Hoje Macau China / ÁsiaOrmuz | Tóquio insta Teerão a cessar acções que ameacem navegação Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica. “O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as acções que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz”, revelou o comunicado. O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de “ataques de retaliação” desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 09 de Março, e com a extensão dos danos, que afectaram inclusivamente países vizinhos. Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram actualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adoptasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, “incluindo os do Japão e de outros países asiáticos”. Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês. As expectativas de um potencial envio de navios militares japoneses para a região pode ser um dos temas-chave na cimeira esta quinta-feira em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano. Questionada ontem sobre a possibilidade de enviar para a zona efectivos das Forças de Autodefesa japonesas, Takaichi reiterou que, por enquanto, não há planos para o fazer.
Hoje Macau China / ÁsiaTurismo | Número chineses a viajar para o Japão caiu 45% O número de turistas chineses no Japão caiu 45,2 por cento em Fevereiro, em comparação com fevereiro de 2025, apesar dos feriados do Ano Novo Lunar, segundo dados oficiais publicados ontem, num contexto de fortes tensões entre Tóquio e Pequim. O arquipélago recebeu no mês passado 396.400 visitantes da China continental, indicou a Agência Japonesa de Turismo, apesar do período supostamente próspero do Ano Novo chinês, que este ano calhou em Fevereiro. A China é, de longe, o maior mercado emissor de turistas para o Japão, representando aproximadamente um quarto de todas as chegadas no ano até ao final de Novembro, mas com expressivas quedas sucessivas desde então. As relações entre os dois países deterioraram-se desde as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, no parlamento nipónico em Novembro último, na sequência das quais Pequim instou os seus cidadãos a evitarem qualquer viagem ao Japão. Takaichi sugeriu na altura que uma intervenção militar do país seria possível em caso de ataque chinês contra Taiwan, ilha que Pequim considera território chinês inalienável. Em Fevereiro anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 das quais de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão adia retoma das operações da maior central do mundo A eléctrica japonesa Tokyo Electric Power Company (TEPCO) adiou ontem o reinício das operações comerciais de Kashiwazaki-Kariwa, a maior central nuclear do mundo em capacidade, fechada desde 2011 após o acidente em Fukushima. Num comunicado, a TEPCO disse que, na quinta-feira passada, um alarme indicou uma pequena fuga eléctrica no reactor número 6, que começou a transmitir energia em 09 de Fevereiro, após 14 anos de suspensão. Após uma investigação, a empresa determinou que não houve uma fuga real, mas sim um condutor que se rompeu que accionou o alarme por engano, algo que “não afecta directamente a segurança do reactor”, que permanece estável. A TEPCO continua a investigar os detalhes do incidente e ainda não anunciou uma nova data para a retoma das operações comerciais do reactor. O reinício já tinha sido adiado a 26 de Fevereiro, devido a problemas com os alarmes das barras de controlo. A TEPCO reiniciou a central de Kashiwazaki-Kariwa a 21 de Janeiro, 15 anos após o encerramento em 2011 na sequência do acidente nuclear de Fukushima. Essa foi a primeira vez que a TEPCO, que administrava a central de Fukushima antes do desastre, reactivou uma das suas centrais desde o acidente nuclear, causado pelo forte terremoto e subsequente tsunami, que atingiram o nordeste do Japão em 11 de Março de 2011. O acidente levou a um apagão nuclear no país, onde a maioria dos reactores nucleares continua desactivada. Ponto de situação Actualmente, 14 reactores estão operacionais, 19 suspenderam as suas operações e 27 aguardam desmantelamento, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atómica. Os reactores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa já passaram pelas revisões para a respectiva reactivação em 2017, mas posteriormente foi ordenado que a central permanecesse parada devido a falhas na segurança contra ataques terroristas. Em Dezembro de 2023, as medidas adoptadas foram aprovadas e, desde então, a TEPCO tem vindo a ultrapassar os trâmites necessários para colocar ambos os reatores em funcionamento. Com uma capacidade superior a oito mil megawatts, a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês da primeira-ministra Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.
Hoje Macau China / ÁsiaEnviado especial chinês ao Médio Oriente põe questão palestiniana na agenda O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, sublinhou ontem, no Cairo, ao ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, que a questão palestiniana “não deve voltar a ser ignorada nem esquecida”. Zhai indicou que a “questão palestiniana é fundamental para a paz, estabilidade e segurança a longo prazo no Médio Oriente” e que os acordos posteriores à guerra em Gaza “devem estar em consonância com a implementação da ‘solução de dois Estados'”, segundo um comunicado publicado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O diplomata chinês declarou que “uma maior propagação do conflito causaria maiores perdas, afectando o desenvolvimento económico regional e a segurança energética mundial”, sublinhando a “urgência” de um “cessar-fogo” para “retomar o caminho correcto da resolução de disputas através de canais diplomáticos”. Abdelatty afirmou que “a actual escalada de tensões regionais tem graves consequências e não beneficia nenhuma das partes”, instando o Irão a “cessar os ataques contra países árabes”. “O actual conflito não deve desviar a atenção internacional da questão palestiniana, nem do acordo de cessar-fogo em Gaza, bem como dos acordos de governação e reconstrução no pós-guerra”, afirmou o diplomata egípcio, de acordo com o comunicado chinês. Segundo Abdelatty, “o Egipto e a China partilham um elevado grau de consenso em questões regionais, e o Egipto está disposto a reforçar a coordenação e cooperação com a China para promover conjuntamente o restabelecimento da paz e da estabilidade na região”. No terreno Zhai, cuja agenda de reuniões nos países do Médio Oriente não foi detalhada, encontra-se na região a realizar uma “mediação activa” no conflito, no âmbito da qual tem previstos contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O diplomata já visitou outros países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Bahrein, onde defendeu um cessar-fogo e o “respeito” pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”. O conflito opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde o final de fevereiro, quando ambos os países lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e posições ligadas a Washington na região.
