Venezuela | China pede a “libertação imediata” de Maduro

A China pediu ontem aos Estados Unidos a libertação imediata do Presidente da Venezuela que foi detido em Nova Iorque, depois de ter sido capturado numa operação militar norte-americana levada a cabo no sábado.

“A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, que os libertem imediatamente e que cessem os seus esforços para derrubar o Governo venezuelano”, afirmou a diplomacia de Pequim. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a operação como uma “flagrante violação do direito internacional”.

Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas.

O líder venezuelano já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público para o Distrito Sul de Nova Iorque, que no sábado apresentou novas acusações junto do mesmo tribunal. Maduro está acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas.

Choque e condenação

No sábado, ainda antes da confirmação da captura do Presidente da Venezuela, a diplomacia chinesa já tinha condenado os ataques militares lançados pelas forças norte-americanas contra Caracas. A China declarou-se “profundamente chocada” com a operação militar norte-americana e condenou o que descreveu como o “uso descarado da força” contra um país soberano.

No entendimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, estas acções violam gravemente o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. A China, que mantinha uma relação diplomática e económica próxima com a Venezuela, reiterou a oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

Apupos e aplausos

A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda do líder da Venezuela, reeleito em Julho, numa votação contestada pela oposição. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a acção militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região.

Já o Governo da Índia, expressou ontem “profunda preocupação” com a situação na Venezuela, na sequência da execução da operação militar norte-americana “Absolute Resolve”. Em Nova Deli, num comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que não faz qualquer menção explícita ao Presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, o Governo não se pronunciou sobre a legitimidade da acção e optou por centrar-se num apelo à paz e a que se evite uma escalada da violência.

“A Índia reafirma o seu apoio ao bem-estar e à segurança dos venezuelanos, instando todos os actores envolvidos a resolver as diferenças através de um diálogo pacífico”, refere o texto diplomático, omitindo referências directas ao presidente detido ou ao seu estatuto político.

Em Tóquio, também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão afirmou ontem estar a acompanhar “de perto” a situação na Venezuela, acrescentando que irá trabalhar para “restaurar a democracia” naquele país.

“O Governo do Japão está a acompanhar de perto a situação e a dar prioridade absoluta à segurança dos cidadãos japoneses” residentes na Venezuela, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A diplomacia japonesa sublinhou a importância de respeitar o direito internacional e, ao mesmo tempo, reiterou que o Governo do arquipélago tem defendido “a importância de restabelecer a democracia na Venezuela o mais rapidamente possível”.

Haja respeito

Também a União Africana (UA) pediu respeito pelo direito internacional e, embora não tenha condenado directamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, afirmou que os problemas internos do país sul-americano devem ser resolvidos internamente.

Num comunicado divulgado na noite de sábado, a organização pan-africana defendeu um “diálogo político inclusivo” entre a população venezuelana, com vários países africanos a manifestaram a rejeição às acções de Washington e alguns a mostrarem solidariedade a Caracas, como Angola. “A União Africana reafirma o firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, em particular o respeito pela soberania dos Estados, a sua integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas”, indicou a UA no comunicado.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”. O tribunal não especificou quando Rodríguez deverá tomar posse.

5 Jan 2026

Um morto e oito feridos em novo fogo em habitação social

Pelo menos uma pessoa morreu e oito ficaram feridas num incêndio que atingiu ontem um complexo de habitação pública em Hong Kong, um mês após um outro incêndio num bairro social ter causado 161 mortos. De acordo com a imprensa local, os bombeiros acreditam que um curto-circuito eléctrico poderá ter causado as chamas, que obrigaram à retirada de mais de 270 moradores do complexo, em Kowloon, no centro da região.

O alerta foi dado por volta das 08:00 e os bombeiros conseguiram extinguir o incêndio, que atingiu uma área de pequena dimensão, em cerca de 50 minutos. Um homem foi encontrado morto no local enquanto um outro homem e sete mulheres foram resgatados. Os oito feridos mostravam sintomas de inalação de fumo, sendo que dois estavam em situação considerada grave.

Os bombeiros disseram que o apartamento do 21.º andar onde surgiram as chamas estava cheio de objectos, que originaram um denso fumo que se espalhou pelos corredores e dificultou o combate ao incêndio. “O apartamento foi severamente danificado pelo fogo. Os bombeiros encontraram uma grande quantidade de objectos espalhados pelo apartamento”, disse o subchefe interino do departamento de Serviços de Incêndios.

“Ainda estamos a investigar a causa do incêndio. Analisaremos as causas de forma abrangente, incluindo a possibilidade de uma falha de energia”, acrescentou Yip Kam-kong. O dirigente afirmou que o equipamento de combate às chamas estava a funcionar correctamente no edifício, negando relatos de uma mangueira de incêndio com defeito no 21.º andar.

Yip acrescentou que os bombeiros não encontraram qualquer irregularidade nos equipamentos de segurança contra incêndio do edifício Mei Yue, no bairro Shek Kip Mei. Alguns moradores disseram à imprensa que as portas corta-fogo eram frequentemente deixadas abertas no edifício, mas Yip disse que não era o caso no 21.º andar quando os bombeiros chegaram ao local.

Tragédia em Tai Po

Em 26 de Novembro, um incêndio no bairro social Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte de Hong Kong, causou a morte de 161 pessoas e deixou milhares de pessoas desalojadas. O incêndio em Wang Fuk Court começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu num dos prédios, no âmbito de obras de renovação, se incendiou. O fogo propagou-se com rapidez ao resto do complexo, atingindo seis outras torres.

Tendo em conta a magnitude da tragédia, o Governo local criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, com o objectivo de esclarecer as causas do início e da rápida propagação do incêndio. Paralelamente, a Comissão Independente contra a Corrupção de Hong Kong deteve o actual presidente da associação de moradores do Wang Fuk Court, bem como o antecessor, no âmbito da investigação sobre a catástrofe.

O Ministério Público está a investigar mais de uma dezena de pessoas ligadas ao incêndio, sob a presunção de terem cometido homicídio por negligência, incluindo os directores e um consultor de engenharia da empresa de construção responsável pelas obras.

5 Jan 2026

Coreia do Sul | Presidente em visita oficial à China

O Presidente da Coreia do Sul iniciou ontem uma visita oficial à China, numa altura em que Pequim procura reforçar os laços com Seul, após o aumento das tensões com o Japão devido a Taiwan. A deslocação de quatro dias é a primeira visita oficial de um chefe de Estado sul-coreano à China desde 2019, assim como a primeira visita de Lee Jae-myung à segunda maior economia do mundo desde que assumiu o cargo, em Junho.

A deslocação ocorre numa altura de tensão entre a China e o Japão, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter dito em Novembro que as forças armadas do país poderiam envolver-se se Pequim tomasse medidas contra Taiwan. No início de Dezembro, Lee afirmou que a Coreia do Sul não deveria tomar partido entre a China e o Japão.

Durante a visita, que acontece a convite de Xi Jinping, Lee irá reunir-se com o líder chinês, o segundo encontro entre os dois em apenas dois meses. Os líderes já se reuniram em novembro, à margem da cimeira de líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), organizada em Gyeongju, na Coreia do Sul.

