países estão a “trabalhar intensamente” para concluir e inaugurar o mais rapidamente possível a ponte rodoviária, que permitirá atravessar o rio Tumen, na fronteira terrestre de apenas 20 quilómetros que ambos os países partilham. As obras de construção da ponte começaram em Março de 2025, e o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a ponte vai ser inaugurada até ao final do ano. À ponte junta-se o reinício dos voos e da ligação ferroviária com Pyongyang, em 2025, embora, segundo afirmaram em Março os meios de comunicação russos, a ligação aérea entre Moscovo e Pyongyang não tenha atingido a ocupação desejada. A Rússia e a Coreia do Norte reforçaram a cooperação desde o início da guerra na Ucrânia, durante a qual Pyongyang forneceu armamento e tropas a Moscovo. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu divisas, bens e tecnologia russa. Ainda esta semana, o ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokoltsev, acordou reforçar a cooperação policial com o homólogo norte-coreano, Pang Tu-Sop, numa reunião bilateral realizada em Pyongyang.
Hoje Macau China / ÁsiaSamsung | Milhares de trabalhadores pedem bónus e ameaçam com greve Milhares de trabalhadores da Samsung Electronics protestaram ontem em Seul para pedirem bónus mais elevados à multinacional sul-coreana, tendo ameaçado com uma greve de 18 dias caso as negociações falhem. Segundo as estruturas sindicais, esta manifestação, junto ao complexo de Pyeongtaek, deverá ter sido o maior protesto dos trabalhadores da fabricante sul-coreana de ‘chips’. O protesto foi convocado por uma plataforma conjunta de três sindicatos e decorreu junto ao maior centro de fabrico de semicondutores do mundo, no sul de Seul, noticia a Efe. De acordo com as autoridades, estiveram presentes 34.000 participantes – abaixo da estimativa de 39.000 da organização –, diz a Efe, que remete para os locais JoongAng Daily e Chosun Daily. Os trabalhadores exigem a eliminação actual do limite para o bónus de desempenho, fixado em até 50 por cento do salário anual, e pedem a substituição por um sistema que aloque 15 por cento do lucro operacional a incentivos. O jornal local JoongAng Daily aponta que se a empresa obtivesse este ano um lucro operacional de 300 biliões de wons (173.400 milhões de euros), o fundo para bónus seria de 45 biliões de wons (26.010 milhões de euros). O dirigente sindical Choi Seung-ho alertou que se a produção for interrompida durante 18 dias, tal terá um impacto próximo de 18 biliões de wons (10.404 milhões de euros). À falta de acordo, a greve deverá ocorrer entre 21 de Maio e 07 de Junho.
Hoje Macau China / ÁsiaTPI | Ex-Presidente filipino Duterte vai ser julgado O antigo Presidente filipino Rodrigo Duterte vai ser julgado por crimes contra a humanidade, anunciou ontem o Tribunal Penal Internacional, confirmando as acusações de violência na guerra contra a droga e de autorização de milhares de execuções extrajudiciais. Segundo o painel de três juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), cuja decisão foi unânime, há “razões substanciais” para acreditar que o antigo líder foi responsável por dezenas de assassinatos, primeiro como presidente da câmara da cidade de Davao, no sul das Filipinas, e depois como Presidente. Duterte, de 80 anos, foi detido nas Filipinas no ano passado e nega as acusações que lhe são imputadas. Na sua decisão de 50 páginas, os juízes concluíram que as provas mostram que Duterte “desenvolveu, disseminou e implementou” uma política “para ‘neutralizar’ os alegados criminosos”. De acordo com os procuradores que o acusam, a polícia e os membros dos esquadrões da morte realizaram dezenas de assassínios a mando de Duterte, motivados pela promessa de dinheiro ou para evitar tornarem-se alvos. “Para alguns, matar atingiu o nível de uma forma perversa de competição”, disse a procuradora-adjunta Mame Mandiaye Niang ao tribunal, em audiências preliminares realizadas em Fevereiro. A data para o início do julgamento ainda não está definida. O advogado principal de defesa de Duterte, Nick Kaufman, disse aos juízes, durante as audiências de fevereiro, que o ex-Presidente filipino “defende resolutamente o seu legado e mantém a sua [declaração de] absoluta inocência”. Kaufman argumentou que a acusação “seleccionou a dedo” exemplos da “retórica bombástica” de Duterte e que as palavras do seu cliente nunca tiveram a intenção de incitar à violência. Contabilidade trágica As estimativas do número de mortos durante o mandato presidencial de