Hoje Macau China / ÁsiaLucro do gigante digital Tencent sobe 16 por cento para 28.311 ME em 2025 A tecnológica chinesa Tencent registou em 2025 um lucro líquido de 224.842 milhões de yuan, o que representa um crescimento de 16 por cento face ao ano anterior. Nos resultados enviados ontem à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou também que as receitas aumentaram 14 por cento em termos homólogos, para cerca de 751.766 milhões de yuan. A tecnológica destacou um “crescimento saudável” ao longo do exercício, impulsionado pela melhoria das suas capacidades em inteligência artificial (IA), que permitiram optimizar a publicidade e aumentar o número de utilizadores dos seus videojogos, bem como pelo crescimento dos negócios de computação na nuvem, tanto em receitas como em lucros. No que respeita à IA, área em que tanto a Tencent como os seus concorrentes estão a investir fortemente, a empresa salientou a contratação de “talento de topo”, a criação de processos para consolidar os seus modelos e a aplicação destas capacidades a produtos como o ‘chatbot’ Yuanbao ou a rede social WeChat. “A crescente capacidade do nosso modelo de linguagem de grande escala HY 3.0, bem como a utilidade de produtos de IA como Yuanbao, WorkBuddy ou QClaw, constituem sinais iniciais encorajadores de que estes investimentos vão gerar novas oportunidades”, referiu a empresa, aludindo também ao aumento dos montantes destinados ao seu desenvolvimento, sustentado pelo desempenho dos principais negócios. “A procura por consumo e entretenimento, bem como a satisfação associada à criação e à produtividade, permitem à Tencent oferecer serviços de IA que melhoram as capacidades dos seus utilizadores nestas áreas”, acrescentou. Acima do esperado A rede social WeChat terminou o ano com cerca de 1.418 milhões de utilizadores activos mensais, mais 33 milhões do que no final de 2024. No último trimestre, a Tencent registou um aumento de 14 por cento nos lucros face ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões dos analistas, que apontavam para uma subida de 7 por cento. As receitas cresceram 13 por cento, em linha com as expectativas. Num comunicado separado, o Conselho de Administração propôs o pagamento de um dividendo de 5,3 dólares de Hong Kong por acção, relativo ao exercício de 2025. A Tencent, a maior empresa chinesa em capitalização bolsista e uma das 20 maiores do mundo, é conhecida por desenvolver o WeChat e por ser a maior distribuidora global de videojogos, com títulos como “League of Legends”.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Rejeitados recursos de sete condenados por invadir o Parlamento em 2019 O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve as apenas aplicadas na primeira instância aos manifestantes que, em 2019, invadiram o Parlamento causando danos e exibindo a bandeira britânica A justiça de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por sete manifestantes condenados por distúrbios ocorridos durante a invasão do Parlamento em 2019, no auge dos protestos que abalaram a região. Entre os manifestantes que apresentaram recurso, estava o actor Gregory Wong Chung-yiu, que contestava a condenação por desordem pública e uma pena de seis anos e dois meses de prisão. O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve a decisão, concluindo, por unanimidade, que o envolvimento na invasão do Conselho Legislativo foi deliberado e não o de um “espectador inocente”. “Sabendo que o complexo estava ocupado, vestiu-se de preto e entrou na câmara, onde não só entregou material aos jornalistas, como manteve contacto físico com os manifestantes, abraçando-os”, refere a sentença. Os juízes rejeitaram também a alegação de que a sentença imposta a Gregory Wong era desproporcional. O tribunal rejeitou ainda os recursos de outros seis arguidos. Cinco deles – incluindo a ex-líder estudantil Althea Suen Hiu-nam, que se declarou culpada – recorreram apenas das sentenças, que incluíam penas de até seis anos e dez meses de prisão. A sexta arguida, Amy Pat Wai-fun, contestou tanto a condenação como a pena de quatro anos e nove meses imposta. Em Fevereiro de 2024, um juiz da primeira instância condenou 11 arguidos a penas de prisão que variavam entre quatro anos e meio e seis anos e dez meses. Dois jornalistas, julgados em conjunto, foram multados até 1.500 dólares de Hong Kong por entrarem ou permanecerem no complexo, embora não tenham sido acusados de distúrbios. Na decisão de 2024, o tribunal enfatizou a natureza simbólica do ataque, afirmando que os participantes “rasgaram cópias da Lei Básica [a ‘mini’-constituição de Hong Kong] e exibiram bandeiras coloniais”, gestos que considerou “provocativos e desafiadores da autoridade”. O tribunal salientou ainda que o episódio “minou a capacidade de governação e deixou cicatrizes profundas na sociedade de Hong Kong”. Lei e ordem Os acontecimentos ocorreram na noite de 01 de Julho de 2019, no 22.º aniversário da transferência de soberania do Reino Unido para a China. Centenas de manifestantes, usando capacetes e máscaras, invadiram o complexo, causaram danos e exibiram a bandeira colonial britânica antes de serem dispersados com gás lacrimogéneo. A invasão foi um dos momentos mais tensos dos protestos contra a lei de extradição para a China continental. As manifestações, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal, culminaram na imposição, por parte do Governo central chinês, da Lei de Segurança Nacional em 2020.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | EAU reabrem espaço aéreo após ataques iranianos Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram ontem de manhã o regresso do tráfego aéreo às operações normais, após ter encerrado total e temporariamente o espaço aéreo durante a madrugada devido a ataques iranianos contra o seu território. Num comunicado da Autoridade Geral da Aviação Civil dos Emirados, a entidade explicou que dada a estabilização da situação e o fim das medidas de precaução anteriormente estabelecidas, foi tomada a decisão de retomar os voos. “A Autoridade confirma que esta decisão surge após uma avaliação integral das condições de segurança, em coordenação com as autoridades relevantes. Sublinhamos que continuará a ser feito um acompanhamento constante para assegurar os mais elevados níveis de segurança aérea”, acrescentou a nota. O encerramento anunciado durante a madrugada foi descrito como “uma medida de precaução excepcional” para garantir a segurança dos voos e proteger o território dos EAU, coincidindo com o anúncio do Ministério da Defesa de que as defesas aéreas do país estavam a responder a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão. A decisão de fechar o espaço aéreo ocorreu poucas horas depois de os voos de e para o aeroporto internacional do Dubai começarem a ser retomados gradualmente, após uma suspensão temporária aplicada na madrugada de segunda-feira. Essa suspensão foi motivada por um incidente com um drone que provocou um incêndio nas imediações da infraestrutura, sem causar vítimas. O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, em 28 de Fevereiro, desencadeou uma guerra com fortes repercussões para os países do Golfo Pérsico, que se tornaram alvo dos ataques iranianos contra bases e interesses norte-americanos na região. Desde o início do conflito, os voos com origem ou destino nos EAU têm estado sujeitos a suspensões.