Na ocasião, trocaram piadas e Lee descreveu Xi como “surpreendentemente bom a fazer piadas”, considerando os diálogos “interessantes”, e expressou o desejo de visitar a China. Antes da viagem, Lee concedeu à emissora estatal chinesa CCTV a primeira entrevista na residência oficial da presidência, que foi transmitida na sexta-feira.

O líder sul-coreano disse esperava que as pessoas compreendessem que o Governo se preocupa com as relações com Pequim e assegurou que a Coreia do Sul respeita consistentemente a política de ‘Uma Só China’ em relação a Taiwan.

Na entrevista, Lee elogiou ainda Xi como um “vizinho verdadeiramente confiável”. O Presidente da Coreia do Sul reconheceu que mal-entendidos passados prejudicaram as relações bilaterais com Pequim. “Esta visita à China visa minimizar ou eliminar estes mal-entendidos ou contradições do passado”, disse, citado pela CCTV.

5 Jan 2026

Espaço | Realizados 92 lançamentos espaciais em 2025

Os avanços científicos da China na exploração do espaço atingiram metas significativas em 2025. Além do lançamento de mais de 300 satélites, a missão Shenzhou-20 bateu recordes ao manter-se em órbita durante 204 dias

A China realizou, no total, 92 lançamentos espaciais ao longo de 2025, ano em que o programa aeroespacial chinês abrangeu missões tripuladas, a exploração do espaço profundo e o lançamento de satélites para fins comerciais.

De acordo com dados da Administração Espacial Nacional da China, citados sábado pela emissora estatal chinesa CCTV, mais de 300 satélites foram colocados nas órbitas planeadas durante o ano. Entre as conquistas técnicas de 2025, a missão Shenzhou-20 esteve em órbita durante 204 dias, o período mais longo até à data na histórica do programa espacial tripulado chinês.

A China realizou também o primeiro lançamento de emergência de sempre, em apenas 16 dias, com a missão não tripulada Shenzhou-22, após a detecção de fissuras na nave inicialmente prevista para o regresso, algo que colocou à prova a resposta rápida do sistema de voo tripulado.

A Shenzhou-21 estabeleceu um novo marco operacional ao completar uma acoplagem rápida em aproximadamente três horas e meia, reduzindo significativamente o tempo habitual para este tipo de missões. No campo da exploração científica, a sonda Tianwen-2 lançou a primeira missão da China para explorar um asteroide e trazer amostras de volta para a Terra, alargando o âmbito dos projectos espaciais do país.

O ano passado foi marcado também por avanços e testes em veículos de lançamento reutilizáveis, com voos de teste de novos foguetões, tanto do programa estatal como de empresas privadas, que colocaram com sucesso cargas úteis em órbita, embora não tenham ainda conseguido recuperar os propulsores. Testes que reflectem o ímpeto do sector espacial comercial chinês e os desafios técnicos que enfrenta no objectivo de reduzir custos e aumentar a frequência dos lançamentos, através da reutilização parcial de foguetões.

Salto em altura

Zhu Haiyang, executivo do grupo estatal Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, defendeu que o “aumento tanto no número de lançamentos como no de satélites implantados” reflecte um “salto qualitativo” nas capacidades operacionais do sector.

Olhando para o futuro, a China planeia continuar os testes relacionados com o programa de pouso lunar tripulado, inicialmente previsto para 2030, lançar novas sondas lunares e apresentar novos modelos de foguetões. A China tem reforçado o seu programa espacial com missões ambiciosas como colocar a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua e enviar a sonda Tianwen-1 a Marte, além de planos para construir, com outros países, uma base científica no polo sul lunar.

A chinesa Tiangong (Palácio Celestial, em chinês), projectada para operar durante pelo menos dez anos, poderá tornar-se a única estação espacial habitada no mundo quando a Estação Espacial Internacional for desactivada, previsto para o final da década.

5 Jan 2026

Imobiliário | Crise deixa consumidores pessimistas apesar de crescimento

A economia chinesa deve alcançar este ano a meta oficial de crescimento de cerca de 5 por cento, impulsionada pelas exportações e avanços em inteligência artificial e veículos eléctricos, enquanto muitos chineses vivem na incerteza quanto ao emprego e vencimentos

A divergência entre os indicadores macroeconómicos e o quotidiano da população alimenta dúvidas sobre a robustez da recuperação económica, apesar da trégua comercial entre Pequim e Washington, selada após um encontro entre os líderes da China e Estados Unidos, Xi Jinping e Donald Trump.

“Os negócios estão muito difíceis”, afirmou Xiao Feng, proprietário de uma sala de bilhar em Pequim. “Os ricos não têm tempo e o povo não tem dinheiro. No fim do mês, fico a zeros”, observou. A esposa de Xiao, enfermeira, é actualmente a principal fonte de rendimento da família. O empresário cortou no número de funcionários e diz que não teve qualquer lucro nos últimos seis meses.

O sentimento é partilhado por Zhang Xiaoze, agente imobiliário especializado em propriedades comerciais, que viu o seu rendimento anual cair de três milhões de yuan (cerca de 364 mil euros) para apenas 100 mil yuan (12 mil euros). “Muitas empresas estão a sair de Pequim. O problema é que as pessoas não têm dinheiro”, explicou.

Entre Janeiro e Novembro, as exportações chinesas atingiram um novo recorde de 3,4 biliões de dólares, mas o consumo interno mostra sinais de fraqueza. As vendas a retalho subiram apenas 1,3 por cento em Novembro, uma desaceleração face ao mês anterior, enquanto o investimento em activos fixos caiu 2,6 por cento.

O sector imobiliário continua a ser um ponto crítico: os preços da habitação caíram mais de 20 por cento desde o pico em 2021. As vendas de casas novas recuaram 11,2 por cento e o investimento no sector caiu quase 16 por cento nos primeiros 11 meses do ano.
Xiao comprou o apartamento em que vive por mais de três milhões de yuan em 2019. “Agora vale uns 2,4 milhões. Se não tivesse desvalorizado tanto, talvez já tivesse trocado de carro. Mas continuo com o mesmo de há dez anos”, disse. Para reduzir despesas, Xiao deixou de pagar explicações ao filho de 10 anos. “Agora ensinamos nós em casa. O futuro é incerto”.

Zhou, um explicador em Tianjin, viu o número de alunos cair à medida que os pais deixam de investir em educação suplementar. “Muitos preferem turmas grandes em vez de aulas individuais. O negócio está 50 por cento pior do que durante a pandemia”, afirmou.

Sonho e realidade

Analistas como Zichun Huang, da Capital Economics, consideram que o crescimento real da China pode estar abaixo dos 5 por cento oficialmente estimados. O grupo de reflexão (‘think tank’) Rhodium Group aponta para uma taxa entre 2,5 e 3 por cento.
A estagnação no sector imobiliário afecta directamente a confiança dos consumidores, num país onde a habitação representa o principal veículo de investimento das famílias. O crescimento do rendimento disponível também tem sido inferior ao ritmo pré-pandemia.

“É uma transição difícil”, afirmou o economista-chefe da ING para a China, Lynn Song, referindo-se à tentativa de Pequim de reorientar a economia para o consumo interno e para sectores de alta tecnologia. “A retórica oficial não corresponde à realidade vivida por muitos chineses”, explicou.

