Manchete PolíticaHengqin | “Cidade Alemã” falhada acolhe alunos de nova cidade universitária Hoje Macau - 31 Ago 2026 Reportagem de Nelson Moura – Agência Lusa. A agência Lusa viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin Um projecto comercial falhado com arquitectura de inspiração alemã em Hengqin foi reaproveitado como um campus de universidades de Macau, que pretende acolher pelo menos 20.000 estudantes até 2029 Alunos estudam e vivem agora em réplicas de edifícios tradicionais da Bavária concebidos anteriormente para a “Cidade Alemã”, uma réplica urbana de inspiração alemã que tencionava atrair empresas alemãs, ou ligadas à Alemanha, para Hengqin. Iniciado em 2019 pela empresa de Hong Kong TFG International com um investimento de 1,6 mil milhões de yuans, o complexo com uma área bruta de construção de 140.000 metros quadrados planeava construir quatro torres de escritórios em estilo europeu, ruas comerciais temáticas alemãs com lojas de comida e cerveja, além de um hotel e um centro empresarial de alta tecnologia em parceria com a Siemens. O projecto com design do arquitecto Alain Bony foi pensado para servir como porta de entrada para mais de 500 empresas alemãs ou ligadas à tecnologia alemã no país. Em 2020, a empresa anunciou que uma primeira fase de vendas de escritórios tinha gerado 230 milhões de yuans, mas a segunda fase viria a ser suspensa durante a pandemia de covid-19. Em 2025 foi anunciado que toda a área seria reconvertida como parte da Cidade Universitária. Num relatório recente, o Governo de Macau destacou que as autoridades chinesas pretendem que o projecto responda à procura crescente de vagas universitárias na China, oferecendo aos jovens chineses uma experiência equivalente a estudar no estrangeiro sem sair do país. Inter-nacional Durante uma visita para meios de comunicação de Macau, o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, indicou que o campus conta já com 1.400 estudantes de pósgraduação. “Temos actualmente 39 cursos e transferimos alguns docentes de Macau para Hengqin, além de termos recrutado novos professores,” apontou Kong. Nesta primeira fase os alunos têm aulas nos edifícios reconvertidos da “Cidade Alemã”, com alguns prédios usados também como dormitórios, restaurantes e ginásios para os estudantes. “A segunda fase já terá em conjunto cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, envolvendo também a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau”, acrescentou. Dos 1.400 alunos, quase todos são ou de Macau ou do Interior da China, com apenas oito estudantes internacionais, um deles de Moçambique. O objectivo global, disse, é atingir 20 mil estudantes nas fases seguintes, com aposta em áreas como engenharia, saúde, inteligência artificial e direito. Angela Zhang, uma doutoranda de 30 anos em design explica que acabou em Hengqin por uma mudança do departamento da Universidade de Macau onde estava a estudar, tendo já no currículo experiência de estudo no Instituto Pratt em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Por outro lado, Serein Qi, uma estudante de doutoramento de 26 anos da província de Henan, que frequenta a Universidade de Turismo de Macau na área do património cultural, explicou que a escolha de Hengqin foi inicialmente “um pouco aleatória”, mas que acabou por ser positiva graças ao custo de vida mais baixo em comparação com Macau. Com licenciatura feita em Tianjin e mestrado em Londres, Qi considera que Hengqin oferece um espaço académico internacional sem perder ligação ao Interior da China.