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Governo garante combustível e pode intervir nos preços O ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco Monteiro, garantiu ontem fornecimento de combustível para os próximos dois meses e admitiu a intervenção do Governo caso os preços disparem devido ao conflito no Médio Oriente. “Até ao momento, não estamos numa fase crítica no que toca a soluções, mas a segurança do abastecimento de combustíveis mantém-se estável e assegurada para os próximos dois meses”, afirmou Francisco Monteiro, em conferência de imprensa. O ministro falava aos jornalistas após a subida do preço dos combustíveis em Timor-Leste, na sequência do conflito no Médio Oriente, e depois de críticas da oposição política, que acusou o Governo de não prestar esclarecimentos à população. “O Ministério do Petróleo garante ao público que a segurança energética, em termos de reservas de combustível, está assegurada para os próximos meses”, insistiu o governante. O ministro explicou também que há uma “coordenação muito intensiva” com as empresas fornecedoras de combustíveis ao país e na semana passada foi realizada uma reunião para “discutir abertamente o que cada entidade está a fazer e tem previsto fazer nos próximos tempos”. Relativamente ao aumento dos preços dos combustíveis no país, Francisco Monteiro explicou que Timor-Leste adoptou o mercado livre e que o seu custo será sempre afectado pelo mercado mundial. O ministro salientou que o Governo poderá adoptar medidas caso o preço do petróleo continue a subir. “Serão tomadas medidas apropriadas para minimizar, tanto quanto possível, os impactos negativos na economia caso os preços aumentem significativamente”, disse. Francisco Monteiro acrescentou que não há motivo para alarme e que existe uma coordenação entre todas as entidades envolvidas. “Devemos manter a confiança. Quanto à questão dos preços, estamos a acompanhar a situação e, a curto prazo, o Governo deverá adoptar algumas medidas para minimizar ao máximo os impactos”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Pequim envia ajuda para aliviar “profundo desastre humanitário” A China assegurou ontem que “as actuais hostilidades provocaram um profundo desastre humanitário” nos países do Médio Oriente, aos quais propôs o envio de ajuda de emergência, transmitindo também solidariedade com as populações afectadas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, em conferência de imprensa, que “a China tem sempre posto em prática o conceito de uma comunidade de futuro partilhado para a humanidade, defendendo o espírito do internacionalismo e do humanitarismo”. Lin anunciou que o país “decidiu fornecer assistência humanitária de emergência ao Irão, à Jordânia, ao Líbano e ao Iraque, na esperança de que isto ajude a aliviar a difícil situação humanitária enfrentada pelas populações locais”, sem detalhar o alcance da ajuda. “A China vai continuar a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz, facilitar o rápido restabelecimento da paz e da estabilidade regionais e evitar que a crise humanitária se agrave ainda mais”, acrescentou o porta-voz. Lin respondia assim a uma pergunta sobre estimativas recentes da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), que calculou em 3,2 milhões o número de pessoas deslocadas dentro do Irão devido ao actual conflito com Israel e os Estados Unidos. No Líbano, o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, causou o deslocamento forçado de mais de 600.000 pessoas, de acordo com o ACNUR. A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa. O país asiático instou ainda à protecção das rotas marítimas, tendo em conta que 45 por cento do petróleo que importa passa pelo estreito de Ormuz.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção| Julgamento por subornos de ex-chefe do PCC em Hubei A campanha anticorrupção iniciada com a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012 faz mais uma vítima de peso A China levou a julgamento por alegados subornos um antigo secretário provincial do Partido Comunista Chinês por alegado uso de cargos anteriores no sistema financeiro estatal e em governos locais para obter benefícios indevidos, foi ontem divulgado. Segundo informou a Procuradoria Popular Suprema, a sua delegação em Nanjing (leste) apresentou a acusação num tribunal intermédio após concluir a investigação do caso, que tinha sido previamente transferido pela Comissão Nacional de Supervisão, principal organismo anticorrupção do Estado. As autoridades acusam Jiang Chaoliang de ter aproveitado vários cargos ao longo da sua carreira, incluindo funções de direcção em instituições financeiras estatais e responsabilidades em governos provinciais, para favorecer terceiros e aceitar subornos de montante “especialmente elevado”. Jiang ocupou cargos de relevo no sector financeiro chinês antes de entrar na política, tendo sido governador da província nordeste de Jilin entre 2013 e 2016 e posteriormente secretário do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020. Em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da crise sanitária provocada pelo coronavírus, foi destituído deste último cargo no meio de críticas à gestão inicial do surto em Wuhan, capital de Hubei. Em Outubro de 2025, as autoridades anunciaram a sua expulsão do Partido e a destituição de cargos públicos após uma investigação por “graves violações da disciplina e da lei”, fórmula habitualmente utilizada em casos de corrupção. O caso insere-se na campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde a sua chegada ao poder em 2012, que atingiu funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até dirigentes provinciais, altos responsáveis militares e gestores de grandes empresas estatais. Esta ofensiva, um dos pilares do mandato de Xi, já revelou inúmeros casos de suborno e abuso de poder no aparelho do Partido e do Estado. Em 2025, as autoridades investigaram 115 funcionários de nível provincial ou ministerial ou superior, segundo dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar coincidindo com os preparativos para o novo plano quinquenal que definirá as políticas do país entre 2026 e 2030.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Filial de conglomerado acusa Panamá de ignorar arbitragem A Panama Ports Company, filial do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, acusou ontem o Estado panamiano de ignorar a arbitragem internacional iniciada após a retirada da concessão para operar dois portos junto ao Canal do Panamá. Em comunicado, a empresa indicou que o Governo do Panamá não apresentou dentro do prazo a sua resposta ao tribunal da Tribunal Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI), cujo prazo terminou na sexta-feira passada. Segundo a Panama Ports Company, as autoridades panamianas solicitaram uma prorrogação parcial, alegando que “não estavam preparadas” para responder e que precisavam de mais tempo para preparar a defesa. A empresa assinalou que essa situação contrasta com declarações anteriores do Governo do Panamá, que teria dedicado o último ano à elaboração de um plano para a gestão dos portos de Balboa e Cristóbal. O comunicado acusa também o Estado panamiano de ignorar as iniciativas da companhia para procurar soluções para o conflito e adverte para possíveis acusações “infundadas” durante o processo arbitral. Além disso, a Panama Ports Company denunciou que as autoridades continuam a reter documentos corporativos e materiais apreendidos durante a tomada das instalações, incluindo ficheiros e computadores, em operações que, segundo a empresa, decorreram com a presença de forças de segurança armadas. A companhia reiterou que a ocupação dos portos e a apreensão de documentos violam o Estado de direito e afirmou que reserva a possibilidade de recorrer a “todos os direitos e recursos legais” para reclamar os danos causados. Dedos americanos A disputa remonta à decisão emitida em Janeiro pelo Supremo Tribunal do Panamá, que declarou inconstitucional a concessão atribuída em 1997 à Panama Ports Company para operar os portos de Balboa e Cristóbal, bem como a sua prorrogação aprovada em 2021 até 2047. Após a decisão judicial, a Autoridade Marítima do Panamá assumiu o controlo de ambos os terminais e entregou a sua operação transitória a filiais das companhias marítimas Maersk e Mediterranean Shipping Company (MSC), enquanto o Governo panamiano prepara um novo processo de concessão. A CK Hutchison e a sua filial já iniciaram um processo de arbitragem internacional por este caso, cujo valor ascende a cerca de 2.000 milhões de dólares, segundo a empresa. A disputa ocorreu num contexto de tensões geopolíticas em torno do Canal do Panamá, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado recuperar a via interoceânica ao denunciar a alegada influência chinesa na infraestrutura estratégica.