O excesso de capacidade em sectores como o automóvel, aço e bens de consumo mantém os preços e lucros sob pressão. Segundo o banco HSBC, os preços das exportações chinesas caíram mais de 20 por cento desde 2022.
O proprietário de um hotel económico em Shijiazhuang, norte da China, que se identificou apenas como Zhai, diz que não vê sinais de recuperação. “Se as coisas não melhorarem até Maio ou Junho, quando termina o contrato de arrendamento, fecho as portas”, assegurou.

2 Jan 2026

Guerra | Tailândia acusou Camboja de violar espaço aéreo com 250 drones

A Tailândia acusou ontem o Camboja de violar o acordo de cessar-fogo em vigor, ao enviar 250 aparelhos aéreos não tripulados (drones) sobre o território tailandês

O Exército da Tailândia indicou que mais de 250 drones foram detectados a entrar no país na zona de fronteira. Para as Forças Armadas tailandesas, a acção do Camboja constituiu uma provocação e uma violação das medidas “destinadas a reduzir as tensões” entre Banguecoque e Phnom Penh. Até ao fecho desta edição as autoridades do Camboja não se pronunciaram sobre a acusação da Tailândia sobre a violação do espaço aéreo.

Os dois países alcançaram um cessar-fogo no sábado, após três semanas de confrontos ao longo da fronteira comum de 800 quilómetros, depois de dois dias de negociações na China. O acordo de cessar-fogo prevê o fim de semanas de combates ao longo da fronteira contestada, que já fizeram mais de 100 mortos e mais de meio milhão de deslocados em ambos os países. O ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow, e o seu homólogo cambojano, Prak Sokhonn, reuniram-se na província de Yunnan, no sudoeste da China, para negociações mediadas pelo homólogo chinês, Wang Yi.

O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim “não deseja ver a Tailândia e o Camboja em campos de batalha”. Durante um encontro com o homólogo tailandês, Sihasak Phuangketkeow, no domingo, Wang Yi expressou a “profunda preocupação” da China com a “tensa situação na fronteira” e defendeu que, uma vez cessados os combates, “a diplomacia deve assumir protagonismo”.
“Reconstruir a paz é o desejo dos povos e a expectativa de todas as partes”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, acrescentando que os esforços de mediação de Pequim “nunca se impõem aos outros, nem extravasam os limites” e visam criar “uma plataforma descontraída para o diálogo”.

Um historial fatal

O Presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou suspender os privilégios comerciais caso a Tailândia e o Camboja não concordassem com um cessar-fogo em Julho, sugeriu ontem que os combates entre a Tailândia e o Camboja “cessarão momentaneamente” e afirmou que os Estados Unidos “se tornaram as verdadeiras Nações Unidas”. Os limites territoriais são disputados há décadas e foram herdados do período colonial francês.

De acordo com números oficiais, reconhecidos pelas Nações Unidas, os últimos confrontos provocaram 47 mortes: 26 do lado tailandês e 21 do lado cambojano. Em Julho, a primeira fase de confrontos fez 43 mortos em cinco dias, antes de ser acordado um cessar-fogo.

Um outro acordo foi posteriormente assinado a 26 de Outubro em Kuala Lumpur, Malásia, na presença do presidente dos Estados Unidos, mas foi suspenso pela Tailândia, depois de vários soldados de Banguecoque terem ficado feridos na explosão de uma mina militar terrestre na zona de fronteira.

30 Dez 2025

Analistas estimam que BYD supere Tesla nas vendas globais em 2025

A rápida expansão global da BYD e as dificuldades regulatórias da Tesla nos Estados Unidos e noutros mercados devem permitir à fabricante chinesa liderar, pela primeira vez, as vendas mundiais de veículos totalmente eléctricos em 2025, preveem analistas. Ambos os grupos deverão divulgar em breve os relatórios anuais, mas, com base nos dados mais recentes, a vantagem acumulada pela BYD é tal que parece quase impossível que a Tesla tenha conseguido recuperar terreno.

Até ao final de Novembro, a BYD já tinha vendido 2.066.002 veículos totalmente eléctricos, tornando-se a primeira marca a ultrapassar esse marco. A Tesla registava 1.217.902 unidades até ao final de Setembro.
A fabricante norte-americana beneficiou, no terceiro trimestre, de uma corrida às compras provocada pelo fim de incentivos fiscais nos EUA, o que levou muitos consumidores a antecipar a aquisição dos seus veículos. As entregas globais da Tesla subiram 7 por cento em termos homólogos, para 497.099 veículos.

Analistas previram uma rápida retracção no trimestre seguinte. O consenso dos analistas da empresa de serviços financeiros FactSet aponta para 449 mil unidades no quarto trimestre (-9,48 por cento face ao ano anterior) e um total de 1,65 milhões de veículos para 2025 (-7,66 por cento). Trata-se de uma projecção anual bem abaixo do nível já atingido pela BYD até 30 de Novembro.

O banco alemão Deutsche Bank estima que a Tesla entregará 405 mil veículos no quarto trimestre, enquanto analistas do banco suíço UBS apontam para 415 mil – ambas previsões revistas em baixa recentemente.
O Deutsche Bank destacou vendas abaixo das expectativas na América do Norte (-33 por cento), Europa (-34 por cento) e, em menor escala, na China (-10 por cento).

Copo meio cheio

O banco TD Cowen apresenta uma estimativa mais optimista (429 mil unidades), mas sublinha que o trimestre foi “um pouco delicado”, devido ao fim dos incentivos fiscais, o que dificultou as projecções, segundo o analista Itay Michaeli. “As entregas da Tesla vão mostrar sinais de fraqueza no quarto trimestre”, apontou o director da corretora Wedbush Securities, Dan Ives. “Um total de 420 mil veículos já seria suficiente para mostrar alguma estabilidade da procura, numa altura em que o mercado está focado no lançamento da condução autónoma em 2026”, acrescentou.

As vendas da Tesla foram afectadas por uma transição eléctrica mais lenta do que o esperado, pelo aumento da concorrência e pelas decisões do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o regresso ao poder em Janeiro.

A proximidade entre Elon Musk e Trump, tanto durante a campanha como após a tomada de posse, também afectou a imagem da marca, levando a apelos ao boicote. As vendas caíram acentuadamente, sobretudo na Europa.

30 Dez 2025

APN | Pequim expulsa mais três generais em campanha anticorrupção

Três altos responsáveis militares foram expulsos do órgão máximo legislativo da China, parte da campanha anticorrupção que se tem intensificado nas fileiras do Exército de Libertação Popular

Segundo o jornal South China Morning Post, foram expulsos do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) o chefe do Comité de Assuntos Políticos e Legais da Comissão Militar Central (CMC), Wang Renhua, o comissário político da Polícia Armada do Povo, Zhang Hongbing, e o director do departamento de treino da CMC, Wang Peng. A decisão surge após semanas de especulação sobre o paradeiro e a posição destes oficiais, ausentes de eventos militares relevantes desde Julho, incluindo o aniversário das Forças Armadas e a quarta sessão plenária do Comité Central do Partido Comunista Chinês, realizada em Outubro.

Apesar da expulsão do órgão legislativo nacional, os três continuam a figurar como membros do Comité Central do Partido, a mais alta estrutura de decisão política do país.