Duterte variam, desde os mais de 6.000 reportados pela polícia nacional até aos 30.000 alegados por grupos de defesa dos direitos humanos. A maioria dos mortos eram pessoas pobres, muitas vezes sem ligação comprovada ao tráfico, incluindo crianças e opositores políticos. Duterte não esteve presente no tribunal em qualquer audiência porque renunciou ao seu direito de comparecer. No mês passado, os juízes consideraram-no apto para ser julgado, depois de terem adiado uma audiência anterior devido a preocupações com a sua saúde. Os procuradores do TPI avançaram, em 2018, que iriam abrir uma investigação preliminar sobre as violentas repressões das drogas. Numa manobra que, segundo os activistas dos direitos humanos, visava evitar a responsabilização, Duterte, que era Presidente na altura, anunciou que as Filipinas iriam abandonar o TPI. Na quarta-feira, os juízes de recurso rejeitaram um pedido da equipa jurídica de Duterte para arquivar o caso, alegando que o tribunal não tinha jurisdição devido à retirada das Filipinas. Contudo, o tribunal mantém a sua posição, justificando que os crimes foram cometidos enquanto o país era membro o TPI.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Dois estados-chave da Índia vão às urnas Dois importantes estados indianos, Bengala Ocidental (leste) e Tamil Nadu (sul), votaram ontem para eleger os parlamentos locais, que até agora se mantiveram fora do controlo do partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi. Mais de 36 milhões de eleitores — de uma população de quase 100 milhões — estão aptos a eleger 294 representantes em Bengala Ocidental, onde a chefe do governo Mamata Banerjee e o partido All India Trinamool Congress estão no poder desde 2011. A votação decorre em duas fases: 152 lugares serão agora preenchidos e os restantes 142 a 29 de Abril. A campanha eleitoral tem sido turbulenta em Bengala Ocidental, onde a exclusão de nove milhões de pessoas dos registos eleitorais gerou um debate aceso entre os partidos. A eleição é considerada “muito sensível”, disse o chefe local da comissão eleitoral, Manoj Agarwal. Mais a sul, ao longo da baía de Bengala, os eleitores de Tamil Nadu, cuja população ultrapassa os 80 milhões, elegem 234 representantes. Neste estado, um dos mais ricos da Índia, o partido no poder, Dravida Munnetra Kazhagam, enfrenta a concorrência do principal rival, o All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam, aliado ao Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi. Os resultados das duas eleições são esperados em 04 de Maio.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar prevê “coisas boas” para ex-líder detida Aung San Suu Kyi O chefe da diplomacia tailandesa declarou, após reunir-se com o líder birmanês, que Myanmar (antiga Birmânia) prevê “coisas boas” para a ex-líder Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de Estado. O general birmanês, que se tornou Presidente, Min Aung Hlaing, afirmou que Aung San Suu Kyi está a ser “bem tratada” e que planeia “coisas boas” para a ex-líder, sem dar mais detalhes, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow. “Deve ser um bom sinal”, acrescentou o diplomata, numa mensagem de vídeo, antes de regressar à Tailândia na quarta-feira à noite. Min Aung Hlaing, na altura chefe das forças armadas birmanesas, derrubou em 2021 o governo eleito da Prémio Nobel da Paz, mergulhando o país do Sudeste Asiático numa guerra civil. Assumiu a presidência no início do mês, na sequência das eleições no país, denunciadas no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob um disfarce civil. Esta transição foi acompanhada por recuos em certas medidas repressivas implementadas pela junta nos últimos cinco anos. Questão de imagem O antigo presidente Win Myint, braço direito de Aung San Suu Kyi, também detido durante o golpe de Estado, foi libertado na semana passada, no âmbito de uma ampla amnistia. Um gesto apresentado como um esforço de reconciliação, mas que os observadores consideram destinado a melhorar a imagem do novo Governo, composto maioritariamente por antigos militares. A amnistia concedida a Win Myint reacendeu, no entanto, os apelos diplomáticos para a libertação de Aung San Suu Kyi, detida num local mantido em segredo, aos 80 anos de idade. Os defensores de Suu Kyi consideram que as acusações contra a antiga dirigente, nomeadamente de fraude eleitoral, foram forjadas para permitir que os militares regressassem ao poder, pondo fim a uma década de experiência democrática no país.