Hoje Macau China / ÁsiaAlerta para riscos de segurança do popular agente de IA OpenClaw O ministério chinês da Segurança do Estado advertiu ontem para riscos de segurança associados ao uso do agente de inteligência artificial de código aberto OpenClaw, que se tornou recentemente um fenómeno entre programadores e utilizadores chineses. Num artigo publicado na sua conta oficial na rede social WeChat, o organismo descreveu o funcionamento do sistema, conhecido popularmente no país como “xiaolongxia” (“lagosta”, devido ao ícone vermelho do sistema com a forma do crustáceo). O ministério assinalou que, para permitir que o sistema “consiga completar tarefas”, os utilizadores costumam conceder-lhe permissões elevadas, o que pode facilitar que atacantes obtenham controlo remoto do dispositivo ou acedam a informação sensível nele armazenada, podendo gerar riscos de cibersegurança se for utilizado sem as devidas precauções. O organismo alertou também que estes programas podem lidar com dados pessoais ou empresariais sensíveis e que, caso sejam comprometidos, poderão provocar fugas de informação ou ser utilizados para “gerar e difundir informação falsa” nas redes sociais. O aviso oficial de segurança digital do principal órgão de inteligência chinês assegurou que alguns complementos ou extensões podem conter vulnerabilidades ou ser utilizados para introduzir código malicioso capaz de contornar controlos de segurança e aceder à informação armazenada no computador. O guia recomenda aos utilizadores que limitem as permissões concedidas ao sistema, verifiquem a origem dos complementos instalados, mantenham registos de actividade e executem o sistema em ambientes isolados – como máquinas virtuais ou ‘sandboxes’ – para reduzir possíveis riscos. Este tipo de agentes de IA pode executar directamente tarefas num sistema informático, gerir ficheiros, redigir emails ou navegar na internet a partir de instruções do utilizador, o que representa uma evolução em relação aos modelos conversacionais tradicionais. Riscos e conselhos O OpenClaw, criado pelo programador austríaco Peter Steinberger, difundiu-se rapidamente nas comunidades tecnológicas chinesas nas últimas semanas, onde utilizadores partilham guias de instalação e tutoriais para implementar este tipo de agentes capazes de executar tarefas automaticamente em computadores pessoais ou servidores. Em paralelo, organismos chineses de cibersegurança alertaram para o rápido crescimento do sistema e para os seus potenciais riscos, indicando que existem mais de 200.000 instâncias activas de OpenClaw na internet, das quais cerca de 23.000 encontram-se na China. Reguladores e órgãos de comunicação estatais também têm advertido para os possíveis riscos do sistema, e algumas agências governamentais e empresas estatais recomendaram aos seus funcionários para não o instalarem em dispositivos de trabalho.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Negados atrasos na venda de armamento dos EUA à ilha O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, assegurou ontem que Taipé não recebeu qualquer informação sobre possíveis atrasos na venda de armamento dos Estados Unidos a Taiwan, acrescentando que ambos mantêm “estreita coordenação” em matéria de Defesa. Em declarações citadas pela agência CNA, Koo afirmou que os processos internos de revisão dos Estados Unidos relacionados com estas operações “avançam conforme o previsto”. As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que planeia adiar cerca de um mês a viagem à China que previa realizar no final do mês para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, devido à guerra com o Irão. Numa conversa telefónica no início de Fevereiro, Xi instou Trump a “gerir com prudência” o envio de armas para Taiwan e sublinhou que a ilha é a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências. Posteriormente, a publicação Wall Street Journal noticiou, citando responsáveis norte-americanos, que Washington tinha suspendido a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | China pede aos EUA que corrijam acções A China instou ontem os Estados Unidos a “corrigir imediatamente os comportamentos errados” em matéria comercial, num momento em que representantes das duas maiores economias do mundo retomaram negociações em Paris. Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, na capital francesa, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. A Casa Branca indicou que Donald Trump poderá deslocar-se à China entre 31 de Março e 2 de Abril para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente a visita e o chefe de Estado norte-americano tenha sugerido no domingo que a visita poderá ser adiada (ver páginas 10-11). As negociações surgem depois de uma disputa comercial intensa em 2025 entre as duas potências, que levou à imposição de tarifas retaliatórias elevadas antes de ambas acordarem uma trégua de um ano em Outubro. Num comunicado divulgado ontem, o ministério chinês do Comércio criticou novas investigações comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra 16 parceiros comerciais, entre os quais a China, destinadas a avaliar possíveis violações relacionadas com trabalho forçado. Segundo Washington, os inquéritos podem conduzir à imposição de novas tarifas. Pequim classificou as investigações como um acto “totalmente unilateral, arbitrário e discriminatório” e “um exemplo típico de proteccionismo”. “A parte chinesa já apresentou protestos junto da parte norte-americana. Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente os seus comportamentos errados, a darem um passo em direção à China e a resolverem as divergências através do diálogo e da negociação”, afirmou o ministério. Matéria decisiva As autoridades chinesas alertaram ainda que as novas medidas norte-americanas representam “um erro sobre outro erro”, que prejudica gravemente “a segurança e a estabilidade das cadeias de abastecimento globais”. Apesar da trégua comercial acordada no final do ano passado, as tensões comerciais continuam a marcar as relações entre Washington e Pequim. Especialistas consideram que o encontro em Paris poderá ser decisivo antes da eventual cimeira entre Xi e Trump. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, afirmou que a principal questão será saber se os dois países conseguem “concordar sobre o que já foi acordado e gerir as divergências”. Além das questões comerciais, temas geopolíticos como o conflito envolvendo o Irão e o impacto nos preços e no fornecimento global de petróleo também poderão ser abordados nas conversações. As negociações atuais são mais um capítulo num processo iniciado no ano passado, que já levou Bessent e He Lifeng a reunir-se em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão liberta reservas estratégicas e não prevê operação no estreito de Ormuz O Japão vai libertar as reservas estratégicas de petróleo, dando início a uma operação global coordenada pela Agência Internacional de Energia, mas não considera enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, como pediu Donald Trump. Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na quarta-feira a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão. Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos. A agência tinha dito no domingo que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas “de imediato” enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam “no final de Março”. O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou ontem que iria recorrer – desde ontem – às suas reservas estratégicas. O Governo reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo nacional. Na semana passada, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou a intenção de libertar também ‘stock’ proveniente das reservas do Estado, representando um mês de consumo. Tal poderá ocorrer no final de Março. Em Dezembro, as reservas estratégicas de petróleo do Japão, estatais e privadas, ascendiam a mais de 400 milhões de barris, representando 254 dias de consumo nacional. “As importações de petróleo bruto para o Japão deverão registar uma queda significativa a partir do final de Março, enquanto persiste uma situação em que os petroleiros se encontram, na prática, impossibilitados de atravessar o Estreito de Ormuz”, referiu ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara. Cerca de 95 por cento das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70 por cento transitava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito. “Para garantir que nenhuma perturbação venha a comprometer o abastecimento de produtos petrolíferos, como a gasolina, decidimos que o Japão tomaria a iniciativa de recorrer às reservas estratégicas nacionais, em coordenação com as nações do G7 e a AIE”, acrescentou Kihara. Mercado critico A guerra “está a provocar a maior perturbação no abastecimento de petróleo da história do mercado mundial do petróleo”, sublinhou a AIE no domingo. De acordo com a agência internacional, “esta acção colectiva de emergência constitui um amortecedor importante e bem-vindo”. “No entanto, o factor mais importante para um regresso à estabilidade dos fluxos é a retoma (…) da navegação através do Estreito de Ormuz”, por onde transita habitualmente 20 por cento do petróleo bruto mundial, continuou. O Japão indicou também ontem que “não prevê” uma operação de segurança marítima, numa reação ao apelo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que no domingo pressionou países aliados, entre os quais os membros da Aliança Atlântica, mas também a China, a juntarem esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. “Na situação actual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou no Parlamento nipónico o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi. A própria Sanae Takaichi considerou ontem que qualquer operação de segurança marítima seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.
Hoje Macau China / ÁsiaAfeganistão / Paquistão | Pequim envia emissário para tentar cessar-fogo As autoridades chinesas tentam apaziguar o conflito entre vizinhos. Além das delegações enviadas a ambos os territórios, o ministro dos negócios Estrangeiros Wang Yi conversou ao telefone com autoridades paquistanesas e afegãs A China enviou um emissário ao Afeganistão e ao Paquistão na semana passada para realizar uma mediação e apelar para um cessar-fogo imediato, após confrontos fronteiriços que provocaram vários mortos, anunciou ontem a diplomacia chinesa. O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há vários meses, com Islamabad a acusar o país vizinho de acolher combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram ataques mortais em território paquistanês, algo que Cabul desmente. O Paquistão é um dos parceiros mais próximos da China na região, mas Pequim apresenta-se também como um “vizinho amigável” do Afeganistão. “A China tem servido constantemente de mediadora no conflito entre o Afeganistão e o Paquistão através dos seus próprios canais”, declarou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, numa conferência de imprensa em Pequim. A diplomacia chinesa disse ter enviado o emissário para os assuntos afegãos Yue Xiaoyong a ambos os países para contribuir para a mediação do conflito. Num comunicado separado publicado, o ministério indicou que o emissário visitou o Afeganistão e o Paquistão entre 07 e 14 de Março. No Afeganistão, Yue reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, e com o ministro do Comércio e da Indústria, Nooruddin Azizi. Manteve igualmente conversações com altos responsáveis paquistaneses, incluindo a secretária dos Negócios Estrangeiros, Amna Baloch, referiu o ministério, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “Incentivou as duas partes a demonstrarem calma e contenção, a implementarem um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, e a resolverem as contradições e divergências através do diálogo”, precisou. Outras conversas O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, também conversou por telefone com Muttaqi na sexta-feira, e prometeu continuar a “fazer esforços activamente” para reconciliar o Afeganistão e o Paquistão e aliviar as tensões. “O recurso à força apenas complicará a situação (…) e ameaçará a paz e a estabilidade regionais”, disse Wang ao homólogo afegão, segundo o relato da conversa divulgado na sexta-feira. Em Outubro de 2025, os combates entre o Afeganistão e o Paquistão causaram dezenas de mortos e resultaram no encerramento quase total da fronteira terrestre. Após diversas mediações, os confrontos diminuíram, mas o conflito voltou a agravar-se no final de Fevereiro, após ataques aéreos paquistaneses seguidos de uma ofensiva terrestre afegã. Os dois países reivindicaram ataques no fim de semana, com o Afeganistão a dizer ter tomado um posto fronteiriço numa operação em que matou 14 soldados paquistaneses. O Paquistão anunciou bombardeamentos em Kandahar, a cidade no sul do Afeganistão onde reside em isolamento o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada. Registos sangrentos A ONU anunciou na sexta-feira, um balanço de 75 civis afegãos mortos desde o intensificar dos confrontos em Fevereiro. O conflito provocou 115.000 deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU anunciou no domingo que estava a fornecer ajuda de emergência a 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito. O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.
