Comércio | Navio sul-coreano segue para a Europa pela rota do Ártico

Com o aquecimento global e os constrangimentos provocados pela guerra desencadeada pelos EUA e Israel no Médio- Oriente, países asiáticos procuram diversificar as rotas marítimas

Um porta-contentores sul-coreano partiu ontem para a Europa pela rota do Ártico, num momento em que se mantém o bloqueio do tráfego no Médio Oriente devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

“O navio destinado a testar a rota ártica partiu do porto às 21:30 (hora local)”, anunciou o Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul, em comunicado enviado à Agence France-Presse (AFP). Este navio, da companhia local PanStar Line Dot Com, deverá fazer escala nos portos europeus de Felixstowe (Inglaterra), Roterdão (Países Baixos) e Gdansk (Polónia), antes de regressar.

A viagem deverá demorar cerca de 45 dias, segundo o ministério. Embora se tenha tornado mais navegável devido ao aquecimento global, esta rota marítima apresenta inúmeras limitações que restringem o seu potencial comercial e suscitam receios ambientais.

Os países asiáticos, cujo abastecimento de hidrocarbonetos foi fortemente afectado pela guerra desencadeada há cerca de seis meses pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, veem nela uma forma de diversificar as suas opções. A rota ártica “está destinada a tornar-se uma alternativa às rotas do Médio Oriente”, afirmou, recentemente, o vice-ministro sul-coreano dos Oceanos, Nam Jae-hon.

Caminho alternativo

Desde o início do ano, com o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão e as ameaças dos houthis à travessia do Mar Vermelho, num contexto de conflito com os Estados Unidos, o tráfego marítimo entre a Ásia e a Europa passa agora pelo Cabo da Boa Esperança, a sul do continente africano.

Ao passar pelo Ártico, as distâncias percorridas são reduzidas em 30 a 40 por cento em comparação com a rota pelo Canal do Suez, no Egipto, e em quase metade em comparação com a rota pelo Cabo da Boa Esperança, de acordo com um estudo da seguradora de crédito Coface, publicado em Abril.

O estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e tornou-se um dos principais pontos de tensão no conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

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