Wang Renhua, de 63 anos, foi promovido a almirante há menos de um ano pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e liderava as estruturas judiciais e disciplinares do Exército – tribunais, procuradorias e sistema prisional militar – tornando-se o terceiro principal responsável pela segurança militar após a reforma das Forças Armadas lançada em 2015. A ascensão meteórica e queda abrupta de Wang ilustram a instabilidade na hierarquia militar chinesa e o endurecimento da política de ‘tolerância zero’ face à corrupção.

O Ministério da Defesa chinês não comentou directamente os afastamentos, mas observadores apontam que as expulsões reflectem um abalo profundo na estrutura de comando e reforçam o controlo político sobre os sectores estratégicos da Defesa.

A purga prossegue

A campanha anticorrupção nas Forças Armadas tem sido uma das bandeiras da governação de Xi Jinping e visou já dezenas de altos quadros nos últimos anos, incluindo comandantes da Força Aérea, Marinha e das forças nucleares.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou na semana passada o relatório anual sobre o poderio militar da China, no qual destaca que Pequim ampliou a definição de “interesse central” para incluir explicitamente Taiwan, bem como reivindicações territoriais no mar do Sul da China. O relatório, submetido anualmente ao Congresso norte-americano desde 2000, também menciona as vendas militares da China ao Paquistão e à Rússia, a purga de líderes militares por corrupção e o avanço tecnológico das forças armadas chinesas, com ênfase na Inteligência Artificial.

Em resposta, um porta-voz da Defesa chinesa afirmou na quinta-feira que o documento deturpa a política nacional de defesa da China e procura “enganar a comunidade internacional” quanto à estratégia militar do país.

30 Dez 2025

Estudo | Angola e Moçambique expostos a desaceleração chinesa

A desaceleração da economia chinesa e possível transformação do seu modelo de crescimento poderão ter impactos profundos nos países africanos, incluindo Angola e Moçambique, alerta-se num relatório do grupo de reflexão Rhodium Group.

“À medida que o modelo económico da China perde fôlego, os responsáveis africanos terão de planear o crescimento e a transformação económica conscientes de que o seu maior parceiro comercial e de investimento poderá vir a ter um perfil muito diferente do que teve até agora”, lê-se na análise realizada pelo grupo, com sede em Nova Iorque.

Angola é apontada como um dos países mais sensíveis à evolução da segunda maior economia do mundo. A China é um dos principais destinos do crude angolano e o relatório antecipa que as importações chinesas de petróleo africano deverão estagnar ou diminuir, à medida que Pequim acelera a transição energética, expande a frota de veículos eléctricos e reduz a intensidade energética da sua economia.

Esse cenário poderá pressionar as receitas fiscais, as exportações e a capacidade de Luanda para honrar a sua dívida externa, num contexto em que o país já paga mais à China em amortizações do que recebe em novos empréstimos.

Moçambique poderá ter uma trajectória distinta. Embora também exposto à procura chinesa por matérias-primas, o relatório antecipa uma procura estruturalmente robusta por minerais estratégicos associados à transição energética, como a grafite e outros minerais críticos, sectores em que Moçambique tem vindo a ganhar relevância.

29 Dez 2025

Comércio externo | Lei revista com reforço das resposta a “lutas externas”

A China aprovou no sábado uma revisão da lei de comércio externo, que reforça o quadro jurídico para o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e amplia as ferramentas jurídicas de resposta a “lutas externas”

De acordo com a agência estatal Xinhua, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN, órgão legislativo) deu ‘luz verde’ à nova versão da norma, que entrará em vigor a 1 de Março de 2026, depois de uma votação realizada este sábado. A lei revista incorpora uma série de reformas, que até agora eram aplicadas por meio de regulamentos ou políticas sectoriais.

Entre estas estão o sistema de listas negativas para o comércio transfronteiriço de serviços, o apoio a novos formatos e modelos de comércio externo, o impulso ao comércio digital e a aceleração da construção de um sistema de comércio “verde”. O texto também estabelece disposições para que o Estado avance no alinhamento com “normas económicas e comerciais internacionais de alto nível” e participe na formulação de regras globais neste domínio, segundo a Xinhua.

Com o objectivo de optimizar o ambiente para o comércio externo, a lei reforça igualmente a protecção dos direitos de propriedade intelectual ligados às actividades comerciais internacionais. Nesse sentido, estipula que o Estado melhorará o nível de conformidade normativa dos operadores de comércio externo e a sua capacidade de gerirem riscos relacionados com a propriedade intelectual.

A norma introduz ainda um sistema de assistência ao ajustamento comercial, orientado para “estabilizar as cadeias industriais e de abastecimento”, um aspecto que ganhou relevância nos últimos anos face às fricções comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos e outros parceiros.

Em tempo de tréguas

Um dos pontos destacados da revisão é a ampliação e o aperfeiçoamento do chamado “conjunto de ferramentas legais” para a defesa dos interesses externos da China, num momento marcado pela trégua comercial alcançada com os Estados Unidos e pela persistência de tensões com outros actores, como a União Europeia.

A reforma é aprovada semanas depois de Pequim e Washington terem acordado uma trégua comercial de um ano, que inclui reduções tarifárias e a suspensão temporária de algumas restrições, embora as autoridades chinesas tenham insistido, paralelamente, na necessidade de proteger a segurança económica nacional.

29 Dez 2025

Taipé | Pelo menos três pessoas morreram em ataque no metro

Pelo menos três pessoas morreram e cinco ficaram feridas na sequência de um ataque no metro de Taipé, anunciou sexta-feira o chefe dos bombeiros da capital de Taiwan, acrescentando que o suspeito também morreu. O autor do ataque usava uma máscara e estava armado com uma faca quando atirou “cinco ou seis cocktails Molotov, ou granadas de fumo” na principal estação de metro de Taipé, explicou o chefe dos bombeiros em declarações à agência de notícias France-Presse.

Segundo as autoridades locais o incidente começou na passagem subterrânea da Estação Principal de Taipé por volta das 17:30 quando o suspeito lançou várias bombas de fumo que serviram de distração antes de se dirigir com uma faca pela avenida que liga essa estação à de Zhongshan.

O presidente da Câmara de Taipé, Chiang Wan-an, disse à imprensa que o suspeito aparentemente “se suicidou ao saltar de um edifício para escapar à sua detenção” e que uma das vítimas morreu ao tentar impedir o ataque na estação Central, a principal estação de metro da capital de Taiwan.

Uma das vítimas morreu devido aos ferimentos causados pela arma branca e uma segunda morreu devido a uma parada cardio-respiratória causada pelas granadas lançadas pelo agressor, segundo a agência oficial de notícias CNA.

Um balanço anterior dava conta de pelo menos oito feridos. O agressor foi identificado pela agência CNA como um homem de 27 anos, procurado por ignorar uma ordem de recrutamento militar, de acordo com a agência de notícias espanhola Europa Press.

21 Dez 2025

Gaza | Unicef preocupada com possível crise de saúde pública

A Unicef está preocupada com a possibilidade de haver uma crise de saúde pública em Gaza e de morrerem crianças por hipotermia, dada a situação catastrófica causada pelo frio e chuvas que se têm registado. “A situação nos últimos dias tem estado realmente horrível para as crianças aqui da Faixa de Gaza, por várias razões”, disse o director de comunicação da Unicef, Jonathan Crickx, em entrevista à agência Lusa, a partir do sul do enclave palestiniano.

