China / Ásia MancheteIA | Fórum chinês defende controlo mas rejeita lógica de blocos entre China e EUA Hoje Macau - 16 Set 2026 Governação das tecnologias emergentes, estabilidade estratégica e competição entre grandes potências, são temas em debate a partir de hoje em Pequim na 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China Especialistas reunidos ontem em Pequim defenderam o reforço da supervisão humana, dos mecanismos de segurança e da cooperação internacional perante os riscos da inteligência artificial, rejeitando que outros países tenham de escolher entre China e Estados Unidos nesta tecnologia. O debate decorreu no âmbito da 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, que será formalmente inaugurado hoje. A agenda deste ano inclui entre os principais temas a governação das tecnologias emergentes, a estabilidade estratégica e a competição entre grandes potências. O antigo secretário-geral da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Vladimir Norov afirmou que os riscos associados à IA são “sérios” e defendeu que os governos reforcem a capacidade de supervisão, em conjunto com empresas tecnológicas e centros de estudos. Norov alertou que a tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das instituições para a regular, defendendo a criação de mecanismos de partilha de informação sobre riscos e incidentes graves relacionados com a IA. O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão e presidente da Associação de Inteligência Artificial da Ásia Central afirmou que os sistemas de IA estão a evoluir rapidamente e que “nenhum país consegue geri-los sozinho”. O general reformado dos Emirados Árabes Unidos Obaid Al Ketbi, antigo alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros do país, afirmou que o avanço dos agentes de IA, capazes de planear, coordenar e executar tarefas complexas, obriga a colocar o controlo humano no centro das prioridades. “Se deixarmos as coisas nas mãos da IA sem controlo humano, será realmente duro e difícil”, afirmou Al Ketbi, que defendeu uma regulamentação proporcional aos riscos. Outra lógica Os dois participantes rejeitaram também uma lógica de blocos entre Pequim e Washington. Norov afirmou que os países da Ásia Central não querem ser “consumidores passivos” de IA nem ser obrigados a escolher entre China e Estados Unidos, mas procuram uma “parceria, não dependência” e transferência de tecnologia. Al Ketbi defendeu uma posição semelhante para o Médio Oriente, afirmando que a região deve poder cooperar com ambas as potências e, simultaneamente, desenvolver capacidades próprias. O debate ocorre depois de responsáveis do sector tecnológico norte-americano terem defendido um abrandamento do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados devido aos riscos de segurança, posição rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera que uma maior regulamentação poderá beneficiar a China. Pequim tem defendido nos últimos dias uma IA “orientada para o bem”, ao mesmo tempo que acusa Washington de utilizar argumentos relacionados com a segurança para limitar o desenvolvimento tecnológico chinês.