Hoje Macau China / ÁsiaCombustíveis | Exportações chinesas de energia alternativa disparam A crise energética, provocada pelo ataque conjunto de israelitas e americanos ao Irão, está a fazer com que exportações chinesas de produtos solares alcancem valores nunca antes atingidos As exportações chinesas de energias alternativas aos combustíveis fósseis dispararam com a subida dos preços do petróleo e do gás após a guerra no Irão, com a energia solar a atingir níveis recorde. Segundo a consultora Ember, as exportações de produtos solares atingiram 68 gigawatts (GW) em Março, duplicando face a Fevereiro. O aumento foi impulsionado sobretudo por países de África e da Ásia, regiões mais afectadas pelo bloqueio “de facto” do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito. Estas duas regiões concentraram três quartos do aumento das vendas, com destinos como Índia, Malásia, Laos, Nigéria, Quénia ou Etiópia, embora também tenham sido registados níveis recorde de compras na Austrália e União Europeia. No total, 50 países bateram recordes de importações e outros 60 registaram máximos semestrais, enquanto o Médio Oriente foi a única região sem crescimento, devido às dificuldades logísticas. A Ember sublinha que alternativas como a energia solar, baterias e veículos eléctricos serão essenciais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, num contexto de preços elevados e incerteza geopolítica. Por partes Por categorias, a China exportou 32 GW de painéis solares em Março, mais 91 por cento do que em Fevereiro, enquanto as vendas de células e lâminas de silício mais do que duplicaram (108 por cento), atingindo cerca de 36 GW. “À medida que os efeitos dos preços elevados do petróleo e do gás se fazem sentir no mercado global de energia, alternativas como a solar, as baterias e os veículos eléctricos serão fundamentais para ajudar os países a tornarem-se mais resilientes e a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis”, indica a Ember. As vendas combinadas destes três segmentos aumentaram 70 por cento em termos homólogos em março e 38 por cento face ao mês anterior. No caso dos veículos eléctricos, a frota global destes automóveis representou uma procura equivalente a 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 13 por cento da produção dos Estados Unidos. Segundo a analista Leah Fahy, da Capital Economics, a China representa cerca de 25 por cento das exportações globais de veículos eléctricos (em valor) e mais de metade das exportações de células solares e baterias de iões de lítio, três sectores que, embora representem apenas 4,5 por cento do total das exportações chinesas, contribuíram com quase 20 por cento do crescimento no ano passado. A analista estima que, se estas vendas crescerem 50 por cento este ano, poderão acrescentar dois pontos percentuais ao crescimento total das exportações chinesas, podendo chegar a cinco pontos caso dupliquem.