Hoje Macau China / ÁsiaCiência | China inverte fuga de cérebros com salários altos e laboratórios de topo O Governo chinês está a atrair cientistas e investigadores de todo o mundo com salários competitivos e laboratórios de ponta, num momento em que disputa com os Estados Unidos a liderança tecnológica global. Para captar talento internacional, a China lançou programas como o “Mil Talentos”, que oferecem remunerações elevadas e bolsas generosas a especialistas em áreas consideradas estratégicas, sobretudo ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A progressão na carreira e o acesso a infraestruturas avançadas também são factores de atracção. “Na Europa estava preso no gargalo dos pós-doutoramentos. Fiz quatro, mas a minha experiência já estava muito mais avançada do que o meu perfil académico reflectia”, disse à Lusa o investigador espanhol David Fernández-Blanco, que trabalha no Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo (IDSSE), na cidade costeira de Sanya, na ilha tropical de Hainão. “Aqui fui avaliado pelos meus méritos e ofereceram-me uma posição mais alinhada com a minha experiência”, acrescentou. Fernández-Blanco é investigador associado no IDSSE, um centro dedicado ao estudo do oceano profundo, área considerada estratégica pelas autoridades chinesas. “O instituto tem três navios de investigação oceanográfica e dois submersíveis tripulados”, disse. “Para quem trabalha em investigação do oceano profundo, isso é fundamental”. O acesso a equipamentos avançados permite realizar investigação directamente no local onde os dados são recolhidos, algo que nem sempre é possível noutras instituições, salientou. Não existem dados oficiais sobre o número de cientistas estrangeiros que se mudaram para a China ou de investigadores chineses que regressaram ao país. Ainda assim, notícias sobre académicos de alto nível que optam por trabalhar no país têm-se tornado mais frequentes. A cadeia televisiva norte-americana CNN contabilizou pelo menos 85 cientistas que trabalhavam nos Estados Unidos em instituições de topo e que passaram a integrar laboratórios chineses a tempo inteiro desde o início de 2024. Entre eles estão o especialista em fármacos contra o cancro Lin Wenbin, antigo investigador da Universidade de Chicago que se juntou à Universidade Westlake, e o matemático Qian Hong, que regressou à China após mais de 40 anos nos Estados Unidos, deixando um cargo de professor catedrático na Universidade de Washington para integrar a mesma instituição no leste do país. Observadores classificaram este fenómeno como uma “fuga de cérebros inversa”, que pode favorecer a China num período de crescente competição com os Estados Unidos pelo domínio das indústrias do futuro. Linglin Zhang, que ingressou na China Europe International Business School (CEIBS), em Xangai, após cerca de 20 anos nos Estados Unidos, afirmou ter sido atraída por uma investigação “mais pragmática” e pelo “excelente acesso a empresários e profissionais”. Para Fernández-Blanco, outro factor importante é a autonomia científica. “Existe uma abordagem pouco interventiva. Há linhas de investigação definidas pelo instituto, mas ninguém está constantemente a verificar o que estou a fazer”, disse. Prioridades profundas Alguns programas de recrutamento oferecem financiamento inicial significativo, que pode chegar a um milhão de yuan para criar um laboratório e formar equipas de investigação. Entre as áreas que recebem mais investimento estão o espaço profundo e o oceano profundo, duas fronteiras científicas que exigem equipamentos caros e projectos de longo prazo. “São duas das grandes prioridades científicas neste momento”, afirmou Fernández-Blanco. Além do interesse científico, estas áreas têm também importância estratégica. No oceano profundo existem depósitos minerais que poderão ser explorados, enquanto no espaço alguns asteroides podem conter de metais raros em abundância. Apesar das oportunidades, barreiras linguísticas e culturais continuam a ser um desafio para investigadores estrangeiros na China. “Há formas de trabalhar diferentes das que conhecemos na Europa”, disse Fernández-Blanco. “Às vezes é preciso aceitar como as coisas funcionam”.
Hoje Macau China / ÁsiaAprovado novo código para apoiar transição ecológica O principal órgão legislativo da China aprovou ontem um novo código ambiental destinado a unificar e actualizar a extensa legislação do país nesta área, incluindo regras para novos tipos de poluição e medidas para responder a fenómenos meteorológicos extremos. O chamado Código Ecológico e Ambiental foi aprovado com 2.752 votos a favor, sete contra e três abstenções, durante a sessão plenária de encerramento da reunião anual da Assembleia Popular Nacional, realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Durante o processo legislativo, o porta-voz do parlamento, Lou Qinjian, afirmou que, com a entrada da China numa fase de desenvolvimento marcada pela transição verde, existe uma necessidade crescente de um quadro jurídico mais rigoroso para proteger o ambiente. O novo código reúne 1.242 artigos, organizados em cinco capítulos, que abordam três pilares da política climática chinesa: a prevenção e controlo da poluição, a conservação ecológica e o desenvolvimento verde e de baixo carbono. Segundo o analista Changhao Wei, do portal especializado NPC Observer, a China conta actualmente com mais de 30 leis e cerca de 100 regulamentos administrativos relacionados com protecção ambiental. O novo código procura integrar e harmonizar essas normas, eliminando incoerências e preenchendo lacunas legais. Prioridade assumida Wei destaca que a protecção ambiental tem sido uma prioridade do Partido Comunista Chinês durante a liderança do Presidente Xi Jinping, que em 2018 incorporou o conceito de “civilização ecológica” na doutrina política do partido. Entre as principais novidades, a nova legislação inclui regras para regular formas emergentes de poluição, como a poluição química, luminosa e a radiação não ionizante. O código estabelece também uma base legal para a política climática chinesa, incluindo metas relacionadas com a neutralidade carbónica, o controlo das emissões e o reforço dos chamados sumidouros naturais de carbono, como florestas e zonas húmidas. No âmbito da adaptação às alterações climáticas, o texto prevê integrar riscos climáticos no planeamento territorial e reforçar sistemas de alerta precoce e resposta a desastres e fenómenos meteorológicos extremos. A aprovação da nova legislação surge num momento em que a China tenta reforçar o compromisso ambiental. O Governo apresentou recentemente um plano para reduzir em 17 por cento as emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB entre 2026 e 2030. Apesar de ser actualmente o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, a China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060. Nos seus planos climáticos mais recentes, o país estabeleceu ainda a meta de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 7 por cento e 10 por cento face ao nível máximo e de elevar a participação de energias não fósseis para mais de 30 por cento do consumo total de energia até 2035.