“Houve uma tempestade e ainda há chuvas e ventos muito fortes, o que significa que todas as tendas estão molhadas, algumas delas completamente inundadas”, contou, adiantando que a situação afecta 750 mil a um milhão de deslocados, na sua maioria pessoas que já tiveram de mudar-se em diversas vezes e que praticamente só têm o que tinham vestido quando fugiram.

“Temos muitas crianças que têm apenas uma ou duas mudas de roupa e estão a viver em tendas improvisadas, de plástico ou lona, e os colchões onde dormem estão molhados, as roupas estão molhadas, os cobertores estão molhados, as tendas estão molhadas”, descreveu Jonathan Crickx.

A situação “é extremamente grave”, referiu o responsável da Unicef, que está a cumprir a sua quinta missão de ajuda em Gaza. “As crianças, especialmente os bebés, podem morrer de hipotermia”, sublinhou, acrescentando que a temperatura à noite ronda os 8º centígrados.

Por outro lado, as condições de higiene e saneamento, conjugadas com o facto de muitas crianças terem sofrido de fome nos últimos meses, torna “muito propícia a propagação de doenças transmitidas pela água”, disse, admitindo que a organização está apreensiva pela possibilidade de haver uma crise de saúde pública.

“É uma grande preocupação porque, muitas vezes, as famílias têm de escolher entre comprar sabão ou comprar comida. Também porque não há casas de banho suficientes, nem retretes suficientes, há muito lixo por todo o lado porque todo o sistema de gestão de resíduos não está a funcionar tão eficientemente como costumava”, explicou Jonathan Crickx.

“Há muitos esgotos a céu aberto, às vezes junto às tendas, e, com a água, inunda tudo, juntamente com lixo. Portanto, sim, é muito preocupante. Estamos muito, muito preocupados com o aparecimento e a propagação de doenças transmitidas pela água”, reiterou. Embora garanta que a Unicef está a trabalhar arduamente para bombear a água suja e restaurar a canalização, Jonathan Crickx avisou que “há muito trabalho pela frente”, porque “o nível de destruição é imenso”.

Face à situação, “é necessário um enorme esforço da comunidade internacional”, alertou o responsável. “Mesmo com o cessar-fogo [em vigor desde 10 de Outubro], a situação é absolutamente dramática para milhares e milhares de crianças”, disse, referindo que “o cessar-fogo está longe de ser perfeito”.

Ajuda insuficiente

Ainda assim, Jonathan Crinckx considera que o acordo entre Israel e o grupo islamita Hamas “trouxe um pouco de alívio às crianças” e permitiu às organizações humanitárias levar mais coisas para a Faixa de Gaza.

“Conseguimos trazer 250.000 ‘kits’ de roupa quente [cada ‘kit’ é composto por uma camisola, uns sapatos, um gorro e um cachecol] para proteger as crianças das condições de Inverno, o que não é mau. Também conseguimos trazer lonas, que algumas pessoas estão a utilizar para criar abrigos, além de 7.000 tendas e cerca de 500.000 a 600.000 cobertores”, adiantou.

No entanto, alertou, “isso ainda não é suficiente porque a escala das necessidades, especialmente daquelas famílias que vivem nas tendas, é enorme”. Por outro lado, ainda há artigos que não podem ser levados para Gaza, como por exemplo, grandes escavadoras, máquinas pesadas para remover toneladas de lixo e material escolar.

“Cadernos, lápis, réguas e borrachas não são permitidos na Faixa de Gaza há dois anos porque a educação não é considerada uma necessidade crítica”, lamentou o director de comunicação da Unicef, referindo que a educação é uma preocupação latente entre a população. “Conheci muitas mães aqui em Gaza e, assim que as necessidades básicas dos seus filhos são satisfeitas, a primeira coisa que perguntam é quando é que as escolas vão reabrir”, relatou.

“A educação é fundamental e é muito importante que as crianças saiam das ruas e possam construir um futuro para si próprias”, argumentou o responsável da Unicef, lembrando que “os níveis de educação eram muito bons em Gaza antes da guerra”. A Faixa de Gaza foi alvo de uma tempestade polar na semana passada que provocou a morte de pelo menos 11 pessoas, além de deixar várias outras feridas e de danificar tendas e edifícios.

A tempestade provocou o desabamento de casas e danificou dezenas de tendas utilizadas por pessoas deslocadas. A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional lamentou a situação, que atribuiu às “restrições contínuas de Israel à entrada de materiais essenciais para reparar infraestruturas vitais”, como avançou em comunicado divulgado esta semana.

21 Dez 2025

Coreia do Sul | Presidente lamentou agravamento da crise com o Norte

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, defendeu sexta-feira uma abordagem diplomática paciente com a Coreia do Norte, reconhecendo que se agravou a crise nas relações entre os dois países.

Numa reunião com responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Unificação, o presidente sul-coreano disse que no passado Seul e Pyongyang fingiam ser inimigos, mas que ultimamente, sublinhou, se parecem estar a transformar em “verdadeiros inimigos”.

As declarações do chefe de Estado ocorreram três dias depois de as autoridades sul-coreanas e norte-americanas terem realizado uma série de discussões em Seul com o objectivo de reavaliarem a política conjunta face à Coreia do Norte. Por outro lado, as conversações geraram tensões internas no Executivo sul-coreano, segundo fontes da agência de notícias oficial Yonhap.

O Ministério da Unificação, responsável pelos assuntos entre as duas Coreias, apresentou objecções às conversações lideradas por diplomatas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa situação que supostamente configurou uma questão de jurisdição. “Parece que toda esta situação actual decorre de ambições políticas”, criticou o Presidente sul-coreano.

Para Lee Jae-myung é necessário comunicar, dialogar, cooperar e lutar pela coexistência e prosperidade, lamentando o que considerou falta de espaço para consensos capazes de resolverem as tensões internas em Seul. Na mesma declaração, o Presidente sul-coreano enfatizou o papel do Ministério da Unificação como principal negociador.

21 Dez 2025

OMS | PM indiano destaca consenso sobre medicina tradicional

Mais de 100 países estiveram representados em Nova Deli por políticos, profissionais do sector e líderes indígenas para discutir a promoção da Medicina Tradicional nos sistemas globais de saúde. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, encerrou sexta-feira a segunda Cimeira Global sobre Medicina Tradicional da Organização Mundial de Saúde (OMS) destacando o “consenso alcançado em diversas questões importantes”.

Modi considerou que esse consenso reflecte “a força das parcerias globais”, segundo um comunicado do seu gabinete citado pela agência noticiosa espanhola EFE. O chefe do governo indiano salientou ainda que “impulsionar a investigação, aumentar o uso da tecnologia digital na medicina tradicional e criar quadros regulamentares fiáveis a nível global irá fortalecer significativamente” este tipo de medicina.

A cimeira, com o tema “Restaurar o Equilíbrio para as Pessoas e o Planeta”, começou na quarta-feira e reuniu em Nova Deli decisores políticos, cientistas, profissionais e líderes indígenas de mais de 100 países, para debater a integração da medicina tradicional (MT) nos sistemas de saúde com base em critérios científicos.