Hoje Macau China / ÁsiaChina apela ao Camboja para “erradicar totalmente” centros de burla O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ontem ao Camboja para “erradicar totalmente” os centros de fraude ‘online’ que proliferam no país, durante um encontro com o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, em Phnom Penh. O Camboja tornou-se, nos últimos anos, um dos principais polos de cibercriminalidade, onde burlões, por vezes a trabalhar sob coação, enganam internautas em todo o mundo, nomeadamente através de falsas relações amorosas ou investimentos em criptomoedas. Sob pressão de vários países, incluindo a China, de onde são oriundos muitos dos autores e vítimas, as autoridades cambojanas, acusadas de durante anos terem fechado os olhos ao fenómeno, dizem estar agora a combater com firmeza esta indústria, avaliada em milhares de milhões de euros. “As actividades criminosas transfronteiriças relacionadas com jogos de azar e burlas comprometem a segurança das pessoas e dos seus bens”, afirmou Wang Yi a Hun Manet, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “É preciso combatê-las com firmeza e erradicá-las completamente”, acrescentou Wang Yi, ao lado do ministro da Defesa chinês, Dong Jun. Amigos inseparáveis Pequim e Phnom Penh mantêm estreitas relações comerciais, diplomáticas e militares, tendo Wang Yi voltado a elogiar uma amizade “verdadeiramente inabalável”. O Camboja tem vindo a intensificar esforços para não comprometer os laços com a China, o seu principal parceiro comercial. Em Fevereiro, Hun Manet prometeu “limpar tudo isto”, referindo-se aos centros de burla, e, no mês seguinte, o Governo aprovou um projecto de lei que prevê penas severas para os envolvidos em cibercrimes. O líder cambojano indicou ainda ter discutido com os responsáveis chineses temas como política, comércio, investimento, defesa e infraestruturas de transporte. Relativamente ao conflito com a Tailândia, Wang Yi manifestou apoio à normalização das relações bilaterais, após confrontos mortais em 2025 na fronteira comum. A China “está disposta a oferecer uma plataforma para uma comunicação mais abrangente e eficaz entre os dois países” e a prestar ajuda humanitária para a reinstalação de populações nas zonas fronteiriças cambojanas, acrescentou. Um cessar-fogo foi alcançado a 27 de Dezembro, mas a situação permanece frágil, com Camboja e Tailândia a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | Pequim define ilhas que reclama como eixo estratégico A China definiu as ilhas que reivindica no mar do Sul da China como um eixo estratégico para o desenvolvimento e a segurança, sublinhando o seu valor económico, ecológico e militar, segundo um documento oficial divulgado ontem. O texto, publicado pelo Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, e assinado por um grupo dirigente do ministério dos Recursos Naturais, indica que o país conta com mais de 11.000 ilhas, que constituem uma “fronteira estratégica para salvaguardar os direitos e interesses nacionais e garantir a segurança”. O documento descreve ainda estes territórios como um suporte essencial para “expandir o espaço de desenvolvimento da economia marinha”, em linha com o objectivo de transformar a China numa potência marítima. O documento defende a necessidade de “coordenar o desenvolvimento de alta qualidade e a protecção de alto nível das ilhas”, propondo melhorias na infraestrutura, conectividade e gestão destes territórios, e sublinhando o seu papel como “importante plataforma para participar na governação oceânica global”. O texto acrescenta que “as grandes potências competem para deslocar o seu foco de desenvolvimento para o oceano”, num contexto de reajustamentos na economia marítima global, e sustenta que o desenvolvimento insular deve conciliar a exploração de recursos com a preservação ambiental.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | PwC multada em 142 ME e imposta proibição após caso Evergrande Hong Kong aplicou à PwC uma multa de 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong e proibiu a aceitação de novos clientes por seis meses, após uma investigação à auditoria no caso Evergrande. A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros (SFC) indicou que a firma das “Big Four” cometeu “graves violações dos deveres profissionais de auditoria” nas contas da construtora Evergrande em 2019 e 2020. Numa decisão separada, o regulador contabilístico de Hong Kong proibiu a PwC de aceitar novos clientes durante seis meses, classificando as falhas como “particularmente graves”. O Conselho de Relato Financeiro e Contabilidade (AFRC) multou ainda dois antigos sócios da PwC em 10 milhões de dólares de Hong Kong por irregularidades nas auditorias. Segundo a SFC, a operação da PwC em Hong Kong irá reservar mil milhões de dólares de Hong Kong para compensar accionistas minoritários da Evergrande. O incumprimento da Evergrande, em 2021, expôs uma crise de liquidez no sector imobiliário chinês, altamente endividado, e teve impacto na economia, onde grande parte da riqueza das famílias está concentrada no imobiliário. Reguladores chineses concluíram em 2024 que a operação da PwC na China continental “ocultou ou até tolerou” fraudes na Evergrande nos anos anteriores ao colapso, agravando as consequências financeiras para a auditora. A PwC China reconheceu que o seu trabalho nas auditorias à Evergrande “ficou muito aquém” das suas elevadas expectativas e das expectativas das partes interessadas, considerando que a resolução destes processos “é um passo importante” para a empresa.