Hoje Macau China / ÁsiaAPN | Aprovado plano quinquenal com foco em tecnologia e consumo interno As prioridades para os próximos cinco anos estão lançadas. A aposta passa por continuar a promover o consumo interno e estimular o desenvolvimento tecnológico A Assembleia Popular Nacional da China aprovou ontem as directrizes gerais do XV Plano Quinquenal (2026-2030), que orientará a política económica do país durante os próximos cinco anos, reforçando a aposta em tecnologia e no consumo interno. O documento, aprovado no encerramento da sessão anual do órgão legislativo chinês, estabelece como prioridade “reforçar o papel da procura interna como motor principal do crescimento”, um dos desafios mais urgentes da segunda maior economia do mundo após vários anos de consumo doméstico relativamente débil. Analistas têm apontado que o crescimento chinês continua fortemente dependente das exportações e do investimento estatal, enquanto o consumo das famílias permanece limitado devido a salários relativamente baixos, custos elevados de habitação e uma fraca rede de protecção social. Embora os líderes chineses reconheçam a necessidade de estimular a procura interna, o plano coloca a inovação tecnológica no centro da estratégia económica. O texto prevê “medidas extraordinárias” para alcançar avanços em sectores considerados estratégicos, como circuitos integrados, ‘software’ industrial e materiais avançados, num momento de crescente rivalidade tecnológica entre Pequim e Washington. A competição entre as duas maiores economias do mundo tem-se intensificado nos últimos anos, sobretudo em áreas como inteligência artificial, semicondutores, computação avançada e tecnologias emergentes que deverão moldar a economia global nas próximas décadas. Para Pequim, reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras tornou-se uma prioridade estratégica, especialmente após restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de componentes avançados para empresas chinesas. A aposta em ciência e inovação tem sido um dos pilares da política económica do Presidente chinês, Xi Jinping, que tem repetidamente sublinhado a importância da autossuficiência tecnológica para garantir a segurança económica do país. Outras metas O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou no início da sessão parlamentar uma meta de crescimento económico entre 4,5 por cento e 5 por cento para 2026, um objectivo considerado relativamente prudente que deverá dar ao Governo margem para concentrar esforços em reformas estruturais de longo prazo. Especialistas esperam que as autoridades chinesas avancem gradualmente com medidas para estimular o consumo, incluindo a expansão da segurança social e do sistema de saúde, embora grande parte dos recursos públicos continue a ser direccionada para sectores tecnológicos considerados prioritários, incluindo inteligência artificial, robótica, energia limpa e exploração científica avançada. O órgão legislativo chinês aprovou ainda várias leis durante a sessão anual, incluindo legislação relacionada com minorias étnicas e outras áreas administrativas (ver textos secundários), num processo em que as votações são tradicionalmente quase unânimes e reflectem o apoio institucional às políticas definidas pelo Partido Comunista Chinês. Durante uma conferência de imprensa à margem da reunião parlamentar, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que o país continuará a avançar no desenvolvimento económico e tecnológico apesar das incertezas no cenário internacional. “Estamos a avançar a toda a velocidade na construção de um grande país”, declarou.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | China diz que está a realizar “mediação activa” O Governo chinês afirmou ontem que está a desenvolver uma “mediação activa” no conflito no Médio Oriente e que continuará a manter contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a China está “profundamente preocupada” com as tensões e pediu a todas as partes que cessem as operações militares para evitar uma maior escalada do conflito. Guo lembrou que o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, manteve contactos recentes com vários homólogos da região para “trocar opiniões em profundidade sobre a situação regional”. O porta-voz acrescentou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, se encontra actualmente na região a realizar visitas como parte dos esforços de mediação de Pequim, e indicou que as autoridades chinesas informarão “oportunamente” sobre a sua agenda, sem oferecer mais detalhes sobre os objectivos ou o itinerário da missão. O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informou apenas que Zhai chegou no domingo à Arábia Saudita, onde se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Faisal bin Farhan. Segundo Guo, o tratamento da questão iraniana e de outros assuntos relacionados com o Médio Oriente deve basear-se em princípios como “respeitar a soberania nacional”, “abster-se do abuso da força” e “manter a não ingerência nos assuntos internos”. O porta-voz acrescentou que a China continuará a manter a comunicação com as partes envolvidas e a reforçar os esforços de mediação para “promover um esfriamento da situação”. Segurança energética O responsável acrescentou que a China adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar a sua segurança energética e pediu que sejam garantidos suprimentos de energia “estáveis e fluidos”. Guo Jiakun referiu que a segurança energética é “crucial para a economia mundial” e afirmou que todos os países têm a responsabilidade de garantir a estabilidade do abastecimento. As repercussões do conflito no estreito de Ormuz afectam directamente a China, que recebe por essa via cerca de 45 por cento do petróleo que importa do Irão e de vários outros países. Guo acrescentou que Pequim adoptará medidas para proteger a sua segurança energética, embora não tenha especificado as políticas concretas que o país irá implementar. O porta-voz sublinhou ainda que o estreito de Ormuz e as águas circundantes são “canais importantes para o comércio internacional de bens e energia”, acrescentando que manter a segurança e a estabilidade nessa zona “responde ao interesse comum da comunidade internacional”. A China, principal parceiro comercial de Teerão e o seu maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.
Hoje Macau China / ÁsiaEmpresa japonesa falha lançamento de primeiro satélite privado do país A Space One falhou ontem pela terceira vez consecutiva a tentativa de se tornar a primeira empresa japonesa a colocar satélites em órbita. O foguetão Kairos III conseguiu descolar às 11:10 locais, conforme previsto, a partir da prefeitura de Wakayama, no oeste do Japão, mas foi obrigado a abortar a missão de lançamento pouco após a descolagem. Apenas cinco minutos depois da descolagem, a empresa nipónica anunciou a decisão de abortar a missão, sem fornecer por enquanto mais informações, enquanto continua a “investigar os detalhes” do ocorrido, de acordo com comunicado da Space One. O lançamento do foguetão, com 18 metros de altura, já tinha sido adiado três vezes, a última na quarta-feira, devido a uma falha nas ligações com os satélites que transportava. O objectivo da missão era colocar em órbita cinco satélites a cerca de 500 quilómetros, segundo detalhou a emissora pública japonesa NHK. Caso tivesse conseguido, a empresa tornar-se-ia a primeira do país a colocar um satélite em órbita, um marco que, por agora, continua por alcançar. Histórial de falhanços A Space One lançou o primeiro foguetão Kairos em Março de 2024, mas o aparelho explodiu cerca de cinco minutos após a descolagem devido a um erro na previsão do impulso. Em Dezembro do mesmo ano, lançou o segundo aparelho, o Kairos II, que se autodestruiu depois de os responsáveis do projecto concluírem que seria difícil cumprir a missão devido a problemas nos sensores. Fundada em 2018, a empresa procura comercializar serviços de transporte espacial de baixo custo e oferecer lançamentos regulares de foguetões exclusivamente com fundos privados. O fracasso representa um novo revés para os esforços e ambições da indústria espacial japonesa de competir a nível global com empresas como a norte-americana SpaceX.