Ciência reforçada

Segundo a página ‘online’ da cimeira, os participantes comprometeram-se, na Declaração de Deli sobre Medicina Tradicional, a reforçar a base de prova científica da MT, alargando o investimento em infraestruturas de investigação e aumentando o número de profissionais da área, assim como promovendo a Biblioteca Mundial de Medicina Tradicional da OMS, a primeira do género, que foi lançada durante a cimeira.

A declaração inclui ainda compromissos de apoio ao “acesso equitativo a produtos seguros e eficazes através de mecanismos regulamentares apropriados”, para garantir a qualidade e segurança dos mesmos, da integração de uma MT “segura e eficaz” nos sistemas nacionais de saúde, respeitando a biodiversidade.

Entre as acções acordadas, alinhadas com os objectivos da estratégia global para a medicina tradicional 2025-2034 da OMS, está ainda a promoção da participação das comunidades e povos indígenas.

“Os Estados-Membros e os parceiros irão traduzir a Declaração de Deli em acções nacionais com prazos definidos, apoiadas por uma colaboração internacional reforçada, partilha de boas práticas, elaboração de relatórios e responsabilização colectiva”.

21 Dez 2025

China / Ucrânia | Encontro de representantes dos Negócios Estrangeiros

O ministro assistente dos Negócios Estrangeiros da China, Liu Bin, realizou consultas políticas entre os Ministérios dos Negócios Estrangeiros da China e da Ucrânia com Serhiy Kyslytsya, o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, em Pequim, na quinta-feira, indicou o Diário do Povo. Liu afirmou que, desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e a Ucrânia, a amizade e a cooperação sempre foram as características definidoras das relações bilaterais.

Guiados pelos princípios de respeito e confiança mútuos, entendimento e acomodação mútuos, além de benefício mútuo e reciprocidade, as duas partes alcançaram resultados frutíferos em cooperação em áreas como economia e comércio, agricultura, ciência e tecnologia, e intercâmbios culturais e entre os povos, acrescentou Liu.

Já Kyslytsya, afirmou que a Ucrânia atribui grande importância às suas relações com a China, adere ao princípio de Uma Só China e está disposta a aprofundar ainda mais os intercâmbios e a cooperação em diversos campos para impulsionar o progresso contínuo das relações Ucrânia-China. Os dois lados também trocaram opiniões sobre a actual crise na Ucrânia.

21 Dez 2025

Taiwan | EUA avisados para deixarem de interferir nos assuntos internos

O governo da China avisou sexta-feira os EUA para pararem de “armar” Taiwan e “interferir nos assuntos internos” chineses, depois de o Congresso aprovado um orçamento de Defesa que inclui até mil milhões de dólares para cooperação com Taipé. O porta-voz do Gabinete dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Chen Binhua, afirmou ontem, em comunicado, que a denominada Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAAA, na sigla en Inglês) envia “um sinal errado às forças separatistas” de Taiwan.

Em sequência, pediu aos EUA que se abstenham de aplicar as disposições do pacote legislativo, assinado na véspera por Donald Trump, e instou-os a “aderir ao princípio de uma só China”. O orçamento contempla o financiamento da designada Iniciativa de Cooperação em Segurança de Taiwan, que cobre assuntos como equipas médicas e capacidades de abastecimento e de prestação e cuidados a vítimas de combates.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou ontem a avisar que qualquer medida para “armar” Taiwan vai ter “graves consequências”, depois de o governo de Trump ter anunciado esta semana uma venda de armas avaliada em 11 mil milhões de dólares.

“Instamos os EUA a respeitarem o princípio de uma só China (…), a pararem a perigosa medida de armar Taiwan, a deixarem de perturbar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e a deixarem de enviar mensagens equivocados às forças separatistas”, reiterou, em declarações a jornalistas, o porta-voz do Ministério, Guo Jiakun.

A Agência de Cooperação em Segurança e Defesa dos EUA (DSCA, na sigla em Inglês) detalhou em oito comunicados separados que a venda de armas a Taiwan inclui 60 obuses autopropulsionados e equipamento relacionado, no montante de 4.030 milhões de dólares.

O pacote também contempla 82 sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (M142 HIMARS, na sigla em Inglês) por 4.050 milhões de dólares, e software, equipamento e serviços para redes de missões tácticas, no valor de 1.010 mil milhões de dólares.

21 Dez 2025

Tai Po | Número de mortos no incêndio sobe para 161

A tragédia que atingiu o conjunto de apartamentos em Hong Kong continua a fazer vítimas. A investigação em curso já levou à detenção de vários responsáveis ligados ao complexo composto por oito torres de 31 andares

O número de mortos no incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, em Hong Kong, subiu para 161, depois de mais uma vítima mortal ter sido identificada através de análise de ADN, anunciaram ontem as autoridades policiais. O comissário da Polícia, Joe Chow, explicou que os trabalhos periciais ainda estão a decorrer e não excluiu a possibilidade de o número final poder sofrer novas variações, à medida que a análise forense for avançando.

Chow afirmou que o processo de identificação continua a ser complexo devido ao estado de alguns restos mortais recuperados no local. O balanço anterior das autoridades dava conta de 160 vítimas mortais.

O responsável disse também que o desmantelamento das redes de protecção e dos andaimes de bambu nas fachadas arrancou na sexta-feira, embora, por razões de segurança, o trabalho só esteja a ser realizado em quatro dos sete edifícios afectados. A recolha de provas materiais continua em curso e não há data prevista para a conclusão.

O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court começou em 26 de Novembro, quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres. Tendo em conta a magnitude da tragédia, o Governo local criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, com o objectivo de esclarecer as causas do início e da rápida propagação do incêndio.

Esta comissão deverá também examinar os procedimentos aplicados nos contratos de reabilitação de edifícios, avaliar a adequação do quadro regulamentar existente, analisar eventuais responsabilidades criminais e fazer recomendações ao Governo. O relatório final deverá ser apresentado num prazo máximo de nove meses.

Irregularidades e detenções

Paralelamente, a Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC) deteve na quarta-feira o actual presidente da associação de moradores do Wang Fuk Court, bem como o antecessor, no âmbito da investigação sobre a catástrofe.

O complexo residencial, construído em 1983 no âmbito de um programa público de habitação a preços acessíveis, é composto por oito torres de 31 andares e cerca de duas mil habitações. De acordo com o recenseamento de 2021, albergava 4.643 pessoas. Na altura do incêndio, os edifícios estavam envoltos em andaimes de bambu e redes de segurança devido a obras de renovação avaliadas em 330 milhões de dólares de Hong Kong.

Investigações posteriores constataram a utilização de redes sem a resistência ao fogo exigida e de painéis de poliestireno expandido (esferovite) altamente inflamáveis, o que acelerou a propagação do incêndio e levou a suspeitas de cortes indevidos de materiais e falhas nos processos de adjudicação.

Desde o início de 2024, os moradores têm apresentado queixas ao ICAC por alegadas irregularidades. As obras começaram em Julho e vizinhos chegaram a publicar nas redes sociais imagens de pontas de cigarro abandonadas. Em Setembro, a direcção da associação de moradores foi renovada e o departamento de Trabalho efetuou inspecções com a imposição de sanções. A última inspecção oficial teve lugar uma semana antes do incêndio.

O Ministério Público está também a investigar mais de uma dezena de pessoas ligadas ao incêndio, sob a presunção de terem cometido homicídio por negligência, incluindo os directores e um consultor de engenharia da empresa de construção responsável pelas obras.