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Emitido alerta devido a onda de calor com temperaturas até 45°C O Serviço Meteorológico da Índia (IMD) emitiu um alerta devido a uma intensa onda de calor e avisou que nos próximos três dias, as temperaturas podem atingir valores entre os 40 e os 45 graus. De acordo com o último relatório do IMD, os termómetros já registaram “valores entre 40°C e 45°C em grande parte do centro e do norte do país, afectando especialmente regiões como Vidarbha, Marathwada e Madhya Pradesh, além de zonas de Uttar Pradesh”. A temperatura mais elevada do país foi registada na cidade de Allahabad, que chegou aos 44,4 °C. O IMD informou que esta onda de calor teve início a 18 de Abril no estado de Haryana e já afecta a capital, Nova Deli, para onde se tem deslocado progressivamente. Segundo o organismo, a expansão do fenómeno não se limita à zona metropolitana e continua a avançar para o leste e o centro do subcontinente. Esta trajectória colocou em alerta as autoridades da capital e dos estados vizinhos, que prevêem que o ambiente sufocante na região de Nova Deli e arredores se mantenha de forma persistente pelo menos até ao próximo dia 24 de Abril. Nos últimos anos, a Índia tem enfrentado verões cada vez mais intensos e prolongados, com ondas de calor que têm causado graves problemas de saúde pública e um aumento significativo da mortalidade. O Centro Nacional de Controlo de Doenças (NCDC) registou 3.812 mortes devido ao calor entre 2015 e 2022, enquanto o Gabinete Nacional de Registos Criminais (NCRB) contabilizou 8.171 no mesmo período e o Serviço Meteorológico (IMD) calculou 3.436.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Aplicadas tarifas zero aos países africanos A visita do Presidente moçambicano à China terminou com acordos de cooperação entre os dois países reforçados e a manifestação de solidariedade das autoridades chinesas para com o continente africano, face à turbulência internacional A China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês, anunciou Pequim. A medida consta de um comunicado oficial divulgado ontem no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento, durante um encontro com o homólogo moçambicano. Citado no comunicado oficial enviado à agência Lusa, Xi afirmou que o aprofundamento da cooperação entre Pequim e Maputo responde às expectativas dos dois povos e acompanha a tendência de maior coordenação entre os países do Sul Global face a desafios comuns. “O reforço da solidariedade e da cooperação é essencial num contexto internacional em mudança”, afirmou Xi, citado na nota. O Presidente chinês defendeu o reforço do apoio mútuo em questões de interesse central e a intensificação dos contactos entre governos, partidos e instituições, bem como a troca de experiências de governação. Xi destacou ainda a “forte complementaridade económica” entre os dois países e apontou para novas oportunidades de cooperação em áreas como infraestruturas, energia, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial. Pequim está disponível para alinhar estratégias de desenvolvimento com Moçambique, explorar novos modelos de cooperação e promover um crescimento “de alta qualidade e sustentável”, acrescentou. Num contexto internacional descrito como “turbulento”, o líder chinês apelou ao reforço da coordenação em organismos multilaterais, incluindo as Nações Unidas, defendendo um mundo “multipolar”, uma globalização económica “inclusiva” e a salvaguarda da “equidade e justiça internacionais”. Xi sublinhou também que China e África, juntamente com outros países do Sul Global, constituem “uma força de justiça” no atual cenário internacional. Apelos e acordos Sobre a situação no Médio Oriente, o Presidente chinês manifestou preocupação com o impacto do conflito na região africana e apelou ao cessar das hostilidades e à resolução de divergências através do diálogo. O líder chinês defendeu ainda o respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e apelou à prática de um “verdadeiro multilateralismo”. No plano económico, anunciou que a China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero a todos os países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, como forma de ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. Durante o encontro, os dois chefes de Estado acordaram elevar as relações bilaterais a uma “comunidade de futuro partilhado na nova era”. Daniel Chapo destacou o papel da China como “verdadeiro amigo” de Moçambique e reiterou o apoio ao princípio de “uma só China”, manifestando disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral. Após as conversações, os dois líderes assistiram à assinatura de mais de 20 acordos de cooperação em áreas como comércio, segurança, saúde e intercâmbio cultural.