Hoje Macau China / ÁsiaDefesa | Orçamento a subir 7 por cento A China anunciou ontem um aumento de 7 por cento no orçamento da Defesa para 2026, mantendo a tendência dos últimos anos, num esforço para reforçar a dissuasão face aos Estados Unidos e a sua posição em disputas regionais. O valor foi anunciado na abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo chinês, que decorre em Pequim. Segundo os dados divulgados, a China prevê gastar 1,9096 biliões de yuan (cerca de 238 mil milhões de euros) em defesa este ano, um montante que permanece cerca de três vezes inferior ao orçamento militar dos Estados Unidos. A subida mantém-se em linha com os aumentos registados na última década, que têm oscilado geralmente entre 7 por cento e 8 por cento ao ano. Em 2025, o orçamento militar chinês aumentou 7,2 por cento. Analistas indicam que os novos recursos deverão financiar aumentos salariais para militares, exercícios e treinos, manobras militares nas proximidades de Taiwan, o reforço das capacidades de ciberdefesa e a aquisição de equipamento militar mais avançado. Segundo Song Zhongping, comentador militar e antigo instrutor do Exército chinês, a China pretende manter uma política externa independente, o que exige o reforço das capacidades militares e tecnológicas. “O país quer uma política externa independente. As nossas capacidades militares e tecnológicas devem acompanhar essa ambição, caso contrário essa política ficará sujeita à coerção ou mesmo à dominação de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos”, afirmou. Apesar do aumento, as despesas militares chinesas continuam relativamente moderadas quando comparadas em percentagem do produto interno bruto (PIB). A China dispõe actualmente de apenas uma base militar no estrangeiro, situada no Djibuti, e afirma que a sua política de defesa visa exclusivamente proteger a sua soberania territorial, incluindo Taiwan, que considera parte do seu território.
Hoje Macau China / ÁsiaAPN | Reafirmado princípio “uma só China” A China reafirmou ontem o compromisso com o princípio de “uma só China” e garantiu que irá combater as forças separatistas que promovem a “independência de Taiwan”, afirmou o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. As declarações foram feitas durante a apresentação do relatório anual de trabalho do Governo na sessão da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo chinês, inaugurada ontem no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Li sublinhou que Pequim continuará a avançar na “reunificação nacional” e a aplicar “de forma aprofundada a estratégia geral do Partido [Comunista] para resolver a questão de Taiwan na nova era”. Segundo o relatório apresentado à ANP, o Governo chinês actuará de acordo com o princípio de “uma só China” e com o chamado Consenso de 1992, ao mesmo tempo que se oporá ao que classificou como “interferência de forças externas”. O chefe do Executivo acrescentou que Pequim pretende promover o “desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do estreito” e incentivar intercâmbios, cooperação e integração entre Taiwan e o continente. A questão de Taiwan continua a ser uma das principais fontes de tensão na região. No mês passado, Pequim acusou o líder taiwanês de ser um “instigador de guerra”, após William Lai Ching-te ter alertado para o impacto regional que poderia resultar de um eventual controlo chinês da ilha. Analistas taiwaneses citados por órgãos de comunicação locais consideram, contudo, pouco provável uma acção militar chinesa a curto prazo, tendo em conta o actual contexto internacional, marcado também pelas tensões relacionadas com o conflito no Irão. Segundo esses especialistas, Pequim continua a manter como objectivo oficial a chamada “reunificação pacífica”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteEconomia | Fixada meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026 A China estabeleceu ontem uma meta de crescimento económico entre 4,5 por cento e 5 por cento para este ano, ligeiramente abaixo dos objectivos definidos nos últimos anos, num contexto marcado pela prolongada crise no sector imobiliário e por incertezas externas. A meta foi anunciada pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante a apresentação do relatório de trabalho do Governo na sessão de abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão máximo legislativo da China. O relatório estabelece o objectivo de crescimento nesse intervalo, acrescentando que o Governo procurará “alcançar melhores resultados na prática”. “Embora reconheçamos as nossas conquistas, também temos plena consciência das dificuldades e desafios que enfrentamos”, afirma o relatório. Nos últimos três anos, Pequim fixou metas de crescimento de “cerca de 5 por cento”. Em 2025, a economia chinesa registou uma expansão de 5 por cento. Ao estabelecer um intervalo entre 4,5 por cento e 5 por cento, o Governo procura dar maior margem de manobra para ajustar as políticas económicas ao longo do ano. O documento destaca o aumento dos riscos geopolíticos e assinala que o comércio livre está sob forte ameaça. As exportações chinesas para os Estados Unidos foram afectadas pelas tarifas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, embora a China tenha expandido as vendas para outras regiões do mundo. No plano interno, o relatório sublinha um desequilíbrio “acentuado” entre uma oferta forte e uma procura fraca, bem como o desafio de fazer a transição da economia para novos motores de crescimento. “Internamente, ainda enfrentamos diversos problemas e desafios, tanto antigos como novos”, acrescenta o documento. “Ao propor estas metas, tivemos em conta a necessidade de deixar algum espaço para ajustes estruturais, prevenção de riscos e reformas no primeiro ano deste período do plano quinquenal, de modo a estabelecer uma base sólida para alcançar melhores resultados nos próximos anos”, refere o relatório. Outros planos A sessão anual da ANP, que reúne cerca de 3.000 delegados e é considerada o principal evento político anual do país, deverá também aprovar um plano quinquenal que definirá as prioridades políticas e económicas da China até 2030. O documento inclui também compromissos para reforçar a economia doméstica e, ao mesmo tempo, avançar com as ambições do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar o país num líder global em tecnologia.