21 Dez 2025

EUA | China cumpriu já mais de metade do acordo de compra de soja

A China assinou acordos para comprar cerca de sete milhões de toneladas de soja dos EUA, mais de metade da quota que Pequim se comprometeu a adquirir até início de 2026, informou ontem um jornal de Hong Kong. A quota faz parte do acordo estabelecido entre Pequim e Washington para pôr fim à guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

As autoridades norte-americanas informaram a venda de cerca de quatro toneladas de soja ao país asiático, com outras três atribuídas a “destinos desconhecidos”, o que “sempre foi considerado sinónimo de China”, segundo a consultora especializada Walsh Trading, citada pelo jornal South China Morning Post.

Isso significaria que Pequim está a caminho de cumprir o seu compromisso de comprar 12 milhões de toneladas – principalmente através do gestor estatal de reservas de cereais Sinograin –, embora a informação esclareça que ainda não foram feitos envios, o que aumenta os receios de possíveis cancelamentos no futuro.

“Os nossos acordos comerciais, que sempre foram assim, permitem à China reservar vendas para envios futuros. Mas se o Brasil ou a Argentina tiverem uma grande colheita, podem cancelá-los a qualquer momento”, explicou o vice-presidente da Walsh Trading, Sean Lusk.

Apenas algumas cargas partiram com destino à China até o momento, de acordo com o especialista, que recomenda prestar atenção entre Fevereiro e Março às colheitas sul-americanas, das quais se esperam números recordes que poderiam reduzir os preços e, consequentemente, os incentivos de Pequim para comprar dos EUA.

De qualquer forma, estas recentes operações representam uma reviravolta em relação à situação vivida durante meses: após a escalada tarifária iniciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a China reduziu praticamente a zero as suas compras de soja aos EUA durante quase meio ano, o que se traduziu numa queda dos preços e em dificuldades para os produtores.

20 Dez 2025

Timor-Leste discute com parceiros o combate à corrupção e ao crime transnacional

O chefe da diplomacia de Timor-Leste, Bendito Freitas, reuniu-se esta semana com a Interpol, a Austrália e a ONU para reforço da cooperação no combate à corrupção e ao crime transnacional, anunciou ontem o Governo timorense. Os encontros foram realizados em Doha, Qatar, à margem da 11.ª sessão da Conferência dos Estados Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que começou segunda-feira e terminou ontem.

“A Interpol manifestou disponibilidade para apoiar Timor-Leste na capacitação de recursos humanos, com vista ao reforço das competências nacionais no combate à corrupção, ao crime organizado e ao crime transnacional, incluindo por mecanismos regionais da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático] e do recurso a tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, aplicadas à investigação criminal”, pode ler-se na informação do executivo timorense.

Com a Austrália, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense abordou o futuro “estabelecimento de uma parceria de cooperação bilateral” naquelas áreas.

O encontro permitiu também “trocar pontos de vista sobre a identificação de necessidades de capacitação de recursos humanos, em particular para investigadores, bem como sobre a partilha de experiências e boas práticas, incluindo no contexto da cooperação com os Estados-membros da ASEAN”.

Bendito Freitas esteve também reunido com uma equipa do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para “discutir mecanismos de combate ao jogo ilícito, ao branqueamento de capitais, crimes relacionados com drogas e a utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial, tanto a nível regional como em Timor-Leste”.

“As partes analisaram possibilidades de cooperação no domínio da capacitação técnica e do reforço das capacidades institucionais, incluindo a utilização de equipamentos forenses para a investigação e detecção de crimes transfronteiriços”, salienta o Governo. A UNODC convidou o Governo de Timor-Leste para participar numa conferência internacional sobre o combate ao jogo ilícito e ao contrabando, a realizar-se em Viena, em 2026.

Nos encontros participaram também o Comissário da Comissão Anticorrupção, Rui Pereira dos Santos, o director nacional da Polícia Científica de Investigação Criminal, Vicente Brito, a procuradora-geral adjunta da República, Angelina Saldanha, e a deputada Virgínia Ana Belo.

Jogo e burlas

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou em Setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi, enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as recentes investigações mostram uma contaminação da região.

O documento da UNODC foi divulgado após uma investigação das autoridades timorenses que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita de envolvimento em actividade de exploração de jogos ilícitos e de burla informática em Oecussi. No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa “que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste” é um dos donos de um hotel que “parece acolher empresas” com actividade criminosa.

Na sequência daquela denúncia pública, o Governo timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e apostas ‘online’, bem como proibir a atribuição de novas licenças, devido a riscos para a segurança e estabilidade social. Este mês, as autoridades timorenses encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da empresa Capital Ventures Timor por suspeita de jogo ilegal.

20 Dez 2025

Japão | Taxa de juro sobe para valor mais elevado em 30 anos

O combate à estagnação da economia japonesa prossegue com novas medidas para tentar travar o crescimento da inflação

O banco central do Japão aumentou ontem a taxa de juro referência para 0,75 por cento, o nível mais elevado desde 1995, numa decisão já esperada pelos analistas, dada a inflação persistente e a crónica desvalorização do iene. “A economia japonesa recuperou moderadamente, embora se tenham observado algumas fragilidades em certas áreas”, observou o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), em comunicado.

O aperto monetário no Japão começou em Março de 2024, após uma década de taxas de juro ultrabaixas. No final da reunião mensal de política monetária, o BoJ optou por elevar a taxa pela primeira vez desde Janeiro, referindo, em comunicado, que a incerteza em torno das tarifas norte-americanas diminuiu e há sinais de um crescimento salarial estável em 2026.

O aumento da taxa ocorre numa altura em que a inflação anual no Japão permanece longe da meta de 2 por cento fixada pelo banco central. Os preços registaram uma subida homóloga de 3 por cento em Novembro, o mesmo valor que no mês anterior, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações.

“Espera-se que as taxas de juro reais permaneçam significativamente negativas e que as condições financeiras acomodativas continuem a apoiar fortemente a actividade económica”, afirmou o BoJ. O banco central deixou ainda em aberto a possibilidade de futuros aumentos da taxa de juro directora, “dependendo da melhoria da actividade económica e dos preços”.

Medidas de combate

Após décadas de deflação na quarta maior economia do mundo, o ciclo de crescimento está a pesar sobre as famílias do arquipélago, e tanto o BoJ como o Governo da primeira-ministra Sanae Takaichi prometeram combater a inflação. O parlamento aprovou recentemente um orçamento suplementar para 2025 no valor de 18,3 biliões de ienes, com um pacote de estímulo da economia estagnada do Japão.

Os analistas alertaram, no entanto, que um aumento da taxa de juro no Japão poderia afectar o chamado ‘carry trade’, o empréstimo em ienes por parte de investidores para comprar activos mais rentáveis em outras moedas.

20 Dez 2025

TikTok | Pequim mantém silêncio sobre venda nos EUA

Pequim afirmou ontem que a sua posição sobre o caso TikTok é “coerente e clara”, sem confirmar se aprovou o alegado acordo para a venda das operações da aplicação nos Estados Unidos a um consórcio liderado por investidores norte-americanos.

A declaração foi feita pelo porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun, em resposta a perguntas sobre notícias divulgadas por vários órgãos de comunicação dos EUA, segundo as quais a ByteDance, empresa-mãe do TikTok, terá acordado transferir o controlo da sua operação norte-americana para uma nova estrutura societária.

