Manchete SociedadeAMCM | Taxa de juro de referência sobe pela primeira vez desde 2023 Hoje Macau - 18 Set 2026 Os reguladores financeiros de Macau e Hong Kong aprovaram ontem a primeira subida da principal taxa de juro de referência desde 2023, seguindo a Reserva Federal norte-americana. A autoridade monetária de Hong Kong alertou para consideráveis incertezas quanto a futuros custos de financiamento A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aumentou em 0,25 pontos percentuais, para 4,25 por cento a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado. O regulador financeiro da RAEM seguiu assim o aumento anunciado na quarta-feira pela Fed. A AMCM disse que a subida era inevitável, por a pataca estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”. A decisão da AMCM surgiu menos de meia hora depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA. O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano. O director-geral da Autoridade Monetária de Hong Kong, Eddie Yue, ressalvou ontem que existem consideráveis incertezas quanto ao futuro dos custos de financiamento, embora salientando que o rácio de crédito malparado na região vizinha se mantem estável. Vida a crédito Na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu, por unanimidade, aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre 3,75 e 4 por cento, após uma reunião de dois dias. A Fed não aumentava as taxas directoras, que orientam os custos dos empréstimos, desde o Verão de 2023. De acordo com projecções apresentadas pelo presidente da Reserva, Kevin Warsh, será provavelmente necessário proceder a uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano para combater a inflação. A subida da taxa de juro surge numa altura em que o crédito malparado tem vindo a cair em Macau, depois de ter atingido um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas em Junho de 2025. De acordo com dados oficiais da AMCM, os empréstimos vencidos caíram, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, no final de Julho passado. O crédito vencido representava em Julho 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau. Uma percentagem que sobe para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da RAEM. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.