Manchete SociedadeBairros Históricos | Loi I Weng diz que programa está a falhar às PME João Santos Filipe - 16 Set 2026 A deputada das Mulheres pede ao Executivo que repense a estratégia de promover eventos culturais nos bairros históricos. A legisladora sugere uma nova estratégia para “reter” os turistas por mais tempo naqueles locais A deputada Loi I Weng pede ao Governo que apresente novas medidas para ajudar a promover os negócios nos bairros históricos. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, em que a legisladora das Mulheres aponta as falhas do modelo económico baseado na promoção de eventos culturais nestes bairros. Segundo a opção do Executivo, as concessionárias ficam obrigadas a promover eventos em determinadas zonas históricas, como a Barra ou a Rua da Felicidade. A esperança é que estes eventos levem mais pessoas àqueles locais e incentivem o consumo nas pequenas e médias empresas. No entanto, Loi I Weng aponta que apesar dos investimentos nos bairros o dinheiro não está a chegar às empresas com menor dimensão: “analisando o funcionamento actual das zonas históricas, verifica-se que os avultados recursos afectados ainda não foram eficazmente convertidos em benefícios reais para a economia comunitária, subsistindo várias contradições estruturais profundas que urge resolver”, justifica a deputada. Sobre os problemas, Loi considera que a coordenação entre o discurso político e a implementação “não é suficientemente eficaz”, com a prática a não corresponder ao pretendido. Fornecedores fixos Além disso, Loi I Weng explica que as concessionárias recorrem quase sempre aos seus fornecedores de há vários anos na organização dos eventos, pelo que o número de empresas beneficiadas por estas iniciativas acaba por ser limitado. Em relação a este aspecto, a deputada quer saber se a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e a Direcção dos Serviços de Turismo vão criar “mecanismos” para obrigar “as entidades operadoras dos bairros históricos a publicar periodicamente listas de aquisição e de recrutamento” de serviços. O objectivo passa por criar mais oportunidades para outras empresas serem beneficiadas com os eventos. Por último, a legisladora explica que os turistas visitam as iniciativas, mas muitas vezes nem consomem nos locais: “a atracção de visitantes mantém-se ao nível superficial, faltando um mecanismo de longo prazo que conduza os visitantes às ruas e vielas interiores”, aponta. “As actividades nas zonas históricas concentram-se sobretudo nas praças principais ou em troços específicos, onde os turistas fazem uma visita rápida e partem, sem se deslocarem às ruas e vielas das zonas antigas envolventes para consumir. Muitos comerciantes das lojas antigas referem não ter beneficiado do fluxo de pessoas gerado pelo programa”, acrescentou. Neste capítulo, a deputada defende que a aprovação dos projectos financiados com capitais públicos deve ser mais criteriosa, com a atribuição de prioridade a propostas que façam com que os turistas caminhem pelas zonas envolventes dos bairros históricos.