António Cabrita

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António Cabrita nasceu em Almada, em 1959. Estudou cinema, escreveu guiões de cinema, e foi jornalista e crítico durante mais de vinte anos no jornal Expresso. Vive actualmente em Moçambique.

O regresso de O Rinoceronte

Bilene. Pisámos pela primeira vez a língua de areia que separa a lagoa do mar. Elas foram em expedição, à cata de tartarugas.

Adonis, um santo

Ē indubitável o delírio kafkiano nos países à deriva.

O planeta dos macacos

Os meus amigos de esquerda são – como eu antes de ter mudado para o sul e como diriam as minhas filhas – “muito fofinhos”, mas têm as bússolas avariadas.

Mondrian e outros vícios

22/07/2017 É mais do que certinho, por um sorriso já se travaram batalhas. O sorriso de Helena de Troia, por exemplo, devia ser de estalo. E...

Ter galo e ser galo

18/07/2016 Uma vez escrevi um sketch de teatro que contava o drama de um assaltante de bancos que amargou sete anos na cadeia sem ter...

Êxodos

O escritor aí não é profeta, nem é emissário de nada e segue o sulco da humildade.

Do Trânsito da Lucidez

Leio uma longa e admirável entrevista de Susan Sontag à Rolling Stone, depois ampliada em livro, e, como sempre, há várias coisas que ela viu antes do tempo.

Os jardins da língua

O coração do canário dá mil batidas por minuto. O do elefante vinte e cinco. As minhas andam pelas setenta, mas a máquina acelera quando deparo com a estultícia que nos afoga.

Do fogo e da pressa

Este será o meu primeiro texto escrito num tablet que a minha mulher me trouxe de Lisboa e que manejo com superstição e paciência.

Carta aos Ovnis 

É de Hegel a piada sobre o judeu que colocado diante da escolha de obter a salvação imediata ou de ler o matutino todos os dias se decide pela leitura dos jornais.

Virgens e meninos rabinos

Uma vez, pensava na vida olhando a minha filha mais pequena que brincava com um pato amarelo, de plástico, e perguntei-lhe de chofre: Filha, o que é a mentira? Ela, entretida com o pato, atirou: Uma tartaruga. Não me desmanchei: E quantas patas tem? Respondeu firme: Duas.

Perplexidades e equilíbrios

A Maria João Cantinho ganhou o Prémio Glória de Sant’Anna com o seu excelente livro de poesia Do Ínfimo. Nestes poemas a ênfase não está no brilho mas antes na justeza das palavras.

Aragens & Divergências

Num maravilhoso livro de entrevistas o idoso Marcel Conche, provavelmente o exegeta dos pré-socráticos em França, confessa, aos 80 anos, que o encontro intelectivo com uma jovem mulher aos 78 anos abriu brechas na sua vida de sage

As profecias de Horacio e de Duchamp

Ontem estive atento às manobras de Trump, que, enquanto o ar lhe falta, procura o pipo

Intervalos

Na Mongólia, o sonhador pode sonhar por um outro, ou até sonhar por numerosas outras pessoas. Leio e pasmo

Uma ética para naúfragos

Ideias que valem ouro, que quebram o ciclo do mimetismo, do qual estamos reféns. Como a que sustenta o plot do filme Arrival, de Denis Villeneuve, o mais interessante filme de ficção cientifica da última década: a soma que não dá resto zero

A beleza e o mal

Hoje, a ideia dominante no mundo desenvolvido, que devora e regula tudo, já o dizia Zygmunt Bauman, é a segurança.

A lotaria do nada e da morte

Numa dramaturgia respeitamos o ethos dos personagens mas introduzimos umas buchas.

Ressonâncias: conversas com o meu gato

Não é treta, existem leis comuns. Olha, neste verso de Eluard, «há nos bosques árvores loucas por aves», surpreendemos uma boa parte da mecânica do cinema.

Pinturas de Batalhas

Será a altura de revelar aos amigos de Macau que a mais atrevida representante da literatura feminina luso-macaense viveu vários anos em Lourenço Marques, nos anos 40 e 50, e provocou escândalos

Almas tenras

Já conheci almas de puro minério, tipos ruins e ufanos disso. Em África conheci o mal. Simples acaso, tive sorte na Europa e lá se camuflará mais o que aqui será exposto? É irrelevante, lidei aqui com o problema, desde situações de ostracismo a cenas de extrema crueldade que, tanto pessoal como profissionalmente, vivi ou presenciei.

Walcott & A pata na poça

17/03/2016 H oje somos hoje acossados por um novo tipo de ignorância: a dos que só sabem inglês. Mas desta vez dou a mão à...

Diários de guerra de um ornitólogo

É o quarto telemóvel que me impinge desde que me sentei na esplanada. Não desiste. Já passaram na rua uma trintena de grávidas. Dois...

Falhar menos

A descoberta dos sete exoplanetas semelhantes à Terra, com possibilidades de ter água, excitou meio mundo. Era uma descoberta que faltava à necessidade de descomprimir a solidão do homem no vasto, álgido, universo que nos rodeia.