Manchete SociedadeUNL e MUST querem lançar cursos em nanotecnologia Hoje Macau - 30 Ago 2026 A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse à Lusa a cientista Elvira Fortunato. Em Abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau. Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto. A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano lectivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato. A cientista sublinhou que o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias. Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024). A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa. Entre lá e cá O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 a i3N-NOVA poderá receber entre 20 a 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 a 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento. “A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”. Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”. O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”. O objectivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa. No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”. No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação em cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de co-tutela e penso que os estudantes também”, explicou. A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar optimista sobre a resposta. “Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee. Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.