Segundo um memorando citado pela imprensa, a nova empresa de risco partilhado contará com participação do grupo tecnológico Oracle, do fundo Silver Lake e do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos MGX, que juntos deterão 45 por cento do capital. Cerca de 33 por cento ficará com subsidiárias de investidores que já detêm participação na ByteDance, enquanto a empresa chinesa manterá uma fatia de aproximadamente 18 por cento.

O acordo deverá ser formalizado até 22 de Janeiro de 2026, véspera do prazo fixado pelo Departamento de Justiça norte-americano para a suspensão das operações do TikTok, caso não tenha sido criada uma entidade juridicamente separada da ByteDance, como determina a lei aprovada pelo Congresso dos EUA em 2024.

A legislação, invocando motivos de segurança nacional, exige que a ByteDance não tenha acesso aos servidores onde são armazenados os dados dos utilizadores da aplicação de vídeos curtos. Desde que regressou ao poder, em Janeiro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por várias vezes a aplicação da lei, permitindo que a sua Administração negociasse a alienação das operações do TikTok no país.

Em Setembro, após uma série de encontros entre representantes de Washington e Pequim, os dois países anunciaram um quadro de princípio para a operação. A China detém uma chamada “acção dourada” na ByteDance, que lhe confere direito de veto sobre decisões estratégicas da empresa.

20 Dez 2025

‘Chips’ | Fabricantes chineses de ‘chips’ actualizam equipamento da ASML

Fabricantes chineses de semicondutores estão a actualizar equipamentos avançados de litografia da holandesa ASML para contornar os controlos de exportação impostos por EUA e Países Baixos, avançou ontem o jornal britânico Financial Times. A operação visa acelerar a produção de ‘chips’ usados em sistemas de inteligência artificial (IA), que integra a disputa em curso entre China e EUA pelo domínio das tecnologias do futuro.

Segundo fontes citadas pela publicação, fábricas chinesas que produzem ‘chips’ para telemóveis e aplicações de IA estão a melhorar o desempenho de máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) – nomeadamente o modelo Twinscan NXT:1980i – através da aquisição de componentes no mercado secundário, incluindo plataformas mecânicas (“stages”), lentes e sensores de maior precisão.

Essas actualizações têm permitido às fábricas aumentar a produção de ‘chips’ de sete nanómetros, apesar das restrições que impedem a ASML de fornecer à China as suas máquinas DUV mais recentes ou qualquer equipamento de litografia ultravioleta extrema (EUV), essencial para processos mais avançados.

As melhorias, realizadas com assistência de empresas terceiras fora do controlo directo da ASML, permitem às fabricantes mitigar os custos adicionais e as perdas de rendimento associadas ao processo de “multi-patterning” – exposição múltipla do ‘wafer’ para compensar a falta de tecnologia EUV –, comum nas linhas de produção chinesas mais avançadas.

A ASML confirmou que “cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos aplicáveis” e negou fornecer actualizações que aumentem o desempenho dos sistemas para além do permitido. Actualmente, a empresa está impedida de melhorar a precisão (“overlay”) ou a velocidade (“throughput”) das máquinas DUV em mais de 1 por cento.

20 Dez 2025

Guangxi | Ataque com arma branca faz pelo menos três mortos e um ferido

Pelo menos três pessoas morreram e uma ficou ferida ontem, num ataque com arma branca ocorrido na vila de Xincheng, na região semiautónoma de Guangxi, sul da China, informou a polícia local. O incidente teve lugar por volta das 07:00, numa zona do município de Chengguan, segundo um comunicado do Departamento de Segurança Pública de Xincheng. As circunstâncias concretas do ataque não foram até ao momento divulgadas.

O presumível autor, um homem de 35 anos identificado pelo apelido Guo, foi detido e encontra-se sob custódia policial. A pessoa ferida foi transportada para um hospital, enquanto as restantes vítimas não resistiram aos ferimentos causados pelo ataque.

As autoridades indicaram que o caso continua em investigação e não forneceram informações sobre o possível motivo do ataque, desconhecendo-se se o suspeito conhecia as vítimas ou se se tratou de um acto indiscriminado. Também não foi especificado se o ataque ocorreu num local público ou numa zona residencial.

Nos últimos anos, vários ataques com arma branca foram registados em diferentes regiões da China, alguns com vítimas mortais. Embora as motivações variem, muitos desses episódios têm sido descritos pela imprensa local e autoridades como casos de “vingança contra a sociedade”, protagonizados por indivíduos com frustrações pessoais que descarregam a sua raiva contra desconhecidos.

Face à repetição destes incidentes, a Procuradoria Popular Suprema da China prometeu este ano “castigos severos, rigorosos e céleres” para os autores de tais crimes, enquanto o Ministério da Segurança Pública apelou ao reforço da prevenção para “manter a estabilidade social”.

20 Dez 2025

Economia | Carteira de dívida dos EUA atinge mínimos desde 2008

O emagrecimento da carteira da dívida norte-americana começou no primeiro mandato de Trump à frente da Casa Branca e reflecte a falta de confiança chinesa na sustentabilidade dos activos aliada às dúvidas sobre a independência da Reserva Federal

Pequim reduziu em Outubro a sua carteira de dívida pública norte-americana para o nível mais baixo desde 2008, reflectindo preocupações sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana e a independência da Reserva Federal, noticiou ontem o South China Morning Post.

Segundo dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos citados pelo jornal de Hong Kong, o valor caiu de 700,5 mil milhões de dólares em setembro para 688,7 mil milhões de dólares em Outubro, o registo mais baixo desde Novembro de 2008. Este valor representa uma queda de 47 por cento face ao pico de Novembro de 2013, quando Pequim detinha cerca de 1,32 biliões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano, segundo a empresa de dados financeiros chinesa Wind.

A retirada progressiva de fundos começou no primeiro mandato de Donald Trump (2017–2021), e, em Março deste ano, a China caiu para a terceira posição entre os maiores detentores estrangeiros de dívida dos EUA, atrás do Japão e do Reino Unido. Dois meses depois, a carteira caiu para mínimos desde 2009.

Esta semana, Yu Yongding, ex-assessor do Banco Popular da China, advertiu num artigo para os riscos crescentes associados aos activos denominados em dólares, apelando à redução da dependência de mercados externos, “especialmente dos EUA”, e à minimização do que descreveu como “a armadilha do dólar”.

Segundo o economista, a China poderá ser “a força decisiva” a pôr fim aos dois pilares da balança de pagamentos dos EUA: o domínio global do dólar – sustentado pelo poder militar – e mercados financeiros dinâmicos impulsionados pela inovação tecnológica.

Refúgio dourado

A par da venda de dívida, Pequim tem reforçado a diversificação das suas reservas externas: em Novembro, comprou ouro pelo décimo terceiro mês consecutivo, acumulando um total de 310.600 milhões de dólares em reservas do metal precioso, considerado um activo de refúgio em períodos de instabilidade.

Apesar da trégua comercial de um ano assinada em Outubro entre Washington e Pequim, as duas potências acumularam meses de tensões desde o regresso de Trump à Casa Branca, alimentando especulações sobre uma eventual venda maciça de dívida norte-americana por parte da China.

20 Dez 2025