China / ÁsiaPCC | Xi Jinping apresenta plano para reforçar disciplina interna Hoje Macau - 27 Out 2026 A quinta sessão plenária do XX Comité Central foi inaugurada ontem em Pequim e decorre até quinta-feira. Até lá, o projecto do Presidente chinês de reforço da “governação integral e rigorosa” do partido vai ser analisado O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou ontem à cúpula do Partido Comunista Chinês (PCC) um projecto de resolução para reforçar a disciplina e a supervisão internas, após novas demissões de altos dirigentes e advertências sobre o incumprimento de ordens. Xi, também secretário-geral do partido, apresentou o projecto durante a quinta sessão plenária do XX Comité Central, inaugurada ontem em Pequim, e fez um relatório de trabalho em nome do Politburo, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. O documento aborda o reforço de uma “governação integral e rigorosa” do partido, expressão utilizada pela liderança chinesa para designar as medidas de disciplina, supervisão e combate à corrupção. A reunião, que decorrerá à porta fechada até quinta-feira, vai analisar o projecto de resolução, cujo conteúdo detalhado ainda não foi divulgado. Em Julho, o Politburo exigiu “padrões mais elevados” e “medidas mais concretas” para resolver os problemas internos do partido, reconhecendo que “profundas mudanças dentro e fora da China” colocam “novos desafios” ao controlo e à supervisão da organização. Segundo a descrição do projecto analisada pela direcção do partido em Setembro, o documento faz um balanço das medidas anteriores e estabelece as prioridades para os próximos anos. O debate envolve uma organização com mais de 100 milhões de militantes, que controla as instituições do Estado, as Forças Armadas e os principais centros de decisão da segunda maior economia mundial. Remover obstáculos Embora Xi tenha concentrado o poder desde que assumiu a liderança do PCC, em 2012, o próprio dirigente reconheceu a existência de obstáculos à aplicação das suas decisões. Num discurso proferido em Janeiro e publicado este mês pela revista oficial do PCC Qiushi, Xi criticou o facto de algumas orientações “não serem aplicadas ou serem aplicadas incorrectamente” e denunciou dirigentes que proclamam lealdade, mas que, “na prática, cumprem as ordens apenas na aparência e continuam a agir à sua maneira”. A reunião realiza-se numa altura em que as expulsões dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, anunciadas em Setembro por acusações de corrupção e outras infracções, aguardam ratificação pelo Comité Central. Os afastamentos deixaram a Comissão Militar Central, o principal órgão de comando das Forças Armadas chinesas, com apenas dois membros: Xi Jinping e o general Zhang Shengmin, contra os sete que integravam o organismo em 2022. Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi tem promovido uma campanha anticorrupção que atingiu dirigentes locais, ministros, responsáveis de empresas estatais e altos comandos militares. Os organismos disciplinares chineses sancionaram 412.000 pessoas no primeiro semestre de 2026, incluindo 74 dirigentes de nível provincial ou ministerial. O plenário realiza-se cerca de um ano antes do XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027, quando deverão ser renovados os principais órgãos dirigentes do partido, sem que tenha surgido até agora uma figura visível para suceder a Xi Jinping.